Mais do que ensinar técnicas, a proposta do projeto desenvolvido pelo artesão Gil Barbosa, (Damião Barbosa de Oliveira), foi colocar as crianças em contato direto com o ambiente de criação de um artesão. Além da parte teórica, no do próprio ateliê, no Bairro Santo Antônio, elas puderam observar peças, materiais e processos, experimentar possibilidades e compreender como elementos aparentemente simples podem ganhar novas formas através da criatividade e do trabalho manual.
As oficinas foram conduzidas pelo próprio artesão. Durante os encontros aos domingos, foram trabalhadas técnicas de pintura, desenho, corte, colagem e produção artesanal. Entre as principais experiências a construção do “capacete romano”, adereço relacionado à encenação da Paixão de Cristo, manifestação da qual Gil participa, estabelecendo também diálogos com referências do Reisado do Cariri cearense.
O projeto atendeu crianças do Bairro Santo Antônio, em sua maioria no Transtorno do Espectro Autista, contando com monitoras da inclusão e cuidados específicos para garantir experiência acolhedora. Além dos uniformes e materiais utilizados nas oficinas, foi oferecida alimentação, inclusive com adequações para participantes com seletividade alimentar.
Ao final da formação, cada criança pôde levar para casa o capacete produzido durante as oficinas e recebeu materiais para continuar desenhando e criando depois do projeto. O ateliê também preparou uma lembrança especial: um pequeno cavalete de pintura com fotografia dos integrantes do projeto.

Ensinar e aprender
Experiência que continuou dentro de casa, como destaca Leila Nunes, mãe de dois participantes. Ela contou que seus filhos são crianças com TEA e possuem seletividade alimentar. “A experiência dos domingos ultrapassou as paredes do ateliê. Esses domingos foram maravilhosos. Percebi a criatividade deles mais aguçada, estavam mais felizes, cantarolando dentro de casa e comentando bastante sobre as vivências depois de cada oficina”, relatou, afirmando que sentiu que o fazer da atividade cultural não apenas um momento pontual da oficina, mas uma experiência capaz de permanecer na memória das crianças e repercutir no cotidiano familiar.
E justamente isso que pensou, projetou e realizou Gil Barbosa. De acordo com ele, a experiência representou a oportunidade de compartilhar conhecimentos adquiridos durante sua trajetória e, ao mesmo tempo, aprender com as crianças. “Foi uma experiência enriquecedora, onde pude repassar conhecimentos, aprender com a criançada e colaborar com a educação desses pequeninos, levando um tipo de conhecimento diferente, afastando um pouco das telas e ajudando a descobrir novos talentos. Eles puderam perceber que a arte serve para muitas coisas e que agora também são capazes de fazer”.
O artesão ressaltou ainda o potencial das atividades manuais para estimular criatividade, coordenação, concentração e diferentes formas de expressão das crianças.
O projeto “Artesanato Criativo no Ateliê de Gil Barbosa”, realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc, encerrou as atividades após proporcionar a dez crianças da comunidade uma experiência de formação em artesanato, convivência e aproximação com saberes construídos pelo artista ao longo de sua trajetória cultural.

Política de Cultura
Para Michel Prudêncio, produtor executivo do projeto, a realização demonstra concretamente como o financiamento público da cultura pode alcançar comunidades, artistas e famílias. “É um momento ímpar na vida dessas famílias atendidas por um projeto como esse. É o verdadeiro efeito da política de cultura: promover inclusão, proporcionar o encontro de detentores de saberes culturais, como Gil Barbosa, com as novas gerações e ver sua casa, seu ateliê e seus familiares se movimentarem em nome da cultura no Bairro Santo Antônio. Somente com um financiamento público dessa natureza a política cultural consegue atravessar territórios e contribuir para transformar vidas”, afirma.
A realização dentro do próprio ateliê também reforçou o caráter comunitário da iniciativa. O espaço de trabalho do artesão tornou-se ambiente de formação e convivência, envolvendo sua família e movimentando culturalmente o Bairro Santo Antônio. O “Artesanato Criativo no Ateliê de Gil Barbosa” contou com Gil Barbosa na coordenação geral e realização das oficinas; Michel Prudêncio na produção executiva; Fernanda, Maria Eduarda e Felipe na equipe do projeto; e Mikael Costa no design.
Realizado com recursos da Política Nacional Aldir Blanc de Fomento à Cultura (PNAB), o projeto contou com apoio institucional da Prefeitura Municipal de Iguatu, por meio da Secretaria da Cultura e Turismo, Secretaria da Cultura do Estado do Ceará, Ministério da Cultura e Governo Federal.



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