A Modernidade Líquida: um desafio à nossa existência

31/01/2026

A Modernidade líquida, um conceito cunhado por Zygmunt Bauman, descreve a condição atual da sociedade, caracterizada pela fluidez, incerteza e constante mudança. Nesse contexto, tudo é passageiro, efêmero e descartável, incluindo as relações humanas, os valores e as identidades. A modernidade líquida é marcada pela velocidade e instantaneidade. A tecnologia, em particular, tem desempenhado um papel fundamental nessa transformação, permitindo que as informações sejam compartilhadas em tempo real e que as informações sejam compartilhadas em tempo real e que as conexões sejam feitas e desfeitas comum mero clique. No entanto, essa rapidez e conectividade exacerbada também têm um preço: a superficialidade e a falta de profundidade nas relações.

Nesse cenário, as pessoas se sentem pressionadas a se adaptarem, se reinventarem e a se manterem relevantes. A identidade, que antes era algo fixo e estável, agora é fluida e mutável. As Pessoas se sentem livres para criar e recriar sua própria identidade, mas também há o sentimento de que estão perdidas e sem rumo. A modernidade líquida tem impacto na forma como nos relacionamos com os outros. As redes sociais, por exemplo, permitem que nos conectemos com pessoas de todo o mundo, porém podem criar uma sensação de isolamento e solidão. As relações se tornam mais virtuais do que presenciais, e a comunicação se reduz a mensagens de textos e emojis o afeto a troca de olhares vai sendo substituída por algo frio e sem emoção.

No entanto, é importante lembrar que a liquidez contemporânea oferece oportunidades. Ela nos permite ser mais flexíveis, criativos e mais abertos às mudanças, nos desafia questionar valores e normas estabelecidas e a criar nossa própria trajetória para tanto é fundamental desenvolver habilidades como resiliência, adaptabilidade, assim como criatividade. É extremamente importante aprender a viver no presente situações momentâneas e a se conectar com os outros de forma autêntica.

Em última análise, a modernidade líquida é um desafio à nossa existência. Ela nos obriga a repensar nossa verdadeira e real identidade, bem como nossas relações e nossos valores, nos desafia a sermos mais autênticos, criativos e mais conectados com os seres, desse modo, quando sabemos aproveitar as oportunidades e enfrentar os desafios podemos criar um futuro mais fluido, mais incerto, mas também emocionante.

 

Professora Me. Elma Melo.

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Competências socioemocionais: a base para aprender Precisamos parar e refletir sobre uma questão fundamental da educação: não existe aprendizagem significativa sem equilíbrio entre competências cognitivas e socioemocionais. As competências cognitivas permitem acessar, compreender e reproduzir conhecimentos. Mas são as competências socioemocionais que ajudam o indivíduo a acessar, manusear e utilizar aquilo que aprende. O pesquisador Antonio Damásio demonstra, em seus estudos, que não podemos compreender o cérebro separado do corpo. Aprendemos aquilo que, de alguma maneira, faz sentido para nós. A emoção participa desse processo porque nosso organismo precisa reconhecer determinada informação como importante para direcionar atenção e recursos neurais a ela. Durante muito tempo, os papéis estavam mais definidos. A escola concentrava-se na formação cognitiva, enquanto a família oferecia uma base cotidiana de formação: tarefas domésticas, respeito aos mais velhos, cumprimento de horários, responsabilidades, limites e convivência. Hoje, essa divisão tornou-se mais complexa. Em muitas famílias, faltam papéis claros, regras consistentes, responsabilidades, rotina e convivência. E, quando essa base não existe, a escola acaba recebendo uma criança que precisa aprender conteúdos, mas que ainda não desenvolveu suficientemente as condições emocionais para aprender. O resultado aparece na dificuldade de esperar, ouvir, focar, negociar, lidar com o “não”, aceitar frustrações e persistir diante das dificuldades. Precisamos, portanto, tomar cuidado com uma educação baseada no excesso de proteção, mimos, facilidades e status. Quando os pais fazem tudo pelos filhos, evitam qualquer frustração e elogiam excessivamente beleza, inteligência, notas ou conquistas, podem, sem perceber, formar crianças mais dependentes da aprovação e menos dispostas a enfrentar desafios. O que devemos elogiar? O processo. Elogie o esforço, a dedicação, a disciplina, a determinação e a capacidade de tentar novamente. É aqui que encontramos a contribuição de Carol Dweck com a ideia do “ainda”: “Você ainda não conseguiu”; “Ainda não deu certo”; “Ainda não foi dessa vez”. Isso muda a relação da criança com o erro. O fracasso deixa de ser uma sentença e passa a ser parte do processo de aprendizagem. Precisamos também ensinar a criança a esperar, ceder, negociar, compartilhar, respeitar regras e lidar com a frustração. Essas experiências são treinamentos fundamentais de autorregulação emocional. Por isso, algumas frases precisam deixar de comandar nossas decisões: “Não quero que meu filho fique irritado comigo”; “Não quero que meu filho deixe de ser meu amigo”; “Não quero contrariá-lo”. O papel dos pais não é evitar todo desconforto. É oferecer pertencimento, segurança, clareza e direção. Se queremos crianças emocionalmente fortes e felizes, precisamos parar de educá-las para nunca sofrer e começar a educá-las para persistir, esperar, respeitar, negociar, assumir responsabilidades e continuar tentando. Afinal, o sucesso não é determinado apenas pela capacidade de acertar. Muitas vezes, ele é determinado pela capacidade de persistir quando ainda não deu certo.

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