Obrigado, Dominguinhos!

26/07/2025

Kleyton Bandeira Cantor, compositor e pesquisador cultural

Kleyton Bandeira
Cantor, compositor e pesquisador cultural

Ele nasceu em Garanhuns-PE, no dia 12 de fevereiro de 1941. Começou a tocar com cerca 8 anos de idade, recebeu o título de herdeiro de Luiz Gonzaga, pelo próprio Rei do Baião, e se tornou um dos maiores artistas do país, com uma brasilidade inigualável. Eu estou falando de José Domingos de Moraes, o nosso inesquecível Dominguinhos.

Ainda tocando pandeiro, junto com seus irmãos Moraes na sanfona de 8 baixos, e Valdomiro no melê, Dominguinhos compunha um trio musical que tocava em feiras e nas portas dos hotéis em Garanhuns. Certo dia, em 1950, tocando na porta do hotel Tavares Correia, o trio foi convidado a entrar e tocar para um cidadão que lá estava hospedado. Sem saber, o trio tocou por horas para Luiz ‘Lua’ Gonzaga, o Rei do Baião. No final, Gonzaga deu uma quantia de dinheiro jamais vista pelo trio e, entregando-lhes o seu endereço, falou “olha, se um dia vocês penderem para os lados do Rio de Janeiro, me procurem que ajudo vocês”. Em 1954 lá estava Dominguinhos no Rio de Janeiro com Luiz Gonzaga e em 1956 eles gravaram a primeira música juntos que foi “Forró no Escuro”. Desde então surgia uma parceria e uma amizade das mais significativas da Música Popular Brasileira.

Compositor de inúmeros sucessos que marcaram épocas na vida dos brasileiros, sobretudo dos nordestinos, tais como “Eu Só Quero um Xodó”, “Gostoso Demais”, “De Volta pro Aconchego”, “Isso Aqui Tá Bom Demais”, “Quem me Levará Sou Eu”, “Pedras que Cantam”, dentre tantas outras, Dominguinhos elege como suas composições favoritas “Lamento Sertanejo”, parceria com Gilberto Gil, e “Contrato de Separação”, parceria com Anastácia.

Certo dia, no ano de 1972, caminhando pela rua Amaral Gurgel, na Vila Buarque, em São Paulo, Dominguinhos assoviava uma melodia que vinha à sua mente e, por ironia do destino, ali mesmo encontra Anastácia: “minha amiga, a Marines me pediu uma música para o São João, e tenho cá uma ideia, o que você acha?”. E foi nesse dia que nasceu o clássico “Eu Só Quero um Xodó”.

Mas nem tudo são flores né! Com a ascensão da Bossa Nova, os violões e as guitarras tornam-se os instrumentos predominantes da época e, com isso, a sanfona perde espaço no cenário musical brasileiro. No entanto, Gal Costa, demonstrando ser, não só uma grande cantora, mas, também, um enorme ser humano, coloca, em sua banda, Dominguinhos com a sua sanfona até que a força do acordeom fosse reestabelecida no cenário musical. E, lógico, que não demora muito para que Seu Domingo volte a alçar seu voo.

Outra curiosidade interessante sobre Dominguinhos é que, nos últimos anos de sua vida, ele, por medo, não viajava mais de avião por nada nesse mundo. A sua última viagem aérea foi ainda com Luiz Gonzaga, e o Velho Lua, querendo demover esse medo, do coração de Dominguinhos, disse-lhe: “veja que maravilha, Dominguinhos. O avião facilita muito para que a gente viaje o Brasil inteiro para levar alegria para o nosso povo. A gente toca nas praças, nas escolas… E é o mesmo avião que leva José Sarney, Antônio Carlos Magalhães, Ulysses Guimarães. O Avião num cai com essas pestes, vai cair com nós, Dominguinhos?”.

Dominguinhos foi vencedor do Grammy Latino nos anos de 2002 e 2012 com os discos Chegando de Mansinho e Iluminado, respectivamente, e faleceu no dia 23 de julho de 2013 por complicações pulmonares, nos deixando um legado nordestinamente lindo e que merece ser eternamente lembrado.

Viva Dominguinhos!

Viva o Nordeste Brasileiro!

Ficamos por aqui e bom fim de semana!

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