83 anos de Caetano Veloso

09/08/2025

Kleyton Bandeira Cantor, compositor e pesquisador cultural

Kleyton Bandeira
Cantor, compositor e pesquisador cultural

Poucos artistas encarnam com tanta complexidade a história cultural do Brasil quanto Caetano Veloso. Nascido em Santo Amaro da Purificação, na Bahia, em em 07 de agosto de 1942, Caetano não é apenas um cantor e compositor: é um pensador estético, um poeta das ambiguidades brasileiras, um provocador nato — e, ao mesmo tempo, um defensor das raízes. Desde que surgiu no cenário nacional, no final dos anos 1960, ao lado de nomes como Gilberto Gil, Gal Costa e Tom Zé, Caetano nunca se permitiu ser apenas uma voz. Ele é um movimento.

Com o Tropicalismo, Caetano e seus pares chacoalharam a música popular brasileira. Misturaram Beatles com baião, guitarras elétricas com berimbau, concretismo com cordel. Foram incompreendidos por muitos, mas abriram caminho para uma MPB que não precisasse escolher entre o moderno e o popular, entre o estrangeiro e o nacional. O disco Tropicália ou Panis et Circencis (1968) segue como um manifesto artístico de rara ousadia.

A ditadura militar o prendeu em 1968. O exílio, ao lado de Gil em Londres, se tornaria um marco existencial e sonoro. De lá, vieram músicas como London, London – que mais parecia uma oração do que uma música – e uma ampliação de sua sensibilidade cosmopolita — sem nunca abandonar o vínculo visceral com o Brasil. Nos anos seguintes, Caetano transitou por diversos gêneros: do samba ao rock, da bossa nova ao eletrônico, sempre com a mesma inquietação criativa.

Sua obra é marcada por letras densas, muitas vezes herméticas, mas também por melodias que grudam na alma. Em canções como Sampa, O Leãozinho, Sozinho ou Você é Linda, Caetano revela uma ternura que contrasta com sua postura, às vezes, intelectualizada e crítica. Nos palcos, é presença magnética. Nos debates públicos, nunca se escondeu — amado por muitos, incompreendido por outros tantos.

83 anos de uma vida vivida com intensidade na busca do belo, e, mesmo agora, com os fios brancos como as ondas do mar da Bahia sobre a cabeça, Caetano ainda é um menino, ainda é risco, ainda é rastro. Seus olhos não cessam de procurar as belezas escondidas nas dobras do pensamento.

Caetano é uma música que não acaba nunca, é um poema que muda de forma a cada nova leitura e que você nunca conseguirá compreendê-lo.

Caetano é aquele que erra questões sobre sua própria obra nas provas do ENEM.

Caetano é um verdadeiro mutante brasileiro.

Viva Caetano Veloso!

Viva a música popular brasileira!

Por hoje ficamos por aqui e bom final de semana!

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Competências socioemocionais: a base para aprender Precisamos parar e refletir sobre uma questão fundamental da educação: não existe aprendizagem significativa sem equilíbrio entre competências cognitivas e socioemocionais. As competências cognitivas permitem acessar, compreender e reproduzir conhecimentos. Mas são as competências socioemocionais que ajudam o indivíduo a acessar, manusear e utilizar aquilo que aprende. O pesquisador Antonio Damásio demonstra, em seus estudos, que não podemos compreender o cérebro separado do corpo. Aprendemos aquilo que, de alguma maneira, faz sentido para nós. A emoção participa desse processo porque nosso organismo precisa reconhecer determinada informação como importante para direcionar atenção e recursos neurais a ela. Durante muito tempo, os papéis estavam mais definidos. A escola concentrava-se na formação cognitiva, enquanto a família oferecia uma base cotidiana de formação: tarefas domésticas, respeito aos mais velhos, cumprimento de horários, responsabilidades, limites e convivência. Hoje, essa divisão tornou-se mais complexa. Em muitas famílias, faltam papéis claros, regras consistentes, responsabilidades, rotina e convivência. E, quando essa base não existe, a escola acaba recebendo uma criança que precisa aprender conteúdos, mas que ainda não desenvolveu suficientemente as condições emocionais para aprender. O resultado aparece na dificuldade de esperar, ouvir, focar, negociar, lidar com o “não”, aceitar frustrações e persistir diante das dificuldades. Precisamos, portanto, tomar cuidado com uma educação baseada no excesso de proteção, mimos, facilidades e status. Quando os pais fazem tudo pelos filhos, evitam qualquer frustração e elogiam excessivamente beleza, inteligência, notas ou conquistas, podem, sem perceber, formar crianças mais dependentes da aprovação e menos dispostas a enfrentar desafios. O que devemos elogiar? O processo. Elogie o esforço, a dedicação, a disciplina, a determinação e a capacidade de tentar novamente. É aqui que encontramos a contribuição de Carol Dweck com a ideia do “ainda”: “Você ainda não conseguiu”; “Ainda não deu certo”; “Ainda não foi dessa vez”. Isso muda a relação da criança com o erro. O fracasso deixa de ser uma sentença e passa a ser parte do processo de aprendizagem. Precisamos também ensinar a criança a esperar, ceder, negociar, compartilhar, respeitar regras e lidar com a frustração. Essas experiências são treinamentos fundamentais de autorregulação emocional. Por isso, algumas frases precisam deixar de comandar nossas decisões: “Não quero que meu filho fique irritado comigo”; “Não quero que meu filho deixe de ser meu amigo”; “Não quero contrariá-lo”. O papel dos pais não é evitar todo desconforto. É oferecer pertencimento, segurança, clareza e direção. Se queremos crianças emocionalmente fortes e felizes, precisamos parar de educá-las para nunca sofrer e começar a educá-las para persistir, esperar, respeitar, negociar, assumir responsabilidades e continuar tentando. Afinal, o sucesso não é determinado apenas pela capacidade de acertar. Muitas vezes, ele é determinado pela capacidade de persistir quando ainda não deu certo.

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