Conhecendo a boa música, o rock! (parte I)

30/05/2025

O ano era 1992 (eu acho), quando, ao ouvir uma fita K7 (de artistas diversos) que minha mãe escutava enquanto lavava roupas, me deparei com uma canção de um sujeito que eu gostei bastante. Aos dez anos, não sabia o que era estilo musical, portanto, sertanejo, pagode, rock…, para mim, tudo era só música, sem distinção de gênero.

‘‘É Raul Seixas, meu filho’’, disse-me a minha mãe após eu perguntar sobre quem era o cantor. Minha paixão pelo rock começou ali. Daquele dia em diante, me tornei fã do roqueiro baiano. Sempre que tinha algum dinheiro em mãos, corria pra loja de discos para pedir para gravarem uma fita K7 com os maiores sucessos (e menores também) do Maluco Beleza.

Em uma década pré-internet, só vim tomar conhecimento da morte do Raulzito apenas dois anos após ter o primeiro contato com a sua obra. Chorei, em 1994, o luto do ano de sua morte: 1989. Sabedor de sua morte, passei a ser ainda mais seu fã, mesmo vendo os artistas dos meus amigos nos programas infantis de televisão, e o meu, não.

Eu só escutava Raul e nada mais. Não tinha cantor infantil que me agradasse, apenas o Cowboy Fora da Lei. Em 1995, com a febre Mamonas Assassinas, fui infectado e passei a ouvi-los, claro. Foi nesse ano que conheci o som dos brasilienses do Raimundos. Nisso, tive contato com um rock mais pesado, com influências do punk e do heavy metal americano – mas, até aqui, ainda não conhecia as bandas estrangeiras das quais cultuaria nos anos seguintes.

Em 1996, um amigo, Kennedy, me emprestou algumas fitas K7 de umas tais Black Sabbath, Ozzy Osbourne, Metallica, Nirvana, Sepultura – esta última, aliás, é a banda que, desde a época, até o presente momento, ainda escuto constantemente.

Posso dizer-lhe, amigo leitor, que minha vizinha, a senhora Dedé, certamente detestou o peso do metal invadindo seus tímpanos enquanto trabalhava nas suas costuras diárias. Hoje, peço perdão, mas é coisa de jovem encantado pelo metal pesado!

Passei a colecionar revistas do gênero. Lia tudo o que chegava em minhas mãos. Recortava fotos, enchia meu quarto de pôsteres. Desenhei o Eddie, mascote do Iron Maiden, na parede do meu quarto, bem como o logotipo da banda britânica.

Como todo jovem roqueiro, também eu nutria o desejo por ter cabelo grande, usar brinco e tatuagens. Eram sonhos que nossos pais odiavam e proibiam suas realizações ferozmente! Todavia, a transgressão à ordem, ao status quo estabelecido, ao que é posto é algo que um jovem rebelde, com espirito tolo e anarquista, vê como uma aventura, uma barreira a ser transposta.

Continua na próxima edição.

 

Cauby Fernandes é contista, cronista, desenhista e acadêmico de História

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