Prefeitura decide enfrentar a reorganização urbana

28/02/2026

Francinildo Lima é Advogado e Corretor de Imóveis

Há tempos estamos destacando aqui na coluna a necessidade de reorganização das vias urbanas da nossa cidade, em especial àquelas localizadas no centro comercial. A situação atual é de feira nas praças, bloqueio de calçadas, entre outras que fogem ao bom senso de qualquer ideia de vias urbanas em acordo com o código de postura do município.

Essa semana a prefeitura iniciou a sua atuação com o fim de reorganizar o centro urbano, fazendo isso pelo lado mais caótico que é o centro de feirantes. Antes inseridas no meio das ruas, as “barracas” ocupavam os estacionamentos e dificultavam o trânsito naquele local, o que remetia a uma verdadeira desordem urbana instalada. Assim, os feirantes foram transferidos para a parte interna do prédio existente, desobstruindo as ruas e criando novamente espaços devidamente identificados para estacionamentos.

Nessa semana o vice prefeito Sr. Francisco em fala aos meios de comunicação, destacou que a retirada dos feirantes é procedimento dentro da reorganização daquelas vias, com o cuidado de realocar os mesmos em espaço mais ideal e confortável, opinião que nos parece ter agradado àqueles que por lá laboram.

Na sua fala Francisco destacou que ao contrário do que ocorria anteriormente, os estacionamentos precisam ter rotatividades evitando assim prática muito comum de alguns comerciantes, que ocupavam os espaços durante o dia inteiro com seus veículos, o que inviabilizava o uso pelos clientes consumidores. Ele ainda destacou que a “rua coberta”, como é conhecido o trecho ao lado do mercado, será liberada para passagem de veículos, que era uma outra cobrança que sempre fizemos aqui nessa coluna, uma vez que aquele espaço era na melhor avaliação equiparada aos “tempos provincianos”.

É importante destacar que a gestão pública deverá tomar decisões em favor da legislação, coibindo abusos e no caso em tela fazendo cumprir o que o código de postura estipula. Aceitar como natural alguém colocar uma banca de venda em uma calçada, interrompendo a passagem de pedestre é uma atitude normal e aceitável, ultrapassa não apenas a lógica social, mas nos parece ser pequenez de pensamento político. Muito pior que isso é acreditar que desobstruir esses espaços seja uma forma de repressão/perseguição, sendo, portanto, necessário essa reorganização que possibilitará o sentimento de cuidado e zelo pelo bem público e seus munícipes.

É nosso entendimento, entretanto, que essas ações de desobstruções e realocação dos feirantes e demais trabalhadores que laboram nas vias urbanas, devem ser sempre acompanhadas do diálogo e entendimento de que é necessário providenciar estruturas, que possam recebê-los de preferência a possibilitar conforto, comodidade e sobretudo condições dignas de trabalho no novo espaço.

Bom fim de semana!!!

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Competências socioemocionais: a base para aprender Precisamos parar e refletir sobre uma questão fundamental da educação: não existe aprendizagem significativa sem equilíbrio entre competências cognitivas e socioemocionais. As competências cognitivas permitem acessar, compreender e reproduzir conhecimentos. Mas são as competências socioemocionais que ajudam o indivíduo a acessar, manusear e utilizar aquilo que aprende. O pesquisador Antonio Damásio demonstra, em seus estudos, que não podemos compreender o cérebro separado do corpo. Aprendemos aquilo que, de alguma maneira, faz sentido para nós. A emoção participa desse processo porque nosso organismo precisa reconhecer determinada informação como importante para direcionar atenção e recursos neurais a ela. Durante muito tempo, os papéis estavam mais definidos. A escola concentrava-se na formação cognitiva, enquanto a família oferecia uma base cotidiana de formação: tarefas domésticas, respeito aos mais velhos, cumprimento de horários, responsabilidades, limites e convivência. Hoje, essa divisão tornou-se mais complexa. Em muitas famílias, faltam papéis claros, regras consistentes, responsabilidades, rotina e convivência. E, quando essa base não existe, a escola acaba recebendo uma criança que precisa aprender conteúdos, mas que ainda não desenvolveu suficientemente as condições emocionais para aprender. O resultado aparece na dificuldade de esperar, ouvir, focar, negociar, lidar com o “não”, aceitar frustrações e persistir diante das dificuldades. Precisamos, portanto, tomar cuidado com uma educação baseada no excesso de proteção, mimos, facilidades e status. Quando os pais fazem tudo pelos filhos, evitam qualquer frustração e elogiam excessivamente beleza, inteligência, notas ou conquistas, podem, sem perceber, formar crianças mais dependentes da aprovação e menos dispostas a enfrentar desafios. O que devemos elogiar? O processo. Elogie o esforço, a dedicação, a disciplina, a determinação e a capacidade de tentar novamente. É aqui que encontramos a contribuição de Carol Dweck com a ideia do “ainda”: “Você ainda não conseguiu”; “Ainda não deu certo”; “Ainda não foi dessa vez”. Isso muda a relação da criança com o erro. O fracasso deixa de ser uma sentença e passa a ser parte do processo de aprendizagem. Precisamos também ensinar a criança a esperar, ceder, negociar, compartilhar, respeitar regras e lidar com a frustração. Essas experiências são treinamentos fundamentais de autorregulação emocional. Por isso, algumas frases precisam deixar de comandar nossas decisões: “Não quero que meu filho fique irritado comigo”; “Não quero que meu filho deixe de ser meu amigo”; “Não quero contrariá-lo”. O papel dos pais não é evitar todo desconforto. É oferecer pertencimento, segurança, clareza e direção. Se queremos crianças emocionalmente fortes e felizes, precisamos parar de educá-las para nunca sofrer e começar a educá-las para persistir, esperar, respeitar, negociar, assumir responsabilidades e continuar tentando. Afinal, o sucesso não é determinado apenas pela capacidade de acertar. Muitas vezes, ele é determinado pela capacidade de persistir quando ainda não deu certo.

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