A carência é a mãe do indivíduo medíocre

23/08/2025

Eu não vivo nesse mundo bonito que é as redes sociais. Podem me chamar de careta, mas eu continuo achando que vocês são superficiais. Não me aprofundo nesse mar bonito que vocês chamam de redes sociais. A concepção de rede social pra mim seria um lugar aonde cada pessoa deveriam ser aquilo que é em sua vida real. Mas é tudo fantasia, ilusão de felicidade, um paraíso de máscaras. Podem me chamar de careta, isso não mudará a minha opinião sobre vocês; superficiais. – Guga Nascimento

Certa feita, estávamos em uma roda de conversa entre amigos quando uma das pessoas à mesa sacou seu celular para fazer a tal selfie. De pronto, disse que não aceitaria essa exposição banal e gratuita, sem razão alguma. Claro que, com a minha recusa, o clima ficou um tanto sem graça, mas, dane-se, não participo, em hipótese alguma, dessa espécie de ‘‘freak show’’ contemporâneo, onde a aberração, aqui, se dá pela deformidade do caráter dessa gente.

As pessoas, em geral, não sabem mais apreciar essencialmente, por exemplo, um show, um momento agradável entre amigos sem que isso não seja exposto, escancarado nas redes sociais. A carência por holofotes, por ‘’aparecer’’ é maior do que apreciar o momento. É uma vida pautada pela carência afetiva, pelo clamor por aceitação, pela ânsia de pertencimento brindada pelo igualmente medíocre narcisismo.

São tempos inúteis. Difícil coisa é achar alguém pelo qual valha a pena dialogar sobre algo substancial. Os assuntos encontrados atualmente são de uma superficialidade que beira à imbecilidade completa. As pessoas ‘‘negaram o real para criar o ideal’’ (doente ideal, diga-se), como diria o filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900).

Quando a vida de um indivíduo não é alicerçada na salutar e libertadora leitura, o que sobra é o esgoto da trivialidade – vide o que e quem elas acompanham (seguem) e rapidamente constatarás. São escravos da carência dos likes, da banalidade dos ‘‘artistas’’ que acompanham, do entretenimento vazio de conteúdo etc.

São, em suma, escravos da tela. Trocaram a vida real pela virtual. Distorceram os bons momentos físicos do mundo em bitolação doutrinária. Um mundo doentio, onde todos sabem de tudo, mesmo não sabendo de nada. A aparência é o que importa, não a essência ou o que se sabe verdadeiramente. Verdade? A busca pela verdade nunca foi tão malquista.

Não sei aonde essa trupe anômala vai, mas, para onde quer que estejam indo, estarei indo no sentido contrário, só, e sem todos e/ou vídeos. Aos carentes, aos não autênticos, deixo apenas a minha indiferença.

Cauby Fernandes é contista, cronista, desenhista e acadêmico de História

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