Verba volant et scripta manent

04/04/2026

Jornal A Praça, 25 anos
Paulo de Tarso Bezerra
Fundador e Editor

Se a palavra escrita fica para sempre – isso é o que diz o título desse editorial -, qual o legado que deve ter um veículo de informação que se propõe a ser um registro dos dias e dos fatos de uma sociedade?

Essa inquietante pergunta tem nos acompanhado. E é desconcertante. E também não é nada fácil conviver com tão desafiadora locução.
A sobrevivência de um órgão de imprensa jamais contará com a leveza como sendo um dos atributos a lhe acompanhar. Não rima, não faz parte, não compõe o leque de qualidades da sua longevidade, sequer da sua existência.

Escrever a história da nossa gente foi o que nos trouxe até o dia de hoje. Talvez, seja mesmo esse o nosso legado. Passa por nós a herança valiosa a arquivar: o fato.

E já se vão 25 anos, desde aquele 31 de março de 2001. Aquela distante noite já quase desistia de nós, a tela e o lento teclado também. Seguíamos recortando fotos a tesouras, imaginávamos o filho a nascer na gráfica na manhã que se avizinhava. Sonhando como fôssemos um grande jornal, queríamos seguir o modelo e editar nossas páginas também nas madrugadas – era o acaso anunciando a longa jornada que estava por vir. Pensar grande já não era impossível.

Sábados a fio, optamos por jamais deixar de circular. O semanário que seria o mais duradouro (somente hoje se sabe) assumia ali o compromisso de nunca falhar, de não ceder jamais, de não tergiversar fora dos princípios que acompanharam a nossa fundação.

Ao longo desse quarto de século, e isso não é pouco, fomos testemunhas de todas as eleições ocorridas. Contamos todos os eleitores e também os seus votos. Noticiamos, sem exceção, a plêiade de prefeitos, vice-prefeitos e vereadores eleitos nesses 25 anos, em nossas capas. Sabemos que cada um fez questão de transformar em quadro suas próprias posses. Isso é formidável.

Não ter predileção por algum dos lados das tantas disputas acabou por causar desconforto, trouxe de fora vaticínios indevidos e injustos, calúnias, deixou-nos sob fogo cerrado por muitos dezembros. Mas a vida é o que é e seguimos.

Fomentamos e promovemos todos os expedientes do esporte, das artes plásticas, das criações literárias, o desenvolvimento das artes cênicas, os livros, a fé e as violas. O A Praça foi muito além e superou os sonhos mais loucos que um dia ousamos sonhar.

Acabamos por acumular, além de uma couraça que tudo repele, uma estrada pavimentada por pedras que recolhemos pelo caminho. A grandeza que é fazer um jornal de circulação ininterrupta, cuja vida já ultrapassa 25 anos, supera qualquer percalço e faz-nos prosseguir.

Dos nosso leitores o que temos recebido são flores sob a forma de sentimentos nunca antes mensurados. Somos responsáveis por informação, notícias, responsabilidade, ética. Tocamos o dia a dia, fazemos a diferença. Não é fácil!

Busquemos o essencial, celebremos nossas conquistas, acreditemos nos desafios, sejamos a memória viva do nosso povo, o documento das vidas da nossa gente.

Que muitos anos mais possam vir.

Viva o Jornal A Praça, o jornal de Iguatu!

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