Biblioteca Comunitária da Vila Neuma ganha reconhecimento estadual

O Espaço comunitário na periferia de Iguatu recebeu a certificação do SEBP-CE, abrindo portas para novos editais e fortalecimento de ações sociais na periferia

27/06/2026

A Biblioteca Comunitária Francisco Ítalo Nunes, na Vila Neuma, em Iguatu, recebeu oficialmente a “Carta de Reconhecimento de Biblioteca Comunitária em Atuação no Ceará”. A certificação foi concedida pelo Sistema Estadual de Bibliotecas Públicas do Ceará (SEBP-CE). O título chancela o trabalho do espaço e amplia as oportunidades de captação de recursos via editais culturais e políticas públicas.

Fundada em 2005 pelo líder comunitário Antônio Pereira (Antônio Baixinho), o projeto transformou a realidade local. O prédio, que no passado funcionava como um posto policial, foi transformado em um polo de literatura, educação popular e cultura. Além de Baixinho, a gestão do equipamento é conduzida por uma equipe de mulheres composta por Marciana Lopes, Marciana Reis e Iraraína Silva. “Podemos chegar mais longe ainda. Temos uma equipe que me fortalece. A leitura é a liberdade. Aqui era um posto policial, nós abrimos para a leitura, que significa voar, conhecer. Conhecimento é importante. Quando você conhece, você se liberta. Por isso que tem gente que não quer que as pessoas conheçam a leitura, pois a leitura proporciona a liberdade,” declarou Antônio Baixinho.

Visão de futuro

A conquista da Carta de Reconhecimento vai além do mérito institucional. Na prática, o documento funciona como um passaporte para a sustentabilidade financeira do projeto, permitindo que a biblioteca concorra a verbas governamentais e parcerias de fomento à cultura de forma mais competitiva. “É muito satisfatório, não é só a gente está crescendo, mas é o reconhecimento de um trabalho que foi começado bem pequeno, só pelo Antônio, que teve essa visão de futuro. Fazemos parte das 181 bibliotecas cadastradas no Ceará. Michel Prudêncio nos levou a conhecer essas muitas possibilidades de evolução para mostrar nosso trabalho, que já existia”, pontuou Marciana Lopes, diretora da biblioteca comunitária.

O espaço já acumulava a chancela de Ponto de Cultura, consolidando-se como uma das principais ferramentas de transformação social da região. Com o novo reconhecimento, o coletivo planeja expandir as atividades pedagógicas e o acervo, garantindo o livre acesso aos livros e à arte para os moradores da periferia de Iguatu.

Iraraína Silva começou a frequentar o local ainda na adolescência, aos 13 anos. Atualmente é auxiliar do projeto ajudando nas ações e atividades do espaço. “Eu fico muito feliz porque essa biblioteca acolhe a gente. É um espaço muito bom. Tem paz, tem crianças. Eu me sinto em casa”, disse.

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