Mellyssa Cavalcante Leandro*
A produção brasileira “Central do Brasil” retrata a realidade de pessoas analfabetas e semialfabetizadas no país, evidenciando a limitação do acesso à direitos básicos, serviços públicos e ao exercício da cidadania. Para além do âmbito cinematográfico, o analfabetismo funcional é um grave problema social em função da falta de alternativas para mitigá-lo. Dentre os agravantes do imbróglio emergem a precarização do ensino e as históricas desigualdades sociais.
A princípio, embora o acesso ao ensino tenha se tornado mais fácil, a permanência do estudante em sala de aula não garante que seja capaz de interpretar textos e cálculos. Segundo dados do INAF (Indicador de Alfabetismo Funcional) mais de 30% dos brasileiros são analfabetos funcionais, ou seja, sabem ler, mas não compreendem. Tal cenário decorre do sistema pedagógico que muitas vezes prioriza a aprovação quantitativa em detrimento do aprendizado qualitativo, formando indivíduos capazes de decodificar letras, mas inaptos a exercer o pensamento crítico.
Ademais, a marginalização social, econômica e cultural dificulta o alcance ao ensino de qualidade. Tal situação decorre de que pessoas de baixa renda não possuem amplo acesso a materiais básicos como livros e internet, os quais são fundamentais para o desenvolvimento da leitura crítica. Além disso, inúmeros jovens começam trabalhos para contribuir na renda de casa, não tendo tempo para os estudos, o que perpetua a falta de letramento.
Diante do exposto, são necessárias medidas para reverter o atual cenário. Portanto, cabe ao Ministério da Educação, em parceria com as escolas desenvolver programas de reforço à leitura e interpretação de textos por meio de oficinas semanais e distribuição de livros, visando o aprendizado e redução dos índices do semianalfabetetismo. Além disso, é de extrema importância a capacitação de professores para a utilização de metodologias ativas. Desse modo, será possível alcançar uma mudança positiva na realidade social do país.
* Mellyssa Cavalcante Leandro nasceu em 31 de dezembro de 2010, reside na cidade de Cedro-CE. Filha de Adriana Cavalcante Leandro e Paulo Moreira Leandro Cavalcante, pais incríveis que sempre a incentivaram em seus estudos. Estudante da Escola Modelo de Iguatu desde 2022, cursa a 1ª série do Ensino Médio

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