Projeto IG Catu homenageia pescadores do rio Jaguaribe e alerta para preservação ambiental

28/03/2026

A ação realizada no bairro Fomento, às margens do rio Jaguaribe, reconheceu o trabalho de 13 pescadores e discutiu os desafios ecológicos enfrentados pela preservação do manancial em Iguatu.

Na última segunda-feira, 23, o Projeto Ig Catu – Museu Vivo, desenvolvido pela Associação de Idosos Santa Edwiges, promoveu o encontro desta vez em homenagem a 13 pescadores que atuam e atuavam no do rio Jaguaribe. Foi uma manhã festiva de reconhecimentos e também de alerta ambiental. A iniciativa busca valorizar o papel fundamental desses trabalhadores da pesca no rio que contribui para renda, principalmente a segurança alimentar de suas famílias.

O encontro, que aconteceu na propriedade do agricultor Manoel Valdenir, foi marcado por café da manhã com pratos típicos, apresentações culturais, tendo como cenário a vegetação nativa que margeia o rio servindo como debate durante as apresentações e relatos de vida e memórias dos pescadores. Mais do que uma confraternização, o evento destacou a importância histórica da pesca artesanal para a construção da identidade local. Durante o evento, foi lida a biografia dos homenageados: José Itamar Pereira, Edmilson Bernadino de Franca, Antônio Roseno, José Alberto Pereira Araújo – Galo, Raimundo Ramalho Pereira – Raimundo Touro, José Francisco dos Santos – Zé Baú, José Leandro de Souza – Maninho do Gesso, Francisco Pereira da Silva (Wilson Touro), Valderci Benedito da Silva, Antônio Gonçalves da Silva (in memoriam, Antônio Elânio Nogueira Cândido – Bigode, Pedro Carneiro da Silva (in memoriam) e Geraldo Padeiro.

Conscientização ambiental

Além das homenagens, a pauta ambiental sempre é destaque. Durante o encontro, Neto Braga, idealizador do projeto, mostrou preocupação com a situação crítica do rio Jaguaribe, que sofre com o avanço da poluição, retirada de areia e o desmatamento da mata ciliar nativa. O debate reforçou a urgência de pôr em prática políticas de preservação para garantir que o rio volte a ter atividades sustentáveis para as futuras gerações. “A proposta é dar reconhecimento a pessoas que, muitas vezes, desempenham um papel vital na sociedade, mas não recebem o devido valor”, afirmou Neto Braga.

A ação uniu valorização cultural e mobilização social, reafirmando o compromisso do projeto com a memória e a sustentabilidade da região.

Projeto de Lei

Neto Braga reforçou o apoio do deputado estadual Assis Diniz (PT) pela conquista da inclusão do Projeto Abaeté no Calendário Estadual de Eventos do Ceará, Lei (19.469) sancionada pelo governador Elmano de Freitas (PT), no dia 6 de outubro de 2025, publicada no Diário Oficial em 7 de outubro de 2025. “Nossos esforços enquanto memorialistas no projeto Ig Catu – Museu Vivo: Nos trilhos da cultura vão muito além de apenas registrarmos as histórias do povo que vive e viveu nas terras da água boa; e vão ainda mais além de um esforço para manter essas memórias livres de serem totalmente oxidadas pela ação corrosiva do tempo. Ao registrarmos em nossas linhas as vidas, paixões e mortes daqueles dentre nós que ficaram esquecidos ou escondidos na história oficial por não contarem com a sorte de um berço de ouro, estamos justiçando as gerações passadas ao contarmos a história em outras perspectivas: a do povo, a dos desvalidos e famintos; o caminho que fizemos para chegar até aqui; o mapa que foi traçado para a conquista de nossos orgulhos e vergonhas enquanto sociedade”, ressaltou Braga.

Para Neto Braga, o projeto Ig Catu tornou-se uma importante ação de preservação e valorização pela luta em defesa do rio, dando visibilidade às pessoas que têm forte ligação com o manancial. “O Ig Catu, vejo ao longo de todos esses anos um documentário das condições exploratórias e miseráveis nas quais os avós e pais de muitos subsistiram, compelidos — seja por um patrão ou pela fome — a uma existência indigna ao ser humano, apartados do pleno desenvolvimento de suas capacidades. Suas histórias nos mostram a importância das conquistas sociais de que hoje usufruímos e apontam o caminho a continuar para que não haja possibilidade de retrocesso. É necessário conhecermos o passado de nossos pais e avós para compreendermos que a sociedade em que hoje vivemos em muito se assemelha à em que eles viveram. Os papéis continuam os mesmos, o que muda são os atores”, disse.

“É preciso ter dentro de si um ódio contra essa realidade que brutaliza nossa geração e a estupidifica com entretenimento inútil para afastar a revolta; reconhecer o sistema adoecido em que vivemos para, assim, não nos deixarmos enganar por aqueles que querem nos fazer crer que nossos inimigos são aliados, ou vice-versa. É para isso que contamos as histórias daqueles que de fato deram suas vidas à causa da construção de nossa terra, contribuindo com seu trabalho e sangue familiar à formação de nosso Iguatu — sejam professoras da roça, carroceiros, chapeados, lavadeiras de roupa no rio, ferroviários, vendedores ambulantes da pedra da estação; todos proletários que viveram uma vida de renúncias e esforços na construção de seus legados. Muitos dentre eles, carregados de ambições no peito que se fizeram troncos por nunca poderem realizar-se; ambições estas que hoje seus netos podem alcançar, seja entrar numa universidade pública, se tornar doutor ou apenas garantir um nível de vida que não os obrigue a viver uma vida severina, vida de exploração”, acrescentou.

“No Projeto Ig Catu – Museu Vivo: Nos trilhos da cultura, revitalizamos a memória de nosso povo assim como buscamos revitalizar as águas de nosso rio, pois ambos estão entrelaçados, tendo o Iguatu, a terra da água boa, sido criada pela riqueza e abundância que provinham das águas do nosso Jaguaribe”, finalizou.

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