Voluntária vive rotina de alimentar animais na Fransquinha Dantas e Benevenuto Mendonça

02/05/2026

Em dois horários do dia, manhã e tarde, Maria Terezinha Queiroz Machado, ‘Mariazinha’, 69, cumpre religiosamente a rotina de alimentar animais de rua, cães e gatos nas avenidas Fransquinha Dantas e Benevenuto Mendonça. Os animais assistidos pela voluntária foram abandonados nas ruas ou já nasceram lá. Por falhas de controle de natalidade e de ação preventiva, os pets se reproduzem aleatoriamente, muitos nascem, crescem e morrem nas ruas sem ter um local adequado ou serem adotados por algum tutor.

Mariazinha alimenta por dia cerca de 110 animais, a maioria cães. Pela manhã ela começa a distribuir comida por volta das 11h, à tarde a maratona começa às 15h e só termina por volta das 17h. Mas a missão não é só distribuir comida. A reboque desta tarefa vem o trabalho de garimpar os alimentos, geralmente flocão de milho com carcaça de frango para os cães, e ração para os gatos. Além disso, é ela quem prepara tudo em sua própria casa. Uma causa abraçada com amor e dedicação. A retribuição vem quando a voluntária chega a cada local e os animais fazem a festa com sua presença. “Desde criança amo a natureza. Sempre cuidei de animais e me identifico com eles. São criaturas divinas, sensíveis, inocentes e amam incondicionalmente”, frisou.

 

Amor aos bichos

Há 15 anos Mariazinha vive essa rotina, desde que reside na Rua Professor João Coelho. Começou alimentando um pequeno grupo perto de sua residência, depois ampliou o raio de alcance para a Av. Fransquinha Dantas, incluindo uma área da Lagoa da Bastiana e Benevenuto Mendonça. Corajosa, ela desbrava o matagal da lagoa, área que margeia a Fransquinha Dantas para alimentar os animais. Quando estão doentes, são resgatados por ela e recebem cuidados.

Pouquíssimas pessoas teriam a mesma coragem e disposição desta senhora de olhar calmo e espírito humano iluminado. Sua sensibilidade em perceber as necessidades dos animais e tentar atender ultrapassa todas as barreiras do preconceito e discriminação. Apesar de ouvir paulatinamente xingamentos e impropérios daqueles que são contrários à causa animal, ela não desiste, nem revida as agressões verbais.

Mariazinha, com todo seu amor à causa dos bichos, é uma entre outros voluntários que estão assumindo a responsabilidade que é do poder público. Coerente seria os órgãos público organizarem um espaço adequado para receber os animais, com equipe multidisciplinar, inclusive médico veterinário, assistentes e técnicos, de modo que os animais que estão nas ruas fossem recolhidos e recebessem tratamento de suas doenças, para futuramente serem disponibilizados para adoção. A cidade sobra em espaços públicos que poderiam ser aproveitados bastando para isso apenas haver interesse público e vontade política.

Fome, abandono e maus-tratos

De acordo com Mariazinha, atualmente existe um programa de castração na cidade, mas só atende animais domésticos, ou quando protetores conseguem capturar. “O alvo dessas campanhas teria que ser as cadelas de rua que sofrem a fome, o abandono e maus-tratos junto com seus filhotes”, afirmou.

A idosa realiza o trabalho diariamente, incluindo sábados, domingos e feriados. Outras mulheres, Suelde, Silmara e Gislayne, também são voluntárias e prestam assistência. “Faço questão de citar os nomes delas, porque se não fossem elas eu não estaria mais nesta luta”, ressaltou.

Quando fala em luta, a voluntária não se refere apenas alimentar os animais. O fardo sobre os ombros é bem maior do que se possa imaginar e muito mais pesado do que possa parecer. Sempre que um animal adoece, começa uma maratona para levantar os fundos necessários para fazer o tratamento, atendimento veterinário, internação, medicamentos.

Uma cadela que pariu nove filhotes na Av. Fransquinha Dantas está levando os voluntários à loucura. Mesmo recebendo os cuidados de outros voluntários, apenas uma parte dos filhotes foi adotada. Os voluntários estão numa corrida contra o tempo para conseguir os tutores que possam adotar os outros filhotes evitando que eles permaneçam nas ruas se reproduzindo aleatoriamente, fazendo aumentar cada vez o número de animais abandonados, um problema crônico que parece passar despercebido aos olhos das autoridades. Somente em um local da Av. Benevenuto Mendonça 12 cadelas estão sendo mantidas num espaço doado. Deste total apenas uma está castrada, as demais estão no ciclo ativo reprodutivo. Se essas cadelas entrarem no cio e se misturarem com os cães machos que estão soltos nas ruas, em pouco mais de três meses certamente serão de 10 a 11 ninhadas de filhotes, que já nascerão carentes de lugar para morar.

A reportagem se refere apenas a uma senhora de quase 70 anos, que dedica seus dias e suas posses para cuidar de animais abandonados em apenas uma área da cidade. Imaginem os leitores os outros pontos da cidade que estão repletos de animais abandonados, também com seus problemas e suas necessidades e entregues à própria sorte.

Prefeitura

A reportagem procurou a Secretaria de Proteção Animal para falar sobre as ações no município, mas até o fechamento da edição não recebeu resposta.

 

MAIS Notícias
Iguatu vira palco nacional da vaquejada e impulsiona economia local
Iguatu vira palco nacional da vaquejada e impulsiona economia local

A cidade de Iguatu já vive clima de festa com a realização da 14ª Vaquejada dos Amigos, um dos eventos mais tradicionais do calendário local e que vem movimentando o município com a presença de competidores e visitantes de várias regiões do país. A competição integra...

Chuvas de abril ficam abaixo da média em Iguatu
Chuvas de abril ficam abaixo da média em Iguatu

O mês de abril em Iguatu terminou com volume de chuvas abaixo do esperado, segundo dados da Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos - Funceme. A média histórica para o período era de 205,7 milímetros, mas o município registrou 184,3 milímetros,...

Comissão avança em projeto do Complexo Religioso de Senhora Santana
Comissão avança em projeto do Complexo Religioso de Senhora Santana

A cidade de Iguatu avança nas articulações para a construção do Complexo Religioso de Senhora Santana, projeto que vem mobilizando diferentes setores da sociedade por meio de comissão organizadora e liderada pela Diocese de Iguatu. A iniciativa tem ganhado força com a...

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *