A crise no comércio de Iguatu: um desafio a ser enfrentado urgente

14/02/2026

 

 

Essa semana recebi a visita de três comerciantes aqui de nossa cidade que me indagaram sobre a ideia de se criar um cinturão comercial, fechando as ruas centrais para trânsito de veículos nos dias de sexta e sábado, conforme ideia já trazida aqui por esse colunista em tempos atrás, que propõe criar uma zona de passeio comercial possibilitando comodidade e tranquilidade aos consumidores para visitas às lojas.

Aos mesmos disse que infelizmente nos parece que o nosso comércio está à deriva e sem rumo, como um navio sem capitão que navega à sorte e sem controle em águas e ventos fortes.

De um lado nos parece existir a falta de vontade de inovar das gestões, combatendo a prática de utilização das vias urbanas pelos informais, prática que vem inviabilizando o uso das calçadas pelos pedestres, além de concorrerem com comerciantes que pagam aluguéis, alvarás e demais tributos, sendo necessário a criação de espaços para esses trabalhadores como já ocorrem em outras cidades, evitando assim o caos ora instalado no Iguatu.

Do outro lado a inércia de quem representa ou deveria representar os comerciantes, cobrando do ente público medidas enérgicas de combate à situação atual, além de criar parcerias que possam envolver os consumidores e comerciantes, visando fortalecer o comércio local.

Campanhas de sorteio como ocorre nos finais de ano já se constatou que além de não serem suficientes, apresentam-se como uma medida arcaica de tempos remotos, uma vez que nem os próprios comerciantes acreditam na referida ação, dado a pouca adesão daqueles nas referidas campanhas.

Desta forma, a exemplo daqueles que nos visitaram há poucos dias, é preciso acreditar em ações mais estratégicas, enérgicas e até administrativas que possam oxigenar o comércio local, trazendo de volta os consumidores que estão optando pelo conforto e comodidade das compras em lojas virtuais.

A alta temperatura de nossa cidade, aliada a desorganização existente no comércio onde os consumidores disputam seus espaços com carros, visto que não se tem como utilizar as calçadas destinadas exclusivamente para eles, são fatores que estão afastando os clientes das compras e assim impactando no desenvolvimento comercial, o que na prática vem impactando no mercado imobiliário, uma vez que com o comércio em crise a dificuldade de pagamento de aluguéis é nítida para os comerciantes.

Por fim, ou as entidades representativas cobram da gestão ações para facilitar a comodidade e mobilidade das pessoas nas vias públicas do comércio central criam mecanismos de incentivo aos consumidores a frequentarem e comprarem no comércio local, ou continuaremos mergulhando no abismo econômico de forma vergonhosa como tem ocorrido nos últimos anos, ao contrário de outras cidades do estado que galopam no desenvolvimento comercial a cada ano.

Bom fim de semana e excelente Carnaval!

Francinildo Lima é Advogado e Corretor de Imóveis

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Competências socioemocionais: a base para aprender Precisamos parar e refletir sobre uma questão fundamental da educação: não existe aprendizagem significativa sem equilíbrio entre competências cognitivas e socioemocionais. As competências cognitivas permitem acessar, compreender e reproduzir conhecimentos. Mas são as competências socioemocionais que ajudam o indivíduo a acessar, manusear e utilizar aquilo que aprende. O pesquisador Antonio Damásio demonstra, em seus estudos, que não podemos compreender o cérebro separado do corpo. Aprendemos aquilo que, de alguma maneira, faz sentido para nós. A emoção participa desse processo porque nosso organismo precisa reconhecer determinada informação como importante para direcionar atenção e recursos neurais a ela. Durante muito tempo, os papéis estavam mais definidos. A escola concentrava-se na formação cognitiva, enquanto a família oferecia uma base cotidiana de formação: tarefas domésticas, respeito aos mais velhos, cumprimento de horários, responsabilidades, limites e convivência. Hoje, essa divisão tornou-se mais complexa. Em muitas famílias, faltam papéis claros, regras consistentes, responsabilidades, rotina e convivência. E, quando essa base não existe, a escola acaba recebendo uma criança que precisa aprender conteúdos, mas que ainda não desenvolveu suficientemente as condições emocionais para aprender. O resultado aparece na dificuldade de esperar, ouvir, focar, negociar, lidar com o “não”, aceitar frustrações e persistir diante das dificuldades. Precisamos, portanto, tomar cuidado com uma educação baseada no excesso de proteção, mimos, facilidades e status. Quando os pais fazem tudo pelos filhos, evitam qualquer frustração e elogiam excessivamente beleza, inteligência, notas ou conquistas, podem, sem perceber, formar crianças mais dependentes da aprovação e menos dispostas a enfrentar desafios. O que devemos elogiar? O processo. Elogie o esforço, a dedicação, a disciplina, a determinação e a capacidade de tentar novamente. É aqui que encontramos a contribuição de Carol Dweck com a ideia do “ainda”: “Você ainda não conseguiu”; “Ainda não deu certo”; “Ainda não foi dessa vez”. Isso muda a relação da criança com o erro. O fracasso deixa de ser uma sentença e passa a ser parte do processo de aprendizagem. Precisamos também ensinar a criança a esperar, ceder, negociar, compartilhar, respeitar regras e lidar com a frustração. Essas experiências são treinamentos fundamentais de autorregulação emocional. Por isso, algumas frases precisam deixar de comandar nossas decisões: “Não quero que meu filho fique irritado comigo”; “Não quero que meu filho deixe de ser meu amigo”; “Não quero contrariá-lo”. O papel dos pais não é evitar todo desconforto. É oferecer pertencimento, segurança, clareza e direção. Se queremos crianças emocionalmente fortes e felizes, precisamos parar de educá-las para nunca sofrer e começar a educá-las para persistir, esperar, respeitar, negociar, assumir responsabilidades e continuar tentando. Afinal, o sucesso não é determinado apenas pela capacidade de acertar. Muitas vezes, ele é determinado pela capacidade de persistir quando ainda não deu certo.

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