O Produto Interno Bruto de Iguatu e o setor industrial

11/04/2026

Klériston Monte

(Economista)

 

Um indicador basilar da evolução econômica de determinado ente federativo é exposto pelo valor do Produto Interno Bruto (PIB), que representa o total de bens e serviços produzidos em seu território e em conhecido período de tempo.

Segundo a metodologia utilizada pelo IBGE, o PIB a preços correntes é composto pelos seguintes setores econômicos: 1) agropecuária; 2) indústria; 3) serviços/comércio; 4) administração pública; 5) imposto, líquidos de subsídios, sobre produtos, a preços correntes

Falar sobre PIB necessita de uma metodologia mais elaborada, pois a sua abordagem requer, quase sempre e por razões elucidativas, uma exposição tabular ou gráfica das informações.

A análise fria de qualquer informação acerca da dinâmica do setor industrial nos leva a uma conclusão que merece melhor atenção: estamos vicenciando um processo de desindustrialização prematura, aliás situação quase recorrente a nível global, característica vivenciada nos últimos anos.

No Brasil essa afirmativa é deveras representativa e ilustrativa, como se notabiliza pela análise temporal a seguir : i) em 1930 a participação da indústria no PIB era de 10%; ii) em 1947 alcançou 17,5%; iii) em 1986 atingiu 27,3%; iv) em 1992 caiu para 18,6%; v) em 2019 retrocedeu a 12%.

Isso nos leva a uma conclusão estarecedora: entre os anos 1947 e 1980,  a economia brasileira cresceu 7,4% em média anual; entre 1980 e 2022 o seu crescimento médio anual diminuiu para 2,2%.

Na realidade o que foi afirmado acima também se adequa ao Município de Iguatu. A tabela abaixo mostra a participação percentual no Município de Iguatu-CE que cada setor econômico exerceu na formação do PIB a preços correntes entre os anos de 2013 e 2021, ressalvando que os anos de 2022 e 2023 não foram inclusos em decorrência da ausência de dados disponibilizados pela fonte, todavia aludida ausência não inviabiliza o estudo.

 

Série história da composição do PIBp/c de 2013 a 2021

Anos Agropecuária Indústria Serviços Administração Impostos
2013 5,16 11,10% 51,00% 20,09% 12,65%
2014 9,71% 9,65% 50,80% 18,80% 11,04%
2015 5,10% 10,02% 47,59% 22,23% 15,06%
2016 7,73% 8,27% 50,41% 22,38% 11,21%
2017 7,60% 7,04% 51,81% 22,19% 11,36%
2018 8,50% 7,42% 50,10% 22,68% 11,30%
2019 8,99% 7,71% 52,67% 23,98% 6,65%
2020 11,46% 7,19% 47,14% 23,59% 10,62%
2021 11,81% 7,73% 46,44% 22,99% 11,03%

Fonte- IBGE. Elaboração própria.

 

É imperativo observar que o último ano em que a indústria iguatuense, participou na composição do PIB com dois dígitos (10,02%) foi em 2015 e que nos últimos cinco estacionou ao redor de 7%, sendo o menor dentre todos os demais setores entre 2017 e 2021.

Grosso modo, pode-se dizer que o grau de industrialização é medido pela parcela do valor adicionado da indústria de transformação no valor adicionado da economia total, logo no ano de 2021 cravou 7,73% de participação.

Merece destaque analítico o volume de empregos formais por atividades econômicas existentes em Iguatu no ano de 2023, conforme Ministério do Trabalho, que demonstra que a participação da indústria de transformação no emprego total alcançou 19,88%.

 

Empregos formais segundo as atividades econômicas – (2023)

Atividades econômicas Percentual setorial
Extrativa mineral 0,18%
Indústria de transformação 19,88%
Serviços industriais de Utilidade pública 1,66%
Construção civil 2,98%
Comércio 30,35%
Serviços 18,77%
Administração Pública 24,61%
Agropecuária 1,57%
TOTAL 100%

Fonte — Ministério do Trabalho – RAIS

 

As informações existentes nas duas tabelas são por demais reveladoras, intrigantes e merecedoras de aprofundamento quanto ao indiscutível questionamento: o setor industrial cravou uma pífia participação na composição geral do PIB a preços correntes no Município de Iguatu (7,73% em 2021), entretanto relativamente aos empregos nas atividades econômicas perdeu apenas para o comércio (30,35%) e para a administração pública (24,61%) em 2023. Últimos anos visualizados como fontes.

Em outras palavras: a indústria em Iguatu tem diminuta participação como componente do PIB, porém detém uma empregabilidade representativa.

O crescimento econômico de um município ocorre de modo equilibrado quando as atividades econômicas funcionam harmonicamente, o que não se dá com a economia iguatuense, pois o setor industrial não consegue sair do seu estado estacionário.

É no setor industrial que ocorrem as inovações tecnológicas, mudança estrutural e avanço na produtividade, todavia outras consequências ele também provoca: i) elevada correlação com a renda per capita da unidade federativa em tela: ii) apresenta maior taxa de crescimento da produtividade em relação aos demais setores: iii) provoca economia de escala; iv) alavanca a quantidade de emprego e renda.

O presente trabalho não tem a pretensão de reduzir a importância dos demais setores na formação do PIB da economia municipal, contudo é imperioso sublinhar a necessidade urgente de um olhar mais diligente para com o setor industrial por parte dos agentes econômicos, sobretudo do próprio setor industrial, sendo por demais oportuno lembrar que o aproveitamento do efeito transnordestina passa por mudança de rota e a necessária pavimentação do ambiente de negócios para a chegada de novos investimentos.

A despeito da não conclusão das obras do terminal de cargas de Iguatu (TCI), percebem-se que os desdobramentos econômicos advindos do TCI já começaram a se manifestar com a recente escolha do frigorífico Masterboi, com o recebimento do terminal de tancagem de combustível que desembarcarão em território iguatuense, tudo isso em decorrência de Iguatu ter sido selecionada entre as seis cidades cearenses que terão terminais de cargas da transnordestina.

São prenúncios incontestes que o crescimento econômico robusto do Município de Iguatu e região surgem no horizonte e tal oportunidade não pode ser desperdiçada, denominamos aqui de oportunidade histórica, podendo ser a indústria o grande motor estrutural do crescimento econômico que se espera.

É inadiável que o segmento industrial se organize, que reivindique junto às instituições dessa importante cadeia produtiva a criação de uma unidade física que possa verdadeiramente representar relevante setor econômico em Iguatu, pois somente assim sua economia tornar-se-á sustentável e com igualdade de paridade com os demais setores econômicos.

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