Projeto Arte Criança amplia formação musical em Iguatu e é certificado pelo Ministério da Cultura

Iniciativa descentraliza o acesso à arte com oficinas de sanfona e percussão e conquista o selo nacional de Escola Livre de Formação em Arte e Cultura no mês de seu aniversário de 34 anos

07/11/2026

O som do pandeiro, do zabumba, do triângulo e da sanfona passou a ditar o ritmo do aprendizado na Escola Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, no Prado. Por meio do programa Escolas Livres da Cultura, o Projeto Arte Criança (PAC) está expandindo suas ações de formação artística em Iguatu. A iniciativa, viabilizada pelo Projeto Ciranda das Artes, busca democratizar o acesso aos bens culturais e valorizar a tradição musical nordestina diretamente dentro das comunidades periféricas.

Nas oficinas de percussão, crianças e adolescentes iniciam o contato com instrumentos mais leves, como a pandeirola, progredindo para a zabumba, o ganzá e o triângulo. O aprendizado prático estimula atributos que vão além da técnica, como a percepção sonora, a coordenação motora e o senso de trabalho coletivo. Paralelamente, as aulas de acordeon promovem a iniciação musical com um dos maiores símbolos da identidade cultural da região.

Para Caiane Oliveira, presidente do Projeto Arte Criança, a ocupação dos espaços escolares cumpre o papel de assegurar direitos fundamentais. “Levar a formação artística para dentro das comunidades e das escolas é uma maneira concreta de garantir que crianças e adolescentes tenham acesso à cultura como um direito. O PAC trabalha para que essas oportunidades cheguem também aos territórios que historicamente enfrentam maiores dificuldades de acesso”, afirma.

Chancela nacional do MinC

A consolidação desse trabalho ganhou uma projeção ainda maior nesta sexta-feira, 6. O Ministério da Cultura (MinC), por meio da Secretaria de Formação Artística e Cultural, Livro e Leitura (SEFLI), divulgou o resultado final da Chamada Pública que certificou oficialmente o Projeto Arte Criança como Escola Livre de Formação em Arte e Cultura.

A instituição participava do rigoroso processo seletivo desde maio deste ano. A confirmação da aprovação foi recebida com entusiasmo pela diretoria do PAC através de um comunicado oficial de congratulações emitido pelo governo federal, que destacou o papel crucial da ONG no fortalecimento das políticas públicas de formação artística e cidadã no Brasil. A certificação funciona como um selo de excelência, ampliando a visibilidade da instituição no cenário nacional e validando suas metodologias pedagógicas.

Cultura como direito, não privilégio

A escolha da Escola Nossa Senhora do Perpétuo Socorro para sediar as oficinas de música reforça justamente essa estratégia de descentralização e capilaridade que garantiu o prêmio nacional. A unidade atende a uma comunidade inserida em uma realidade geográfica e social que torna a presença da arte ainda mais urgente. Lúcia Morais, coordenadora do projeto, ressalta que a ação combate barreiras invisíveis na cidade. “Nosso propósito é compreender a cultura como um direito de todos, e não como um privilégio de quem vive próximo aos equipamentos culturais ou possui condições de acessar determinadas atividades. As oficinas representam pertencimento e a descoberta de novos caminhos por meio da arte”, explica.

O suporte pedagógico tem se mostrado o pilar de sustentação desse progresso. De acordo com os organizadores, houve um avanço expressivo na assiduidade, no interesse e no comportamento dos alunos. Chalena Pereira, coordenadora pedagógica do PAC, enfatiza que o foco está no desenvolvimento integral. “Aprender um instrumento envolve desenvolver habilidades musicais, mas também trabalhar a escuta, a atenção, a disciplina e a criatividade. Cada aluno possui seu ritmo de aprendizagem, e nosso papel é acompanhar esse processo respeitando as individualidades”, pontua.

34 anos de resistência institucional e celebração

Para além das salas de aula e do reconhecimento em Brasília, o Projeto Arte Criança vive um momento de consolidação de sua trajetória política e institucional. No último ano, a entidade mobilizou a sociedade civil e os setores públicos para assegurar a permanência em sua sede histórica, ameaçada de desocupação. A articulação garantiu a preservação do imóvel, considerado um patrimônio da memória e da formação artística regional.

Com a estabilidade conquistada e o reconhecimento de sua importância comunitária, o PAC ampliou a captação de recursos via editais municipais e estaduais. Atualmente, a sede passa por reformas estruturais e adota uma nova identidade: Centro de Artes e Memória Cultural Projeto Arte Criança.

Neste mês de novembro, ao completar exatamente 34 anos de atuação ininterrupta no Centro-Sul cearense, a instituição celebra o marco com os olhos voltados para o futuro. Como parte das comemorações de aniversário e da nova certificação do MinC, os organizadores preparam a realização da II Mostra Cultural Vivências em Artes, um evento gratuito e aberto ao público que promete reunir as diferentes linguagens, ritmos e expressões lapidados ao longo de mais de três décadas de história em Iguatu.

 

 

 

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