SEU WIFI ESTÁ ESTRAGANDO MEU FEIJÃO

13/06/2026

Por esses dias, aconteceu-me algo interessante, algo como uma experiência mística real, enquanto eu estava catando feijão. rsrsrsrs

Sempre gostei muito da dita leguminosa, tanto para o consumo direto, o bom e conhecido caldinho de feijão, como também, acompanhado com arroz, cuscuz e outras diferentes guarnições. Por ser uma planta altamente adaptável a diversas condições climáticas e de solo, possibilita sua produção e seu consumo em várias regiões do Brasil, com diferentes acompanhamentos.

Em um dito dia, foi presenteado por minha mãe, dona Mazé, com uma garrafa de feijão comum ou carioquinha. Começou aqui minha experiência “astral”.

Antes de prosseguir com a história do feijão, trago como percepção paralela de que, não é de hoje que a tecnologia nos perpassa de diferentes formas através de meios como smartphones, computadores, notebooks, tablets e etc. É inegável que a praticidade e rapidez possibilitada por estes, tenham trazido muitas facilidades na execução de tarefas do cotidiano, o que torna principalmente os smartphones um aparelho bastante útil e portanto indispensável, em uma “sociedade da informação”, e que, junto as redes sociais, nos mantêm presos as telas, demandando um tempo valioso do nosso dia a dia.

Vale destacar que são muitos os estudos que apontam inúmeros problemas, a nossa saúde, causados devido ao uso excessivo dessas telas. A fantasia criada através das telas que exibem corpos perfeitos, pessoas bem sucedidas, viagens constantes, vidas impecáveis, causam a nós usuários, impactos diversos, em especial nos processos cognitivos como a atenção e memória e nos emocionais, como a ansiedade entre outros.

Pois bem, como um usuário intenso de redes sociais (em luta constante para diminuir esse hábito), hoje, consto como um dos muitos que enfrentem boa parte dos problemas já citados, contudo, deparei-me recentemente com uma sensação há muito tempo não vivida, me pôr focado, simplesmente, catando o feijão. Sei que é uma ação deveras simples, porém, quando me vi ali, sentado, concentrado em algo tão inócuo, percebi por alguns minutos que a minha mente, sempre lotada de pensamentos incessantes, acumulativos, enfim, desacelerou, quase que subitamente parasse.

Foi um regozijar intenso, seguido por sentimentos saudosistas muito bons de quando mais jovem eu era. Ação simples, deveras comum há anos atrás, quando íamos à casa de meus avós maternos. A alegria de todos em debulhar as ‘bagens’, sacos e mais sacos, bacias e bacias cheias, umas com as cascas já retiradas, outras com os feijões já descascados. Os mais velhos sempre instruíam os mais jovens de como fazer, sempre liderados pela minha avó querida, dona Alzira (in memoriam). Boas risadas, alguns espirros, muitas histórias, tudo era uma grande brincadeira, todos concentrados na tarefa.

Os minutos a passar e as lembranças iam cada vez mais aflorando, sobre um tempo mais lento, onde tudo era vivido com mais leveza, sem pressa, como era bom viver assim. As brincadeiras com os amigos, as férias no sítio, a alegria nas moendas da cana, os banhos de açude, bons tempos.

E a sensação que fica hoje é que cada vez mais momentos assim estão nos sendo tirados. Os papos antes nas calçadas, hoje por aplicativos, as brincadeiras correndo pelas ruas, hoje engessadas por telas, as viagens com a turma, hoje apenas fotos solitárias, as visitas a casas dos amigos, hoje apenas promessas de aplicativo não cumpridas.

Em um mundo de infinitas possibilidades, nos encontramos cotidianamente presos, com nossa atenção predicamente voltada a um aparelho que nos leva minuto a minuto para um mundo de fantasias, longe de sentimentos mais afáveis, tangíveis e duradouros.

É meus amigos, provavelmente se a debulhada do feijão fosse na era das redes sociais, seriam muitas fotos, muitos vídeos, e nada de feijão a cozer no almoço aos domingos.

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