DIA INTERNACIONAL DA FAMÍLIA

17/05/2025

João Ângelo (Professor, escritor e poeta)

 

Uma Senhora revestida de preconceitos indagou ao sábio: você não tem medo de se separar da sua esposa e destruir sua família? E o sábio respondeu calmamente: não tenho medo da separação! A mulher, com roupas a imitar as vestimentas da mãe de Jesus, lançou um olhar de ironia e sarcasmos aos outros membros da congregação… E, o mestre, com serenidade, quis se certificar sobre aquela pergunta venenosa, embora já soubesse e sentisse os sabores amargos dos ressentimentos e das premissas das pessoas que se sentem aptas a constituírem a destituírem as famílias, conforme as vontades de Deus. Nesse caso, pode-se dizer dos deuses e das deusas: ódios, intolerâncias, preconceitos, alienações, desrespeitos, crueldades, sarcasmos, invejas, achismos, intrigas, assédios, sequidões, apocalipses… Todos e todas revestidas pelo manto da hipocrisia e da destruição.

Diante disso, o sábio iniciou suas reflexões: o que é família? Dizem que a família é um dos pilares mais importantes da sociedade, quiçá da existência humana… E, de que ou de quais elementos são constituídos esses pilares? Por que o dia 15 de maio é considerado o Dia Internacional da Família? Existem famílias perfeitas?

E, na manhã do dia 16 de maio, o sábio foi buscar inspirações ao lado de uma fonte de sabedoria e sentou-se no atual Café Java, anexo da Academia Cearense de Letras. Esse café é uma réplica do Café Java que existiu na Praça do Ferreira, onde os padeiros da Padaria Espiritual se encontravam para falar de temas sociais da época, de forma criativa e inovadora.

Pois bem, o Novo Café Java é o espaço ideal para o sábio fazer suas reflexões sobre famílias: família é uma unidade social? O que é família e do que ela é constituída? Família seria um amontoado de pessoas com laços sanguíneos, convivendo na mesma casa, enlaçados pela discórdia e pelo desamor? Família seria um aglomerado de pessoas com pensamentos destrutivos e apocalípticos? Família seria um lar? Família seria uma ou mais pessoas que compartilham afetos e se respeitam, com ou sem laços sanguíneos? Família seria os humanos e os animais de estimação que convivem e se amam, mesmo sendo moradores de rua? Família seriam pessoas que vivem dentro das instituições apenas para julgar e condenar uns aos outros?

Como e por que se falar da família ou das famílias plurais? E por que tanta preocupação com a instituição família?

O sábio continua a refletir e convida você, leitor, a repensar os conceitos de família ou de famílias. E a repensar quando se constitui ou se destitui uma família? É tempo de reconstituição? É tempo de reformulação? É tempo de aceitação ou preponderam os preconceitos e as repressões?

O sábio toma o café, passa pela Praça dos Leões, entra no Museu do Ceará, segue em direção à Igreja de Nossa Senhora da Assunção, aproxima-se da Praia de Iracema, entra no navio e abraça o mar. E, nessa viagem, sorrir a exclamar: O Dia Internacional da ou das Família é: AMAR, AMAR…

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Competências socioemocionais: a base para aprender Precisamos parar e refletir sobre uma questão fundamental da educação: não existe aprendizagem significativa sem equilíbrio entre competências cognitivas e socioemocionais. As competências cognitivas permitem acessar, compreender e reproduzir conhecimentos. Mas são as competências socioemocionais que ajudam o indivíduo a acessar, manusear e utilizar aquilo que aprende. O pesquisador Antonio Damásio demonstra, em seus estudos, que não podemos compreender o cérebro separado do corpo. Aprendemos aquilo que, de alguma maneira, faz sentido para nós. A emoção participa desse processo porque nosso organismo precisa reconhecer determinada informação como importante para direcionar atenção e recursos neurais a ela. Durante muito tempo, os papéis estavam mais definidos. A escola concentrava-se na formação cognitiva, enquanto a família oferecia uma base cotidiana de formação: tarefas domésticas, respeito aos mais velhos, cumprimento de horários, responsabilidades, limites e convivência. Hoje, essa divisão tornou-se mais complexa. Em muitas famílias, faltam papéis claros, regras consistentes, responsabilidades, rotina e convivência. E, quando essa base não existe, a escola acaba recebendo uma criança que precisa aprender conteúdos, mas que ainda não desenvolveu suficientemente as condições emocionais para aprender. O resultado aparece na dificuldade de esperar, ouvir, focar, negociar, lidar com o “não”, aceitar frustrações e persistir diante das dificuldades. Precisamos, portanto, tomar cuidado com uma educação baseada no excesso de proteção, mimos, facilidades e status. Quando os pais fazem tudo pelos filhos, evitam qualquer frustração e elogiam excessivamente beleza, inteligência, notas ou conquistas, podem, sem perceber, formar crianças mais dependentes da aprovação e menos dispostas a enfrentar desafios. O que devemos elogiar? O processo. Elogie o esforço, a dedicação, a disciplina, a determinação e a capacidade de tentar novamente. É aqui que encontramos a contribuição de Carol Dweck com a ideia do “ainda”: “Você ainda não conseguiu”; “Ainda não deu certo”; “Ainda não foi dessa vez”. Isso muda a relação da criança com o erro. O fracasso deixa de ser uma sentença e passa a ser parte do processo de aprendizagem. Precisamos também ensinar a criança a esperar, ceder, negociar, compartilhar, respeitar regras e lidar com a frustração. Essas experiências são treinamentos fundamentais de autorregulação emocional. Por isso, algumas frases precisam deixar de comandar nossas decisões: “Não quero que meu filho fique irritado comigo”; “Não quero que meu filho deixe de ser meu amigo”; “Não quero contrariá-lo”. O papel dos pais não é evitar todo desconforto. É oferecer pertencimento, segurança, clareza e direção. Se queremos crianças emocionalmente fortes e felizes, precisamos parar de educá-las para nunca sofrer e começar a educá-las para persistir, esperar, respeitar, negociar, assumir responsabilidades e continuar tentando. Afinal, o sucesso não é determinado apenas pela capacidade de acertar. Muitas vezes, ele é determinado pela capacidade de persistir quando ainda não deu certo.

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