O corpo em movimento como ferramenta de descoberta, memória e expressão de sentimentos. Essa é a essência de ‘Move’, espetáculo da Companhia Foco de Dança que esteve recentemente em cartaz no Teatro Banco do Nordeste Cultural Cariri, em Juazeiro do Norte. Selecionada pelo Edital de Ocupação Artística 2026/2027, a obra marcou a estreia do Ponto de Cultura – Associação Artística Foco de Dança e Cultura no prestigiado espaço cultural da região.
Sob a direção e coreografia de Nayane Rodrigues, o trabalho promove o encontro no palco entre bailarinos da Companhia Profissional de Dança Contemporânea de Iguatu e alunos bolsistas do Projeto Social de Dança. A iniciativa funciona como um laboratório e início de preparação de novos talentos para o direcionamento profissional e integração definitiva ao elenco principal.
Não diferente de outras produções da companhia, o ‘Move’ é fruto de meses de laboratório e intensa investigação técnica e musical. O processo de criação dura, em média, três meses. “Tem uma agenda para fazer toda a construção de um laboratório. É bem interessante. Tem todo um trabalho até chegar à apresentação para o público”, pondera a diretora Nayane Rodrigues.
Para ela, a circulação da dança pelo interior do Ceará é um pilar fundamental para a valorização da cultura local e o resgate de vivências que atravessam gerações. “O projeto foi construído dentro da técnica da dança que desenvolve o corpo e a musicalidade fazendo esse percurso, que se associa a essa identidade. É um andar que se desconstrói, um percorrer que se refaz, um retrocesso que se descobre, o correr que não corre”, conceitua a coreógrafa.

Potencial
A apresentação em Juazeiro do Norte atraiu como público artistas, entusiastas da dança e familiares do elenco, que tiveram a oportunidade de assistir ao espetáculo. A bailarina Camila Corrêa destacou a importância do intercâmbio. “Esse convite foi um sentimento de reconhecimento de que a companhia está chegando a esses lugares e fazendo parcerias necessárias. Mostra o potencial que tem a dança no interior do Ceará”, comemorou.
Para o bailarino Magno Barbosa, a experiência rompeu fronteiras. “Dançar fora da nossa cidade sempre dá um frio na barriga a mais, no entanto foi uma experiência maravilhosa. Surgiu até uma proposta de bolsa para mim das escolas de dança de lá”, revelou.
A viagem também foi marcada pelo ineditismo e pela emoção dos bastidores. Para Ana Dejanice, foi a primeira oportunidade de se apresentar fora de Iguatu com o grupo. “Foi maravilhoso. Tudo o que eu esperava aconteceu. O melhor foi dividir o palco com esses bailarinos experientes com quem tenho aprendido muito”, relatou.
O espetáculo uniu gerações também na plateia e nos palcos. Raicy Kelly expressou a alegria de compartilhar o momento com a família: “Dessa vez minha mãe foi, e tenho uma sobrinha que está dançando”. A sobrinha em questão é Ana Yasmim, a integrante mais jovem do grupo, que estreou fora de casa. “Me senti um pouco nervosa, mas pelo acolhimento que senti, logo passou. Foi uma experiência incrível”, disse a jovem.
Dona Marlene Oliveira, mãe de Raicy e avó de Yasmim, assistiu orgulhosa ao desempenho da família e do coletivo. “Ver as pessoas aplaudindo os talentos desses bailarinos maravilhosos é incrível. Eu vejo o quanto esse trabalho, essa companhia deve ser valorizada”, defendeu.




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