O sobrevivente – parte II

03/01/2025

Enquanto isso, em sua cidade natal, a rádio anunciava:

‘‘O avião comercial que transportava 199 passageiros, incluindo o empresário John Taylor, desapareceu dos radares em uma noite tempestuosa sobre a floresta amazônica… ‘’

 

O impacto foi brutal. John, ferido, mas consciente, sentiu-se jogado entre os destroços. Ele gritou por ajuda, mas apenas o silêncio respondeu.

John, com ferimentos graves, arrastou-se para longe dos escombros. Encontrou abrigo em uma alta árvore próxima e passou dias em estupor. A dor era insuportável. Ele bebeu água de um riacho e comeu frutas silvestres. A solidão era sua única companhia.

Com o passar das semanas, John melhorou. Ele construiu um abrigo mais seguro, fez ferramentas com madeira e pedras e aprendeu a caçar pequenos animais. A floresta, antes hostil, tornou-se sua casa, mas ainda um tanto assustadora. Ele encontrou conforto na rotina, na sua própria solidão. Esquecera-se, vez ou outra, até mesmo da vida empresarial.

Entretanto, John passava horas refletindo sobre sua vida anterior. Lembrou-se novamente da família, dos amigos e do sucesso profissional. Percebeu que a sobrevivência não era apenas física, mas também emocional. Ele reavaliou prioridades e redescobriu um novo propósito.

Indagava

“Como isso aconteceu? Um minuto eu estava voando, outro, lutando pela vida.”

“Por que eu sobrevivi, só eu? Qual é o propósito disso tudo?”

“A dor é insuportável, mas não posso desistir, eu acho.”

“Minha vida anterior era uma corrida sem sentido? Aqui, encontrar simplicidade e paz? É essa a razão?”

. “Perdi tudo, mas ganhei liberdade?”

. “A solidão me ensinou a ouvir meu coração?”

. “Aqui, entenderei que a vida não é apenas existir, mas viver? E o que é viver?”

Agora, a dor na perna esquerda já não mais existia. Podia movimentar-se com facilidade e, com isso, adentrar mais no coração da floresta. Era preciso conhecer o ambiente como a palma da mão. Era preciso voltar à animalidade

Lembrou-se de Júlio Verne e sua ‘‘Viagem ao centro da Terra’’.

 

Cauby Fernandes é contista, cronista, desenhista e acadêmico de História

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