O sonho fez-se realidade

03/08/2019

Há quarenta anos a Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Iguatu, nossa querida FECLI, vem prestando relevantes serviços a pelo menos 20 cidades do interior do estado. É incalculável, pois, o que representa isso em termos de formação de profissionais especializados em diferentes áreas de atuação, direta ou indiretamente ligadas à educação institucional propriamente dita, e, sobretudo, em elevação dos parâmetros intelectuais, de comportamento social, político e, o que é ainda mais significativo, de participação efetiva nas mais diversas questões de interesse dos municípios servidos por essa respeitável Instituição Estadual de Ensino.

Fiz parte de uma geração a quem coube implantar, organizar e desenvolver a FECLI; participei de cada momento, enfrentei com os companheiros dessa geração dificuldades inimagináveis, das limitações de recursos materiais e humanos para tocar o dia a dia da Instituição aos enfrentamentos físicos para ter de volta a sede do bairro Areias, quando, por razões compreensíveis, a construtora responsável por obras de sua primeira reforma significativa impedia-nos de reocupar seus espaços físicos; estive envolvido com as campanhas de aquisição de títulos para a sua biblioteca; coordenei cursos e chefiei departamentos; fui vice-diretor geral; dei minha contribuição nas ações que tinham por objetivo assegurar o reconhecimento de seus cursos; assim como atuei como professor de pelo menos cinco ou seis disciplinas curriculares nos cursos de Educação e Letras.

As afirmações acima, quero evidenciar, não refletem qualquer intenção que não a de legitimar o fato que me deixa hoje realizado como ex-professor, como intelectual, como cidadão iguatuense – e que faço questão de destacar com todas as letras: “Faço parte dessa história! Vi a FECLI nascer, crescer e se tornar a instituição respeitável que é ao longo desses muitos anos!”

Mas é hora de reconhecer a importância de todos que contribuíram para esta realidade, mesmo aqueles estranhos aos vínculos empregatícios juntos à Instituição, a exemplo dos que já nos deixaram e que faço questão de citar aqui: Carlos Roberto Costa, João Elmo Moreno, Aluísio Moreira, João Gualberto Filho, Raimundo Felipe, Elze Montenegro e, integrantes do seu quadro de professores, José Ériton Barros Costa e Edson Luiz Gouvêia.

No momento em que a universidade brasileira é escolhida como alvo de agressões inomináveis, numa prática escancarada do ideário neofascista que ataca perversamente a democracia no país, festejemos o quadragésimo aniversário da Faculdade de Educação, Ciências e Letras de Iguatu, e que esta festa corporifique simbolicamente a resistência dos iguatuenses às forças do atraso, do imaginário conservador nacional, das políticas economicistas, autoritárias, racistas, homofóbicas e misóginas que ameaçam o Brasil. O sonho fez-se realidade!

Álder Teixeira é Mestre em literatura Brasileira e Doutor em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais

MAIS Notícias
Os Sonhadores*
Os Sonhadores*

    “Vem, vamos embora/Que esperar não é saber/Quem sabe faz a hora/Não espera acontecer”. Os versos, extraídos da letra da canção ‘Pra não dizer que não falei de flores’, composta por Geraldo Vandré, em 1968, constituem o estribilho que chamou à luta os...

O vinho, o voto e a verdade
O vinho, o voto e a verdade

    “Poetas, seresteiros, namorados, correi!/ É chegada a hora de escrever e cantar,/ talvez as derradeiras noites de luar”!   Os versos acima são de Gilberto Gil, e foram extraídos da letra de Lunik 69, que faz referência à ambição do homem norte-americano...

Tristes Partidas
Tristes Partidas

    Num momento tão delicado da vida nacional, estando o país sob ameaças concretas de trágico retrocesso político e desconstrução do Estado Democrático de Direito, é lamentável que dois grandes nomes da cultura brasileira tenham nos deixado: Aracy do Amaral...

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *