O espaço cultural do Projeto Arte Criança – PAC recebe hoje, sábado, 8, a partir das 19h30, o monólogo “A Cabeça Mais Sozinha do Mundo”. A peça traz uma distopia poética sobre crise ambiental, memória e o que nos torna humanos quando tudo desmorona. E se, após o fim do mundo, restassem apenas mentes isoladas para contar a nossa história? Uma experiência cênica forte e provocadora que você não pode perder.
A entrada é gratuita, porém as vagas são limitadas. A classificação indicativa é livre e o evento conta com recursos de acessibilidade em audiodescrição e Libras. A performance é de Diva D’Brito, com direção de Chico Fernandes. O projeto é apoiado pelo Ministério da Cultura e pela Secretaria da Cultura do Estado do Ceará (Secult-CE), com recursos provenientes da Lei Federal N.º 14.399, de julho de 2022 (Lei Paulo Gustavo).
Espetáculo
“A Cabeça Mais Sozinha do Mundo” é um solo que mergulha em uma distopia onde o corpo deixou de existir e a memória se torna o último vestígio da humanidade. Sobreviventes de um colapso ambiental e existencial, restam apenas cabeças pensantes que narram suas histórias em uma performance que sobrepõe passado, presente e futuro, produzindo uma temporalidade instável. “Eu sou uma cabeça que narra os acontecimentos do início e do fim. Eu sou a cabeça podre…”, projeta a obra. Nesse cenário de ruína e resistência, a voz emerge como território de manifestação. A performer encarna uma consciência em suspensão, atravessada por narrativas que oscilam entre o testemunho, o delírio e o arquivo.
Ao deslocar o corpo do centro do palco, o trabalho tenciona a noção de presença e propõe uma estética da ausência. A “cabeça” torna-se o símbolo de uma humanidade reduzida à linguagem, à memória e à culpa, transformando o pensamento em matéria cênica. O projeto surge da urgência de refletir sobre os efeitos da crise climática, da hiperconectividade e do distanciamento sensível gerado pela aceleração tecnológica.
A escolha por uma encenação minimalista, centrada na performatividade vocal e imagética, responde à necessidade de criar uma linguagem acessível e adaptável, que potencializa a relação direta com o espectador. A fragmentação narrativa e o uso coordenado de projeção, luz e sonoridade constroem uma experiência imersiva integrada às práticas contemporâneas das artes da cena. Além disso, o trabalho investiga a recepção e a transestética, analisando como o público se posiciona diante de obras que operam no limite entre o real e o ficcional, o humano e o pós-humano.

Diva D’Brito
Diva D’Brito (atriz, cantora, professora e dramaturga) travesti, licenciada em teatro pela Universidade Regional do Cariri (URCA) em 2019 e regente em música, possui ampla experiência na área das artes cênicas. É integrante do Teatro do Irrupto e da Coletiva Translúgica. Foi bolsista no Programa Institucional de Bolsa de Iniciação à Docência (PIBID, 2014-2016) e na pesquisa de Iniciação Científica “O Estudo do Cômico Cearense” (2016-2018). Desde 2021, colabora com a Associação Dança Cariri, no município de Juazeiro do Norte. Atualmente, desenvolve a pesquisa “De Uma Diva Para Uma Divina” pelo Laboratório de Criação do Porto Iracema das Artes, sob tutoria da icônica atriz e cantora travesti Divina Valéria e colaboração da atriz e cantora Verônica Valenttino. Na noite caririense, comandou por anos o show-performativo “Bebam Com Uma Diva” em bares e casas de eventos.
Teatro do Irrupto
O Teatro do Irrupto nasceu do desejo individual e volátil de compreender a si mesmo. Fundado em 2018 na cidade do Crato, interior do Ceará, o grupo consolidou nos últimos dois anos um forte propósito coletivo dentro das multilinguagens artísticas. Formado por corpos LGBTQIAPN+ que recusam as margens, o coletivo busca resgatar gestos esquecidos pela cena tradicional, romper com o ordinário e semear performances políticas. O grupo transita pelo teatro contemporâneo, videoperformance, ecoperformance e intervenções urbanas, unindo carne e pixel, ancestralidade e tecnologia. O nome carrega o peso do verbo: “Irrupto” é o instante em que o inesperado invade o tempo e explode os porões do visível sem pedir licença.
Ficha técnica
“A Cabeça Mais Sozinha do Mundo”
Direção e dramaturgia: Chico Fernandes
Atriz/performer: Diva D’Brito
Idealização: Kleber Benício
Figurino: Kleber Benício e Chico Fernandes
Cenografia: Kleber Benício, Chico Fernandes e Leticia Avante
Iluminação: Chico Fernandes e Luano Bruno
Vídeo: Kleber Benício
Trilha sonora: Pétala
Voz: Larissy Rodrigues
Audiodescrição: Joelma Silfer
Assessoria de comunicação: Malu Kerst
Identidade visual: Luano Bruno
Realização: Teatro do Irrupto



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