O jantar do Monsenhor Queiroga

26/09/2026

Na rotina tranquila de Monsenhor Queiroga um hábito foi adotado já faz um bom tempo: jantar fora do Seminário Diocesano, lugar onde ele reside na companhia de jovens seminaristas.

O jantar do Monsenhor na maioria dos dias é ‘sopa de feijão’, prato que integra o cardápio do restaurante e panificadora Tropical Pães, servido sempre no final de tarde. É considerada uma iguaria pela receita tradicional da casa com ingredientes regionais, suculência e cremosidade que agrada qualquer paladar. Um dos pratos mais procurados para o jantar.

O café da manhã, almoço e outras refeições do dia, Monsenhor Queiroga faz no próprio seminário, mas o jantar ele prefere a sopa de feijão da Tropical. Mais do que um hábito, para o religioso existem também algumas preferências. Por exemplo, chegar ao restaurante por volta das 18h, sentar à mesma mesa, na praça de alimentação, ao lado da janela, pedir o prato predileto e consumir sempre acompanhado de pão carioquinha fresquinho. O jantar do Monsenhor é a última refeição de um dia, antes do repouso na noite de sono nos aposentados carinhosamente preparados para ele no Seminário Diocesano.

Imagine o leitor que Monsenhor Queiroga fosse um monge e residisse num Mosteiro antigo, num lugar isolado, entre montanhas, neblina e serração, no seu repouso da vida religiosa, afastado do cotidiano agitado do mundo vivendo sob os cuidados de outros religiosos e o jantar dele fosse a atenção especial e tarefa da cozinha. Imagine aqueles corredores longos e pouco iluminados, percorridos pelos passos sem pressa das freiras levando o jantar reservadamente preparado para o religioso jantar, naquela área separada para as refeições. Com sua calma e olhar de gratidão, o religioso certamente sempre agradeceria, o jantar e as outras refeições.

Carinho, atenção e respeito

Obrigado! A palavra que não falta no vocabulário de Monsenhor Queiroga. Na Tropical Pães, dona Eliane, assistente da cozinha, geralmente pede para servir Monsenhor Queiroga quando ele chega para jantar. Para ela, é um gesto de carinho, atenção e respeito à vida religiosa daquele senhor franzino, de olhar sereno, de caminhar lento, e a sempre gentil atenção a quem se aproxima para lhe dirigir a palavra.

A sopa de feijão é um dos clássicos mais antigos, tradicionais e afetivos da culinária brasileira, profundamente enraizada na cultura alimentar das famílias, há gerações inteiras. Nos restaurantes, o prato é preparado com alimentos frescos, incluindo o tradicional feijão, temperos tradicionais, carnes, bacon, linguiça, legumes, macarrão, leite e o creme de leite para dar cremosidade.

Prestes a completar 90 anos, no próximo dia 7 de outubro, Afonso Queiroga guarda uma vida inteira dedicada ao sacerdócio de servir à Igreja. Antes de receber o título de Monsenhor, conferido a ele pelo Papa, foram 61 anos e dez meses servindo como padre. Dos 89 anos vividos, há 80 está no Ceará, desde que deixou sua terra natal Souza na Paraíba, na companhia dos pais, para viver nas terras alencarinas.

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