Professor Leilson Rocha Bezerra é reconhecido entre os principais cientistas do planeta

31/05/2025

Nascido e criado no bairro Brasília, em Iguatu, o professor Leilson Rocha Bezerra, 43, conquistou um dos reconhecimentos mais significativos da carreira acadêmica: foi incluído no ranking internacional da Research.com, plataforma que desde 2014 avalia e classifica os cientistas mais relevantes do mundo com base em sua produção e impacto científico.

O feito não é apenas uma conquista individual. É também símbolo de como a educação pode transformar vidas, gerar conhecimento e abrir portas para o mundo, mesmo quando se nasce longe dos grandes centros acadêmicos. “Receber essa notícia foi motivo de muita alegria e surpresa. Ver meu nome ao lado de pesquisadores de renome mundial me trouxe gratidão, mas também a responsabilidade de seguir contribuindo com a ciência brasileira”, afirma o professor, que atualmente leciona na Universidade Federal de Campina Grande (UFCG) e é Pesquisador Nível 1A do CNPq, o mais alto patamar da pesquisa científica no país.

Raízes

Leilson nasceu e passou a infância em uma casa simples na Rua Júlio Cavalcante, número 577. Filho de Francisco Luiz Bezerra, conhecido como ‘Chico Luiz’, ex-motorista de caminhão, e de Maria Perpétua Rocha, servidora pública da saúde estadual, ele cresceu cercado por valores como trabalho, respeito e dedicação aos estudos.

“Estudei quase toda a vida em escola pública. Fui alfabetizado no Colégio João Paulo II, passei pela Escola Amélia Figueiredo de Lavor e concluí o ensino médio no Centro Educacional Rui Barbosa. Tive uma infância muito feliz, cheia de amigos, jogos de bola na rua e memórias afetivas. Meus pais sempre me deram liberdade, mas também me ensinaram que o estudo era o caminho”, relembra.

Entre os muitos educadores que marcaram sua formação, Leilson destaca a importância do ambiente escolar na construção de sua identidade. “Não quero citar nomes por respeito a todos que contribuíram, mas preciso mencionar o Dr. Edson. As lições que ele ensinava, dentro e fora da sala, ainda ecoam. Lembro da disciplina de ‘Prolegômenos’, quando tive que aprender o Hino Nacional inteiro para apresentar uma pesquisa sobre Francisco Manoel da Silva. Aquilo me marcou.”

Impacto internacional

Em 2000, aos 18 anos, Leilson foi aprovado no vestibular para Medicina Veterinária, ingressando na Universidade Federal da Paraíba, campus de Patos. Ali começava sua jornada na área da Ciência Animal, que mais tarde o levaria à docência, à pesquisa científica e ao reconhecimento internacional.

Após a graduação, seguiu para o mestrado e doutorado, sempre aprofundando-se nos estudos sobre nutrição animal. Mesmo durante a realização do doutorado, conciliou o início da carreira docente ao ser aprovado em um concurso federal na Universidade Federal do Piauí. Aos 26 anos, tornou-se o doutor mais jovem contratado pela instituição.

“Enfrentei muitos desafios, mas sempre mantive o foco. A pesquisa falava mais alto. Passei anos equilibrando funções acadêmicas, orientações e estudos. Foram noites observando o comportamento de animais, coletando amostras e buscando respostas para problemas reais do campo. Mas nunca perdi o propósito”, relata.

Ciência

Hoje, Leilson é um dos principais nomes da pesquisa em nutrição de ruminantes no país. Suas investigações se concentram no desenvolvimento de tecnologias alimentares para bovinos, ovinos e caprinos, com foco em desempenho produtivo e sustentabilidade ambiental. “Trabalhamos com ureia de liberação controlada, gordura protegida e aminoácidos encapsulados. Nosso objetivo é aumentar a produção de carne e leite, sem intoxicar os animais e sem degradar o ambiente”, explica.

Além dos avanços técnicos, o pesquisador destaca o impacto social de suas ações. “O conhecimento só tem valor se transforma vidas. A nossa missão é desenvolver soluções que cheguem ao pequeno produtor, valorizem os recursos da Caatinga e garantam alimentos saudáveis e produzidos com responsabilidade.”

Leilson coordena atualmente projetos em rede com instituições da África, Europa e Américas. Entre eles, destacam-se estudos com gorduras protegidas que visam elevar os níveis de ômega 3 e ômega 6 na carne vermelha, tornando-a mais saudável, ao mesmo tempo em que buscam reduzir a emissão de gases como o metano. “É uma resposta científica a críticas legítimas sobre os impactos ambientais e nutricionais da pecuária. Estamos buscando soluções que equilibrem produção, saúde e sustentabilidade.”

Reconhecimento e inspiração

Estar entre os seis únicos professores da UFCG listados no ranking da Research.com é uma conquista que carrega também um forte simbolismo pessoal. “Sou filho de assalariados. Cresci em um lar simples, mas cheio de amor e incentivo à educação. Meus pais sempre acreditaram que o estudo seria a melhor herança que poderiam nos deixar. Hoje, tanto eu quanto meu irmão somos doutores e servidores públicos federais. Esse ranking é, antes de tudo, uma homenagem a eles.”

Leilson continua visitando Iguatu com frequência. “Meus pais ainda moram na mesma rua onde fui criado. Volto sempre, para rever a família, encontrar antigos colegas ou apenas caminhar pela cidade que me formou. Tenho muito orgulho das minhas raízes.”

Leilson Rocha espera ser incentivo para as novas gerações. “Aos jovens, eu digo: estudem com amor. Persistam. A ciência exige paciência. Para cada artigo aceito, recebemos várias negativas. Mas é nesse processo que se cresce. Nada substitui o esforço contínuo. Não esperem reconhecimento externo. O verdadeiro sucesso é dormir com a consciência tranquila de que você está fazendo a coisa certa. Quero ser lembrado como alguém que trabalhou com seriedade, que buscou soluções reais para os problemas do campo e que ajudou a formar pessoas. A ciência é feita de dados, sim, mas também de histórias. Quero que minhas pesquisas continuem gerando conhecimento, dignidade e prosperidade para quem vive da terra. Se um aluno de Iguatu ou da região chegar até mim dizendo que decidiu estudar por minha causa, isso vale mais do que qualquer ranking. Significa que a missão está sendo cumprida”, finalizou.

 

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