ETERNAS ONDAS

12/07/2025

Kleyton Bandeira Cantor, compositor e pesquisador cultural

Kleyton Bandeira
Cantor, compositor e pesquisador cultural

Depois de um hiato de 5 anos, finalmente, em 2014, Fagner grava dois discos: Pássaros Urbanos e outro, ao vivo, com Zé Ramalho, e é dessa parceria e amizade que eu vou falar hoje em nossa coluna.

Por ironia do destino, compromissos de agendas ou somente por força do acaso, esses dois gigantes da MPB nunca haviam se encontrado nos palcos, apesar de serem amigos, parceiros, compadres e até mesmo vizinhos de portas, como falamos aqui no Nordeste.

Fagner e Zé Ramalho se conheceram em um evento no Rio de Janeiro, lá pela década de 70, no Parque Lage. O futuro autor de Avôhai acabara de gravar o psicodélico LP Paêbiru com o seu parceiro pernambucano Lula Côrtes. Dali em diante, eles construíram uma amizade sólida de encontros, praticamente, diários. Segundo Fagner:

“Ele vinha na minha casa e passávamos horas no violão. Nossos timbres casaram perfeitamente e os violões se harmonizaram entre o meu nylon e o aço das cordas dele. Um dia o Zé chegou meio constrangido e me falou de uma música que tinha sido recusada pelo Roberto Carlos. Pedi para que ele tocasse pra mim e em seguida falei ‘esquece o Roberto, essa é minha’. Tratava-se de Eternas Ondas e foi o meu grande sucesso daquele ano. Lembro de outro dia quando ele me ligou falando ‘não falei que não íamos mais nos afastar? Estou morando no seu prédio’”.

Até hoje Fagner e Zé Ramalho moram no mesmo prédio, no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, que também foi o último endereço de Cazuza.

Fagner e Zé Ramalho são de uma geração que mostrou ao país que era possível fazer música brasileira com influências que não eram somente as nossas, sobretudo por causa do Pop. Ambos ouviam muito Os Beatles e outras músicas progressivas. Talvez a afinidade entre eles venha de suas preferências e suas bases musicais, além de terem o mesmo sangue nordestino correndo em suas veias.

Viva esses dois grandes artistas filhos do Nordeste Brasileiro.

Viva Orós, no Ceará, e viva Brejo do Cruz, na Paraíba.

Por hoje ficamos por aqui e bom final de semana!

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Competências socioemocionais: a base para aprender Precisamos parar e refletir sobre uma questão fundamental da educação: não existe aprendizagem significativa sem equilíbrio entre competências cognitivas e socioemocionais. As competências cognitivas permitem acessar, compreender e reproduzir conhecimentos. Mas são as competências socioemocionais que ajudam o indivíduo a acessar, manusear e utilizar aquilo que aprende. O pesquisador Antonio Damásio demonstra, em seus estudos, que não podemos compreender o cérebro separado do corpo. Aprendemos aquilo que, de alguma maneira, faz sentido para nós. A emoção participa desse processo porque nosso organismo precisa reconhecer determinada informação como importante para direcionar atenção e recursos neurais a ela. Durante muito tempo, os papéis estavam mais definidos. A escola concentrava-se na formação cognitiva, enquanto a família oferecia uma base cotidiana de formação: tarefas domésticas, respeito aos mais velhos, cumprimento de horários, responsabilidades, limites e convivência. Hoje, essa divisão tornou-se mais complexa. Em muitas famílias, faltam papéis claros, regras consistentes, responsabilidades, rotina e convivência. E, quando essa base não existe, a escola acaba recebendo uma criança que precisa aprender conteúdos, mas que ainda não desenvolveu suficientemente as condições emocionais para aprender. O resultado aparece na dificuldade de esperar, ouvir, focar, negociar, lidar com o “não”, aceitar frustrações e persistir diante das dificuldades. Precisamos, portanto, tomar cuidado com uma educação baseada no excesso de proteção, mimos, facilidades e status. Quando os pais fazem tudo pelos filhos, evitam qualquer frustração e elogiam excessivamente beleza, inteligência, notas ou conquistas, podem, sem perceber, formar crianças mais dependentes da aprovação e menos dispostas a enfrentar desafios. O que devemos elogiar? O processo. Elogie o esforço, a dedicação, a disciplina, a determinação e a capacidade de tentar novamente. É aqui que encontramos a contribuição de Carol Dweck com a ideia do “ainda”: “Você ainda não conseguiu”; “Ainda não deu certo”; “Ainda não foi dessa vez”. Isso muda a relação da criança com o erro. O fracasso deixa de ser uma sentença e passa a ser parte do processo de aprendizagem. Precisamos também ensinar a criança a esperar, ceder, negociar, compartilhar, respeitar regras e lidar com a frustração. Essas experiências são treinamentos fundamentais de autorregulação emocional. Por isso, algumas frases precisam deixar de comandar nossas decisões: “Não quero que meu filho fique irritado comigo”; “Não quero que meu filho deixe de ser meu amigo”; “Não quero contrariá-lo”. O papel dos pais não é evitar todo desconforto. É oferecer pertencimento, segurança, clareza e direção. Se queremos crianças emocionalmente fortes e felizes, precisamos parar de educá-las para nunca sofrer e começar a educá-las para persistir, esperar, respeitar, negociar, assumir responsabilidades e continuar tentando. Afinal, o sucesso não é determinado apenas pela capacidade de acertar. Muitas vezes, ele é determinado pela capacidade de persistir quando ainda não deu certo.

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