A influência da cultura da perfeição estética no adoecimento psíquico dos jovens na Era Digital

17/10/2026

 

 

Pedro Arthur Leite de Araújo*

 

Segundo Oscar Wilde, escritor, poeta e dramaturgo irlandês: “No culto da beleza não há nada de são. Este culto é esplêndido demais para ser são.” Análogo a isso, observa-se que a juventude brasileira é bombardeada pelas redes sociais com metas e padrões inalcançáveis de perfeição. Como resultado os jovens desenvolvem uma relação de insatisfação com a própria imagem, o que gera um grande aumento nos casos de depressão, ansiedade e transtornos alimentares. Desse modo, torna-se essencial analisar a omissão das plataformas digitais e a negligência educacional no suporte psicológico como agentes impulsionadores desse revés.

Nesse viés, a falta de assistência das mídias digitais contribui para o aumento desses problemas. Nesse contexto, o pensamento do sociólogo Zygmunt Bauman acerca da sociedade do consumo mostra-se pertinente, uma vez que a valorização excessiva da aparência transforma o corpo em objeto de constante avaliação e aperfeiçoamento. Diante dessa perspectiva, as mídias, ao promoverem a ampla circulação de conteúdos que exaltam padrões estéticos restritos contribuem para a naturalização de um modelo de beleza frequentemente inatingível. Entretanto, essas plataformas não se mostram atentas aos impactos dessa dinâmica, não adotando medidas suficientemente eficazes.

Ademais, a negligência educacional contribui para a insatisfação dos impactos dos padrões de beleza sobre a saúde mental da população. Nesse sentido, o educador Paulo Freire defendia uma educação capaz de formar indivíduos críticos e conscientes acerca da realidade em que estão inseridos.  Como consequência, a dificuldade em questionar essas imposições sociais pode intensificar a comparação corporal e a insatisfação com a própria aparência, favorecendo o surgimento de problemas psicológicos.

Portanto, é necessário combater os impactos dos padrões estéticos a respeito do bem-estar psicológico dos indivíduos. Para isso, o Ministério da Educação, órgão público responsável pela educação em parceria com as instituições de ensino deve promover projetos de conscientização sobre diversidade corporal e a saúde emocional do jovem brasileiro por meio de palestras, debates, atividades psicológicas a fim de desenvolver o senso crítico dos estudantes diante das imposições estéticas.

 

* Pedro Arthur Leite de Araújo, filho de Acione Leite de Amorim e Pedro José Leite de Araújo, natural de Iguatu, estuda na escola Modelo desde os 12 anos, hoje cursa a 1ª série do Ensino Médio. Gosta de sair com os amigos, conversar, jogar futebol, adora esporte.

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