FIM DO MUNDO – UMA IDEIA FAGNERIANA

13/09/2025

Kleyton Bandeira Cantor, compositor e pesquisador cultural

Kleyton Bandeira
Cantor, compositor e pesquisador cultural

Era março de 1976 quando o cantor cigano Raimundo Fagner já residia em outro endereço, o apartamento do casal Abel Silva e da fotógrafa Lena Trindade, na Lagoa, no Rio de Janeiro. Abel era um fanático pelo Fagner e com ele compôs grandes sucessos como “Asa Partida”, “Amor Escondido” e “Sangue e Pudins”.

“Para mim, tudo no Raimundo é original. E ficamos amicíssimos. Nas veias dele o sangue árabe se mistura ao nordestino, do brasileiro. Um gênio”.

Aos dois amigos se juntou o cearense, de Quixeramobim, Fausto Nilo. Fausto formou-se em Arquitetura e dava aula na Universidade de Brasília. Um ponto curioso é que Fausto Nilo sempre amou a música, mas apenas como ouvinte, como plateia. Jamais imaginou que poderia escrever uma canção. Ledo engano.

Quando morava em Brasília, Fausto virou letrista por pedido do Fagner e a primeira canção que compuseram juntos foi “Fim do Mundo”. A gravação original foi a cargo de Marília Medalha.

Fausto, tocado pelo sabor do sucesso, mudou-se para o Rio de Janeiro e passou a compartilhar a sua vida com o Fagner, que o levava a todos os lugares e o apresentava a todo mundo do meio musical. Graças ao amigo, Fausto pode mostrar o seu talento como letrista a grandes artistas e se tornar um doas maiores, quiçá o maior, compositor da música popular brasileira.

Fagner, sedento por ecoar a sua voz por todo o mundo e se tornar o grande artista que conhecemos hoje, trazia uma ideia em sua mente: tornar-se mais popular do que Roberto Carlos, o rei da jovem guarda.

Fausto, aquele tipo de sonhador, mas sempre com o pé no chão, divergia do cantor quando o assunto era popular demais o seu trabalho. Não concordava com essa ideia que ele chamava “ideia fagneriana”.

Fagner, mais confiante do que nunca, abria um sorriso agridoce e dizia: “se eu continuar escutando os seus conselhos, Fausto, não passo dos dez mil discos”.

Sem querer entrar no mérito da questão, creio que Fagner e Fausto Nilo compuseram uma das parcerias mais profícua da música popular brasileira. Clássicos como “Retrovisor”, que minha mãezinha Ires Bandeira tão ama, é fruto dessa parceria.

Agora me responda você: Fagner, hoje, é mais popular do que o Roberto Carlos?

Por hoje ficamos por aqui! Bom final de semana!

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