
Segundo a filósofa Hannah Arendt, “o mal pode se manifestar de forma banal, por meio de ações corriqueiras que, apesar de parecerem comuns alimentam estruturas de violência enraizadas na sociedade”. Essa reflexão é crucial para compreender a violência doméstica e familiar no Brasil, pois muitas agressões são neutralizadas e silenciadas dentro do ambiente familiar, perpetuando um ciclo entre pais e parentes mais próximos como filhos e irmãos, alimentado consequentemente pela inércia governamental e a negligência social.
Desse modo, a naturalização da violência dentro das relações familiares dificulta a identificação e denúncia de abusos. Nesse viés, tal comportamento cria um ambiente em que o silêncio predomina, tornando o ciclo difícil de ser rompido. Além disso, a falta de políticas públicas eficientes e a intervenção estatal ainda são bastantes precárias, pois na maioria das vezes, a intimidade do lar impede que ações e incumbência do estado sejam realmente efetivadas, por isso, ainda há grandes desafios para ofertar a devida proteção. No entanto, é fundamental para que haja um enfraquecimento dessa problemática a aplicabilidade do governo aliado a ações educativas para que o óbice seja erradicado.
De acordo com o escritor Boris Cyrulnik, especialista Francês, “superar traumas causados pela violência depende da reconstrução do indivíduo em um ambiente familiar saudável e acolhedor”. Em virtude dessa ideia se evidencia a importância da conscientização para romper ciclos abusivos. Diante do exposto, é primordial envolver homens e mulheres na reconsideração de padrões tóxicos, como a distribuição desigual de tarefas ou a normalização de agressões verbais no convívio doméstico. Assim sendo, faz-se necessário a prevenção na educação do lar, antes da aplicação da lei.
Portanto, o enfrentamento da violência doméstica e familiar exige mais do que a punição dos agressores, requer uma transformação cultural que deslegitime toda e quaisquer forma de violência e fortaleça vínculos baseados no respeito mútuo. Diante disso, o Estado deve intensificar políticas públicas de prevenção e proteção. Nesse contexto, cabe à lei garantir de maneira convicta segurança a criação e manutenção de ambientes especializados, programas de acolhimentos às vitimas agredidas visando à integralidade de suas vidas. Assim sendo, a sociedade civil deve desempenhar um papel primordial. No entanto, cabe a ela desenvolver e participar de campanhas que resguardem os padecedores dos maus-tratos, denunciar, assim como servir de base para que o mal se dissipe.
Maria da Glória Pereira Garcia, filha de Francisca Sonara Pereira Garcia e Antônio Aurélio Garcia Bezerra , nasceu em 31 de dezembro de 2009, na cidade de Iguatu, Ceará. Bolsista do Rotary Club de Iguatu, é aluna do 1º ano do Ensino Médio na Escola Modelo de Iguatu. A aluna acredita que: “Aprender é uma forma de transformar o mundo e que cada palavra escrita é como uma semente lançada ao futuro. Por isso, cativar o conhecimento e a criatividade são ferramentas de fundamental importância para ajudar a construir um amanhã mais próspero.”

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