A Prefeitura de Iguatu iniciou uma nova etapa do processo de reorganização e requalificação do Centro de Feirantes do município. Um ofício, datado da última quarta-feira, 14, foi fixado nos portões dos boxes e quiosques comunicando aos permissionários sobre a necessidade de regularização do funcionamento dos espaços comerciais.
O documento, assinado pelo secretário de Meio Ambiente, Jefferson Abrão Pereira, informa que foi constatada a ausência de funcionamento em alguns pontos comerciais sob titularidade dos permissionários. Diante disso, o município estabeleceu prazo de sete dias, a partir do recebimento da notificação, para que os comerciantes promovam a abertura e o regular funcionamento dos quiosques.
Segundo o ofício, o não cumprimento da determinação poderá resultar na reintegração automática do ponto comercial ao patrimônio do município para nova destinação, conforme previsto nas normas administrativas vigentes.
Ainda conforme o documento, a medida busca garantir o adequado funcionamento dos quiosques e preservar o interesse público na utilização eficiente dos espaços concedidos. O complexo do Centro de Feirantes conta atualmente com 14 alas e capacidade para abrigar 64 quiosques.

Intervenção
Em entrevista, o secretário afirmou que a ação faz parte de uma série de intervenções realizadas desde o início do ano para reorganizar o comércio popular e melhorar o fluxo urbano na região central de Iguatu.
De acordo com ele, os trabalhos começaram pela área da antiga “feirinha das bicicletas”, onde foi realizada limpeza, retirada de estruturas irregulares e reorganização do espaço. “Foi um trabalho construído com diálogo com as pessoas que trabalham no entorno. Na antiga feirinha das bicicletas existiam barracos e muito acúmulo de materiais. Foram retiradas oito caçambas de lixo do local, além da realização de terraplanagem para transformar o espaço em área de estacionamento, ampliando a zona comercial”, destacou Abraão.
O secretário também citou intervenções realizadas em frente ao Mercado Público, com reorganização das barracas e demarcação de faixa de pedestres. Já a terceira etapa contemplou a cobertura do Centro de Feirantes, implantação de estacionamento rotativo e nova demarcação dos espaços destinados aos comerciantes que antes trabalhavam expostos ao sol e à chuva.

Prazo já havia sido ampliado
Segundo Jefferson Abraão, os permissionários já haviam sido notificados anteriormente e tiveram um prazo inicial de 30 dias para regularização. “Desde a primeira notificação até agora já se passaram mais de seis meses. Dessa vez nós reduzimos o prazo e vamos chamar todos para conversar novamente. Já cobramos a reabertura dos espaços e aqueles que não retomarem as atividades terão os boxes reintegrados ao patrimônio do município para que possamos fazer a permissão para outras pessoas que desejam empreender”, afirmou.
O secretário ressaltou ainda que muitos espaços seguem fechados ou sendo utilizados apenas como depósitos. “Nós temos pessoas querendo empreender e precisando desses espaços. Muitos boxes estão fechados sem nenhuma atividade. A nossa ideia é desenvolver o comércio local, organizar todo aquele espaço e fazer com que ele seja um ambiente vivo, de trabalho, geração de renda e fortalecimento da economia para muitas famílias”, completou.

Liberação e resistência
Hoje muitos feirantes ainda concentram suas atividades na Rua Eduardo Lavor, atualmente com o fluxo parcialmente interrompido devido à presença de comerciantes de feijão, condimentos e ervas.
Segundo relatos de comerciantes que não quiseram se identificar, a resistência em ocupar os boxes do Centro de Feirantes está relacionada ao temor na queda nas vendas em razão da localização dos espaços, considerados por eles ainda pouco frequentados pelos clientes habituais. Alguns comerciantes afirmam que determinados boxes ficam mais “escondidos” e com menor visibilidade para o público, diferente da movimentação registrada na Rua Eduardo Lavor, onde o fluxo de consumidores é maior e mais consolidado.
A intenção do município, em uma próxima etapa da reorganização, é liberar o fluxo da via e reorganizar os vendedores para dentro da estrutura do Centro de Feirantes.
As intervenções fazem parte de um amplo projeto de requalificação urbana voltado para melhorar o fluxo da Avenida Agenor Araújo e de todo o entorno comercial da região central. O investimento integra um pacote de ações estimado em cerca de R$ 1,2 milhão, contemplando ainda reformas e requalificações em praças, áreas de lazer, Mercado dos Peixes, Mercado Central e na Galeria Gustavo Correia Lima.



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