DIA DO CONTADOR DE HISTÓRIAS

21/03/2026

 

Professor João Ângelo

Eu vou homenagear a meu pai, José Pedro de Araújo.

Ele, José, não sei como aprendeu e desenvolveu o DOM de fazer a criançada viajar pelo mundo fantástico das chamas ardentes do coração, Histórias de Trancoso.

José Pedro, José de Zefinha, José de Abel ou José de Mocinha… Eram tantos nomes para mesma pessoa…

Ele, papai, contava com uma satisfação e com tamanho convencimento que, eu e todos ao redor, viajávamos no tempo e no espaço para acompanharmos os personagens de tantas histórias…

João Grilo dava vida a uma fazenda de um rei astucioso com intuito de matar João Grilo.

Porém, João Grilo era predestinado e protegido por Deus e, com sabedoria, escapava das armadilhas do inimigo.

Interessante que João Grilo não desenvolvia a inteligência para destruir ninguém. Era só para se defender e dizer que se salvava por um acaso. No entanto, o acaso não existia. O que existia em João Grilo era a proteção do Espírito Santo…

Além de João Grilo, havia outros personagens e os mais presentes e marcantes que povoam minha mente são, João e Maria. Por quê?

Vou puxar aqui uns fios de memórias…

Primeiro, porque eu me chamo João e papai fazia muita questão de me comparar com João Grilo, João Teimoso, João Mimoso e lá, pelas tantas, papai me chamava de inteligente. E eu fiquei convencido de que sou, teimoso, inteligente e de que todas as vezes que alguém insiste em me magoar é uma forma torta de dizer que gosta de mim… E agora eu já me vejo chorando de raiva, de tristeza, de saudades de meu pai que me fez acreditar que sou teimoso, inteligente, amado e estressado. Na verdade, eu não sei me sair bem de situações inusitadas e nem sei saborear boas risadas.

Quem me conhece, que o diga.

Pois bem, voltando aos motivos: acho que o segundo motivo, é porque eu tenho uma irmã que se chama Maria, que é muito espirituosa. Daí papai aguçava o espírito de contador de histórias….

Além desses fatores, existe a Serra dos Cocos, no Distrito de José de Alencar. Esta Serra é o cenário mais vivo e mais perfeito para se viajar na história de João e Maria que saíam de um sítio, subiam a serra para deixar almoço ao pai, depois se perdiam. Andavam com fome e com sede, ouviam um barulho de machado cortando madeira, na verdade era o barulho de uma cuia que batia na cabeça seca, com o movimento do Vento Aracati…

A história terminava com João e Maria prendendo a velha malvada e voltando para casa, levando notícias de muita fartura e alegria para os pais….

Hoje eu continuo a contar as histórias de José, meu pai e a sobrevoar a Serra dos Cocos e a me perguntar porque papai, que nunca foi a outro país, conhecia o termo pinaque da serra, que vem de pinnacle…

Isso é outra história para viajar pelo mundo da imaginação…

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