Quando o amor se confunde com permissividade

Série: Síndrome do Imperador — Quando os filhos assumem o trono da família

31/10/2026

 

 

Você já parou para pensar que, na tentativa de ser o melhor pai ou a melhor mãe do mundo, pode estar deixando seu filho despreparado para enfrentar a vida?

Parece contraditório, não é? Afinal, fazemos tudo por amor. Protegemos, cuidamos, realizamos desejos e evitamos sofrimentos. Mas uma pergunta precisa ser feita: estamos educando nossos filhos ou apenas evitando que fiquem contrariados?

Vivemos uma época em que se fala muito sobre acolher os sentimentos das crianças. E isso é fundamental! O problema começa quando confundimos acolhimento com permissividade, compreensão com ausência de limites e amor com a obrigação de dizer sempre sim.

Imagine a cena: próximo ao almoço, seu filho pede chocolate. Você diz não. Ele insiste, chora, grita e transforma a cozinha em palco de um verdadeiro espetáculo. Cansado, você entrega o chocolate. A paz retorna!

Mas espere: quem educou quem nessa história?

Quando os pais cedem repetidamente às birras, a criança pode aprender que insistir, gritar e chorar são estratégias eficientes para conseguir o que deseja.

É importante compreender: todo sentimento merece acolhimento, mas nem todo comportamento deve ser permitido.

Seu filho pode sentir raiva porque o celular foi desligado. Entretanto, isso não significa que possa bater, ofender ou impor suas vontades.

Acolher é reconhecer a emoção sem abandonar o limite: “Eu entendo que você ficou triste, mas o tempo de celular terminou.”

Simples assim!

Muitas vezes, a maior dificuldade não está na criança aceitar um não, mas nos adultos suportarem a reação que ele provoca. Cedemos por culpa, cansaço, pena ou medo de desagradar.

Entretanto, quem ama também precisa ter coragem de contrariar.

Uma criança que nunca aprende a esperar poderá encontrar dificuldades quando precisar dividir brinquedos, perder uma brincadeira, receber críticas ou enfrentar frustrações.

Afinal, a vida não funciona como um aplicativo de entregas, em que basta clicar para receber tudo imediatamente!

Educar com limites não significa agir com autoritarismo, gritos ou humilhações. A verdadeira autoridade combina firmeza, afeto e coerência.

Uma criança precisa de carinho, mas também de direção. Precisa ser ouvida, mas também aprender a ouvir.

E lembre-se: nem todo choro exige concessão. Nem toda reclamação precisa virar negociação. E nem todo não necessita de uma explicação de quinze minutos, como se estivéssemos defendendo uma tese de doutorado!

PARA REFLETIR – Na próxima birra, pergunte-se: estou ensinando meu filho a lidar com suas emoções ou permitindo que suas emoções determinem minhas decisões?

PARA PRATICAR – Nesta semana, experimente três atitudes: acolha o sentimento, mantenha o limite com tranquilidade e valorize quando a criança conseguir superar a frustração.

UMA MENSAGEM PARA LEVAR – Seu filho não precisa de um mundo que diga sim para tudo. Precisa de uma família que o ame suficientemente para ensinar que o não também faz parte da vida.

Porque educar não é preparar o mundo para obedecer aos nossos filhos. É preparar nossos filhos para viver no mundo.

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