Produção em área cultivada com algodão mais que triplica em Iguatu em um ano

Área cultivada mais que triplica e número de agricultores participantes chega a 30; município já foi um dos principais polos algodoeiros do Ceará

03/10/2026

O cultivo do algodão volta a ganhar espaço no campo e na economia de Iguatu. O município, que no passado viveu um dos períodos mais expressivos da cultura do chamado “ouro branco”, registra agora uma nova fase de expansão da produção por meio do Programa Ouro Branco, iniciativa voltada ao incentivo e fortalecimento da cotonicultura local.

Os resultados mais recentes foram apresentados durante uma reunião de balanço que reuniu agricultores, técnicos e representantes de instituições parceiras. Os números demonstram um crescimento significativo da atividade ao longo deste ano.

A área cultivada passou de 13 hectares, em 2025, para 43 hectares em 2026, aumento de aproximadamente 230%. No mesmo período, o número de produtores participantes saltou de oito para 30 agricultores, demonstrando a ampliação do interesse pela cultura no município.

A produção também apresentou resultados positivos. Ao longo da atual safra, foram colhidas aproximadamente 35 toneladas de algodão, com a arroba comercializada por cerca de R$ 150, em média. Segundo os dados apresentados no balanço do programa, a comercialização da produção movimentou aproximadamente R$ 10 mil na economia local.

Para 2027, a perspectiva é de uma expansão ainda mais expressiva. A estimativa apresentada pelo Programa Ouro Branco é alcançar 200 hectares de área cultivada, ampliando a participação dos agricultores e consolidando novamente o algodão como uma alternativa de produção para o município.

Incentivo

A expansão da cultura vem sendo acompanhada pelo poder público municipal, que busca oferecer condições para que os agricultores possam investir no cultivo com maior segurança e acesso a recursos técnicos.

A secretária adjunta de Desenvolvimento Agrário de Iguatu, Rosângela Teixeira, destaca que o município tem acompanhado de perto esse movimento de retomada e atuado no incentivo aos agricultores interessados na atividade. “Temos acompanhado e incentivado esse processo por meio do Programa Ouro Branco, oferecendo suporte técnico e tecnológico e também através de programas de preparo de terra. A nossa intenção é dar condições para que os agricultores que desejam investir nessa cultura possam ter acompanhamento e segurança para desenvolver sua produção”, ressalta Rosângela Teixeira.

Segundo a secretária adjunta, a retomada do algodão representa não apenas uma possibilidade de diversificação da produção agrícola, mas também a recuperação de uma atividade que possui forte relação com a história econômica de Iguatu.

História

A expansão atual ganha ainda mais significado quando observada à luz da história do município. Em décadas passadas, especialmente entre os anos 1960 e 1980, Iguatu viveu um período de grande produção algodoeira, quando o cultivo chegou a ocupar aproximadamente 20 mil a 25 mil hectares de terras.

O algodão era uma das principais forças da economia regional e estava diretamente ligado à dinâmica comercial e industrial do município. A dimensão daquela produção pode ser percebida pela estrutura de beneficiamento instalada na cidade.

Entre os empreendimentos que marcaram esse período está a CIDAO – Companhia Industrial de Algodão e Óleos, fundada em 1924 e que se tornou uma das importantes indústrias do setor no Ceará. O beneficiamento do algodão movimentava a economia e contribuía para a geração de empregos e renda, enquanto a produção era escoada para outros centros comerciais.

A força da cotonicultura também estava relacionada à ferrovia. A produção beneficiada era transportada em grandes volumes, com trens carregados de fibra e óleo seguindo em direção a Fortaleza, integrando Iguatu às principais rotas comerciais do Estado.

A cultura algodoeira, entretanto, enfrentou um período de forte retração a partir da década de 1980. A chegada do bicudo-do-algodoeiro, uma das principais pragas que atingiram a cotonicultura brasileira, somada às dificuldades de acesso ao crédito rural e às oscilações e quedas dos preços internacionais, contribuiu para desestruturar a produção em larga escala.

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