Jovem de Iguatu transforma paixão pelo Jornalismo em oportunidade internacional na The School of The New York Times

07/11/2026

Aos 17 anos, a estudante iguatuense Karoline de Souza Soares começa a escrever um capítulo importante de sua trajetória acadêmica. Aluna do segundo ano do Ensino Médio da Escola Modelo, onde estuda desde o sexto ano, ela conquistou uma bolsa de estudos no valor de US$ 3 mil para participar da Summer Academy, programa acadêmico de verão promovido pela The School of The New York Times, em Nova York, nos Estados Unidos.

A conquista representa o reconhecimento de uma jovem que, ainda no Ensino Médio, já demonstra interesse pela comunicação, pela produção audiovisual e, sobretudo, pelas histórias humanas. Karoline vê na oportunidade a possibilidade de ampliar seus conhecimentos, conhecer outras perspectivas e se aproximar ainda mais da profissão que deseja seguir.

O interesse pelo Jornalismo surgiu durante o processo de descoberta sobre o futuro profissional. Enquanto muitos jovens se imaginam em carreiras tradicionalmente conhecidas, como Medicina e Direito, Karoline não conseguia se identificar completamente com nenhuma delas. Foi ao conhecer a abrangência do Jornalismo que encontrou uma área na qual passou a reconhecer seus próprios interesses e sua maneira de enxergar o mundo. “Enxergar o Jornalismo foi como me ver diante de um espelho e finalmente reconhecer e abraçar quem eu sou, sem hesitar”, conta.

Para a estudante, a profissão vai muito além das reportagens exibidas na televisão. O que mais a encanta é a possibilidade de conhecer diferentes realidades, aproximar pessoas e dar visibilidade a histórias que nem sempre encontram espaço. Ela acredita que uma narrativa bem construída pode fazer alguém conhecer uma realidade distante ou até se reconhecer em experiências que imaginava viver sozinho.

A admiração pelo Jornalismo também foi alimentada por referências que encontrou ao longo da vida. Entre elas está a jornalista Glória Maria, cuja trajetória considera inspiradora pela excelência profissional e pela oportunidade de conhecer diferentes países e cobrir acontecimentos importantes ao redor do mundo. Filmes e séries com protagonistas jornalistas também contribuíram para despertar sua curiosidade pela profissão.

 

Oportunidade e dedicação

A chegada à Summer Academy começou com pesquisa e planejamento. Ao conhecer o programa, Karoline passou a acompanhar as informações divulgadas no site oficial, buscar relatos de estudantes que já haviam participado e aguardar a abertura das inscrições.

O processo seletivo foi realizado pela internet e exigiu a elaboração de uma Short Answer, texto em inglês produzido a partir de uma pergunta proposta pela instituição, além do envio dos históricos escolares de 2024 e 2025 e do preenchimento de formulários com informações pessoais e acadêmicas.

A estudante também precisou atender aos requisitos de proficiência em inglês. Embora o programa disponibilize a possibilidade de uma conversa para candidatos que não apresentam certificados específicos, Karoline recebeu uma comunicação da equipe de admissões informando que suas notas na disciplina, registradas no histórico escolar, eram suficientes para cumprir essa exigência.

Depois de enviar a candidatura, veio a expectativa pelo resultado. Entretanto, havia uma preocupação adicional: mesmo que fosse aprovada, os custos da experiência poderiam impedir sua participação.

Foi então que, após solicitar uma revisão de sua bolsa, Karoline recebeu a notícia que mudou a dimensão do sonho. A comissão de admissão informou que havia reavaliado sua candidatura e concedido um auxílio financeiro integral de US$ 3 mil.

“Fiquei muito feliz e, ao mesmo tempo, anestesiada. É uma oportunidade que eu desejava muito, mas que parecia distante, principalmente por causa dos custos. Quando recebi a notícia da aprovação e, depois, da bolsa, senti um orgulho enorme de mim mesma”, relata.

 

Desafio

Apesar da bolsa conquistada, a estudante ainda enfrenta o desafio de custear o restante das despesas necessárias para participar do programa, incluindo os gastos com a viagem e a estada em Nova York. O auxílio representa um passo importante, mas não cobre todos os custos envolvidos na experiência.

Embora ainda esteja no Ensino Médio, Karoline já procura transformar o interesse pela comunicação em experiências práticas. Uma das mais significativas foi a produção do documentário “Quem sou eu”, desenvolvido no ambiente escolar com a participação de uma equipe formada por estudantes.

O trabalho abordou os desafios de crescer e atravessar a adolescência a partir da perspectiva dos próprios jovens. A produção contou com a participação de uma psicóloga e foi apresentada no auditório da escola para outros estudantes.

Karoline destaca que o projeto foi construído coletivamente e teve um significado especial em sua formação, por permitir que sentimentos e questionamentos comuns à juventude fossem apresentados e compartilhados.

Além da experiência com o documentário, ela desenvolve trabalhos de produção audiovisual para pequenos negócios, registra momentos especiais e já teve a oportunidade de entrevistar o prefeito de Iguatu, Roberto Filho. São iniciativas que contribuem para seu aprendizado e ampliam seu contato com diferentes formas de comunicação.

Na escolha das histórias que deseja contar, a estudante também encontra inspiração em sua fé cristã. Ela acredita que o Jornalismo pode ser uma maneira de exercer o amor ao próximo, tratando cada pessoa com respeito, sensibilidade e humanidade.

“Quero que meu trabalho seja uma extensão desse olhar de amor de Deus sobre as pessoas”, afirma.

Orgulho e base

Para Karoline, a conquista tem um significado que ultrapassa a realização individual. Crescer no interior do Ceará também influenciou a maneira como passou a enxergar suas possibilidades. Segundo ela, muitas vezes, a distância dos grandes centros faz com que oportunidades internacionais pareçam ainda mais difíceis de alcançar.

Por isso, saber que uma jovem de 17 anos, nascida em Iguatu, conquistou uma oportunidade acadêmica em Nova York é motivo de orgulho. A estudante espera levar consigo um pouco da história de sua cidade e da região onde construiu sua formação.

A Escola Modelo também ocupa um lugar importante nessa trajetória. Foi na instituição, onde estuda desde o sexto ano, que desenvolveu projetos, compartilhou produções e encontrou espaço para experimentar suas habilidades. Agora, espera que sua conquista também incentive outros estudantes a pesquisar oportunidades e acreditar em possibilidades que, inicialmente, parecem distantes.

Durante a Summer Academy, Karoline pretende aprofundar seus conhecimentos com profissionais da área, participar de workshops e atividades práticas e conhecer estudantes de diferentes lugares. Entre seus principais interesses estão o documentário, o jornalismo investigativo e o storytelling, técnica de contar histórias de maneira envolvente.

No futuro, pretende cursar Jornalismo e continuar explorando o universo audiovisual. Ainda não considera sua trajetória profissional definida, mas sabe que deseja trabalhar com histórias humanas, especialmente aquelas que costumam passar despercebidas.

Ao deixar uma mensagem para outros jovens de Iguatu, Karoline aconselha que não esperem ter todas as respostas para começar a buscar seus sonhos. Para ela, o mais importante é continuar procurando, aprendendo e aproveitando as oportunidades que surgem. A conquista da bolsa, segundo a estudante, não representa um ponto de chegada, mas o início de uma jornada de descobertas.

“Sou uma menina de Iguatu, com muitos sonhos e uma vontade enorme de conhecer o mundo. E quero levar comigo, por onde passar, aquilo que me fez escolher o Jornalismo: a convicção de que toda história humana merece atenção.”

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