Entrevista: Efraim Cavalcante, Presidente da ADI – Associação Desportiva Iguatuense

07/11/2026

O empresário Efraim Cavalcante, eleito novo presidente da ADI-Associação Desportiva Iguatuense, entrevistado nesta edição do A Praça, fala sobre os rumos da entidade na próxima gestão, o suporte para a equipe do Azulão, a relação com a torcida, investimentos em estrutura e equipamentos, contratações para o elenco e os avanços da equipe nos campeonatos cearense, brasileiro e Fares Lopes

A Praça – Como se a deu sua eleição para a ADI? Já estava em seus planos?

Efraim – Eu não tinha esse plano. O meu objetivo era ajudar a diretoria da ADI a administrar a fim de que o clube evoluísse não só dentro de campo, mas fora também. Após quase 2 anos sendo o 2º vice-presidente do conselho deliberativo, alguns diretores me procuraram incentivando que eu fosse candidato. Essa articulação foi aumentando a ponto de sermos escolhido por unanimidade, o que nos traz mais responsabilidade para nossa gestão.

A Praça – Como tem sido sua relação com o futebol, além de torcedor?

Efraim – Sempre gostei muito de futebol, além de meu esporte favorito, sempre foi meu “hobby”, portanto sempre observei a atividade como um todo, a sua complexidade em suas diversas esferas: paixão, “business”, econômica, social, política, disciplinatória, profissional, etc.

A Praça – Você é daqueles torcedores fanáticos? Sua relação de torcedor com o Fortaleza é muito intensa. Quando ocorrer um confronto, Iguatu X Fortaleza, de que lado da torcida, Efraim vai ficar?

Efraim – Eu já fui fanático. O amadurecimento vai mudando as prioridades de algumas pessoas, com a minha, além disso a minha posição hoje não cabe fanatismo, temos que receber e analisar as coisas com mais razão, uma gestão responsável não tem espaço para paixão. Em relação ao confronto com o Fortaleza, não há a menor dúvida que além da razão, o meu coração estará 100% com o Azulão!

A Praça – Onde sua gestão pretende chegar com o Azulão, a partir daqui? Quais são as metas mais ambiciosas para a equipe?

Efraim – Teremos vários desafios começando pela parte financeira. A ADI pagou nos últimos 2 anos mais de R$ 400.000,00 em causas trabalhistas, isso fez com que hoje o clube tenha uma dívida considerável, o que dificulta o planejamento de forma incisiva! Este ano temos como objetivo fora de campo equilibrar as contas, ajustar o estatuto ampliando o conselho com 50 conselheiros com direito a voto nas próximas eleições do clube assim envolvendo mais a torcida e a aproximando da ADI, além de enriquecer ainda mais a diretoria de bons valores. Também pretendemos regularizar a documentação do terreno aonde em breve será a sede e o CT da ADI. Dentro de campo nosso objetivo é a permanência na Série A indo para o 6° ano consecutivo, fazer uma boa campanha na Série D do brasileiro, a fim de melhorar ainda mais nossa posição no ranking da CBF. Nossa meta mais ambiciosa é chegar à semifinal do cearense e subir para série C do campeonato brasileiro.

A Praça – Que tipo de relação o novo presidente da ADI pretende estabelecer com a torcida do Azulão?

Efraim – A melhor possível, um de nossos desafios é aproximar a torcida, trazê-la em bom número ao nosso alçapão (Morenão) aonde somos muito fortes, temos uma grande torcida, só na rede social Instagram somos quase 65.000, a torcida precisa se aproximar mais do clube, do estádio e fazer jus a este clube que tem trazido alegria a todos nós nos últimos 5 anos como nenhuma outra equipe do interior cearense tem feito!

A Praça – É meta também ampliar os apoios do poder público e da iniciativa privada objetivando fortalecer o caixa para garantir a execução dos projetos?

Efraim – Sem dúvida nenhuma, o futebol é muito caro e inflaciona mais do que qualquer atividade profissional, além disso o clube tem cumprido seus objetivos de divulgar nossa cidade e seus patrocinadores, somos muito gratos a prefeitura de Iguatu por ter sido a maior patrocinadora da história do clube, mas precisamos atualizar os números, principalmente com os patrocinadores da iniciativa privada, os quais também somos gratos e temos uma excelente relação.

A Praça – Para a temporada 2027 existem contratações em vista para o elenco?

Efraim – Sim, o grupo está bem adiantado, mas não podemos anunciar até que os contratos estejam devidamente assinados.

A Praça – A folha de pagamento é o maior percalço da ADI hoje?

Efraim – Não, a nível de Série A do cearense a nossa folha é uma das menores, a ADI sempre “tirou leite de pedra”, o maior percalço financeiro é a baixa frequência de nossa torcida nos jogos em casa, precisamos sensibilizá-la para que ela “entre em campo conosco” nos jogos no Morenão.

A Praça – Qual a maior carência atualmente da equipe do Azulão em relação ao elenco?

Efraim – Estamos departamentalizando a gestão, e nesta parte atuam muito bem o diretor de futebol Thiago Amaral e o executivo de futebol Antônio Filho (ex-presidente). Eles ainda estão finalizando a montagem do elenco e responder a esta pergunta pode dificultar as negociações, portanto para o bem do azulão vamos para próxima pergunta! (risos).

A Praça – Uma equipe de futebol professional para funcionar bem precisa ter o perfil de uma empresa bem sucedida?

Efraim – Sem dúvida nenhuma, precisa ter um planejamento adequado, processos bem definidos, departamentos atuantes e um controle rígido. No entanto não há como cobrarmos mais eficiência porque a diretoria faz um trabalho voluntário, todos têm suas responsabilidades fora do clube para suprir suas famílias, isso é uma das maiores dificuldades de clubes pequenos no futebol brasileiro.

A Praça – Que mensagem você deixa aqui para a torcida do Azulão?

Efraim – Que olhem para as últimas temporadas e vejam aonde chegamos. A ADI hoje é um time respeitado estado do Ceará afora, portanto saibamos valorizar o que é nosso, vamos ao estádio jogar juntos.

Perfil

Efraim Cavalcante, nascido e criado em Iguatu, filho do ex-prefeito Elpídio Cavalcante, morou 20 anos em Fortaleza, onde concluiu o 2º grau e graduou-se em Turismo (Unifor), trabalhou em praticamente toda cadeia produtiva do Turismo entre Fortaleza e Icapuí, até que em 2011 ingressou no mercado imobiliário no segmento da construção civil e venda de casas, agregou no negócio a carreira de Corretor de Imóveis avulso e voltou a Iguatu em 2013. No ano seguinte empreendeu instalando uma unidade da multinacional REMAX, a maior imobiliária do mundo, presente em 120 países. É o proprietário da imobiliária REMAX Vision em Iguatu, e tem relevantes serviços prestados à economia local, tendo protagonismo em trazer empresas como a Freitas Varejo, Drogasil, Prosegur, Solvi (futuro Aterro Sanitário), Conviver Urbanismo (Condomínio fechado Life Iguatu), entre outros empreendimentos, tendo sido destaque no mercado inicialmente a nível municipal e depois pela própria multinacional a nível estadual e até nacional. Sensível às causas sociais, participou diretamente não só em alguns projetos nos Centros Espíritas ao qual faz parte em Fortaleza (CEFA) e Iguatu (GECX), como rotariano atuante no Rotary Club de Iguatu, assim como na esfera empresarial, sendo o principal responsável pela articulação para instalação do maior projeto do Minha Casa Minha Vida da Região Centro-Sul, hoje nomeado Residencial Dom Mauro, no Gadelha em Iguatu, aonde 900 famílias de baixa renda se favoreceram com uma moradia digna.

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