Promessa de serviços de oncologia desperta esperança de iguatuenses que fazem tratamento em outras cidades

25/04/2026

 

Depois do anúncio da implantação dos serviços de oncologia em Iguatu, durante evento político com a presença do deputado estadual Romeu Aldigueri, presidente da Assembleia Legislativa do Estado, como divulgado na edição passada deste periódico, muitos questionamentos estão sendo feitos pela população. O assunto também acende a esperança de quem necessita fazer tratamento fora do município, tendo que se deslocar para Fortaleza ou Cariri.

O sentimento é de gratidão. Ao mesmo tempo seu Francisco Pereira faz apelo por mais atenção à saúde oncológica. Há dois anos e onze meses ele faz tratamento contra câncer na laringe, em Barbalha, no Cariri. “Graças a Deus, continuo viajando a cada oito dias para dar continuidade ao tratamento. Sou muito bem acolhido e grato pela equipe de profissionais do Hospital São Vicente de Paulo, em especial pelo setor de oncologia, onde o atendimento é humanizado. Dificuldades existem, sim, mas lamentar não é o caso. Os profissionais, motoristas e todos com quem mantemos contato sempre nos trataram com respeito. Só tenho a agradecer”, comentou, aproveitando para reivindicar melhores condições em relação ao transporte público que realiza os deslocamentos. “O horário de saída é preocupante. Às vezes temos problemas com o transporte. Isso não é de hoje, sempre aconteceu. Não quero apontar culpados, mas não podemos nos calar e nem sermos coniventes com essa situação”, complementou, cobrando mais atenção ao serviço de transporte.

Apelo

Sentimentos compartilhados pela irmã do senhor Francisco Pereira a qual sempre o acompanha durante o tratamento. “Deixo aqui meu apelo, como irmã deste paciente e de todos que vivem esta situação. Senhores governantes, nossa cidade tem mais de 100 mil habitantes. Cuidem mais. Se preocupem mais. A população oncológica merece respeito,” ressaltou, afirmando ainda que mesmo com a instalação dos serviços de oncologia em Iguatu, pretende que o irmão continue o tratamento em Barbalha.

15 viagens para Barbalha

O agricultor Martiniano Barbosa, 86, aos 60 anos fez o primeiro exame de próstata, o recomendando é a partir dos 50 anos para quem não tem fatores de risco, mas segundo algumas diretrizes o rastreamento deve iniciar bem antes, aos 40 a 45 anos. Segundo o aposentado, naquele período não apresentou nenhum problema de saúde e vinha seguindo anualmente fazendo o exame como recomendado, quando em 2009, o exame apontou um problema na próstata, quando foi feita uma ‘raspagem’ e desde então seguia fazendo de rotina sem apresentar alterações. Porém ano passado o exame apresentou o câncer. “Fiz o exame e apresentou o problema, fiz os exames, biópsia e apresentou a doença. A gente deu umas 15 viagens para Barbalha antes de tudo. Depois comecei o tratamento por lá. Foram 36 dias. Eu consegui ficar abrigado numa casa de apoio de Cariús, mas vinha para Iguatu aos finais de semana. Hoje me sinto bem, mas quando descobri a doença fiquei até sem dormir. Fui obrigado a tomar remédios, mas eu mesmo disse para a doutora que não ia tomar mais, e passei a cuidar da minha mente e estou bem, me recuperando. A gente fica velho, os problemas de saúde vão aparecendo. O doutor lá de Barbalha disse que vou viver mais de 100 anos”, contou, rindo da situação. Ele disse que espera que esses serviços sejam ofertados aqui para o tratamento ser mais perto de casa. “Agradeço aos meus filhos, que estão sempre perto de mim, sou viúvo há 14 anos, perdi minha esposa, a gente trabalhou muito para sustentar nossos oitos filhos”, disse.

Deslocamento e financeiro

Diante da situação, familiares e amigos próximos, parentes que acompanham esses pacientes acabam vivenciando as mesmas experiências, como é o caso da técnica de enfermagem aposentada Francisca Diassis, que já acompanhou parentes e até mesmo amigas na rotina em busca de tratamento de saúde fora. Ela vê com esperança a vinda desses serviços para a região. “Seria muito interessante que esse serviço de oncologia realmente viesse para cá, principalmente para evitar esse deslocamento dos pacientes para Fortaleza ou para o Cariri. É muito sofrido. A pessoa fica muito debilitada quando faz uma quimioterapia, uma radioterapia, para ser transportada de uma cidade para outra que fica distantes, sem contar o financeiro. Por exemplo, tem o carro da saúde para transportar, mas muitas vezes a pessoa não tem condições de comprar sequer um alimento. Se aqui no Iguatu tivesse um centro de oncologia para esses tratamentos, seria bem mais interessante. É o que a gente almeja. Tenho duas amigas com ‘CA’ de mama, sempre estavam indo para Barbalha, se fosse aqui seria bem mais rápido, mais fácil”, pontuou.

R$ 6,5 milhões

A implantação de serviços de oncologia em Iguatu faz parte da ampliação da rede de cuidados oncológicos do Governo do Estado. De acordo com o que foi anunciado, o projeto é que serão investidos cerca de R$ 6,5 milhões para esses serviços na Região. O setor de oncologia deve funcionar no Hospital e Maternidade Agenor Araújo, com o apoio do Hospital São Vicente de Paula, de Barbalha. O atendimento do Serviço de Oncologia será integrado ao Sistema Único de Saúde (SUS), a previsão estimada é que os serviços entrem em funcionamento dos serviços em menos de 60 dias.

 

Sem respostas

Nossa reportagem solicitou informações da gestão municipal a respeito do funcionamento do transporte de pacientes que necessitam de deslocamento para Fortaleza e Cariri, assim como também as condições desses serviços, mas segundo informações da Assessoria de Comunicação, os dados e informações solicitadas estão sendo levantados, mas até o fechamento desta matéria, não recebemos respostas. Assim também solicitamos informações ao Hospital Agenor Araújo, como está o projeto de implantação desses serviços na unidade de saúde, mas também ainda não recebemos respostas.

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