Enfrentamento da violência contra a mulher

04/04/2026

 

Por Giovanna Alves Fernandes

A filósofa Simone de Beauvoir afirmou que “ninguém nasce mulher; torna-se”, evidenciando que os papéis atribuídos ao gênero feminino são construções sociais. No Brasil, tais construções muitas vezes reforçam uma cultura machista que contribui para a violência de gênero culminado em casos extremos como o feminicídio. Nesse contexto, torna-se necessário discutir as causas desse problema e os caminhos para combatê-lo.

Em primeiro lugar, é importante destacar que o machismo estrutural presente na sociedade brasileira contribui muito para a continuidade da violência contra a mulher. Desde cedo, muitos indivíduos são socializados em uma cultura que trata como “normal” a desigualdade de gênero e coloca a mulher em um lugar submisso. Como consequência, atitudes de controle, agressão e desvalorização do gênero feminino podem evoluir para formas mais graves de violência.

Além disso, embora existam leis que buscam combater a agressão contra a mulher, muitas vezes elas não são aplicadas de forma eficaz. Um exemplo disso é a Lei Maria da Penha, criada para proteger mulheres vítimas de violência doméstica. Porém, muitas vezes essas mulheres têm medo de denunciar por serem ameaçadas, ou até mesmo por dependência emocional, correm perigo todas as horas dentro de casa, como o feminicídio ou outros casos.

Portanto, torna-se necessário ampliar as estratégias de combate ao feminicídio no Brasil. Para isso, o estado, por meio do Ministério da Justiça, deve investir em campanhas educativas nas escolas e nos meios de comunicação, com o objetivo de desconstruir padrões machistas e promover respeito entre gêneros.

Giovanna Alves Fernandes, 14, estudante do 9º ano da Escola Modelo, é uma jovem marcada por suas raízes familiares e pela simplicidade das coisas que ama. Filha de Tadeu Campos Fernandes e Andrea Alves Teixeira, construiu sua história sendo criada com muito carinho pelos avós Paulino Holanda e Almeri Alves, que tiveram um papel fundamental em sua formação e em seus valores.

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Competências socioemocionais: a base para aprender Precisamos parar e refletir sobre uma questão fundamental da educação: não existe aprendizagem significativa sem equilíbrio entre competências cognitivas e socioemocionais. As competências cognitivas permitem acessar, compreender e reproduzir conhecimentos. Mas são as competências socioemocionais que ajudam o indivíduo a acessar, manusear e utilizar aquilo que aprende. O pesquisador Antonio Damásio demonstra, em seus estudos, que não podemos compreender o cérebro separado do corpo. Aprendemos aquilo que, de alguma maneira, faz sentido para nós. A emoção participa desse processo porque nosso organismo precisa reconhecer determinada informação como importante para direcionar atenção e recursos neurais a ela. Durante muito tempo, os papéis estavam mais definidos. A escola concentrava-se na formação cognitiva, enquanto a família oferecia uma base cotidiana de formação: tarefas domésticas, respeito aos mais velhos, cumprimento de horários, responsabilidades, limites e convivência. Hoje, essa divisão tornou-se mais complexa. Em muitas famílias, faltam papéis claros, regras consistentes, responsabilidades, rotina e convivência. E, quando essa base não existe, a escola acaba recebendo uma criança que precisa aprender conteúdos, mas que ainda não desenvolveu suficientemente as condições emocionais para aprender. O resultado aparece na dificuldade de esperar, ouvir, focar, negociar, lidar com o “não”, aceitar frustrações e persistir diante das dificuldades. Precisamos, portanto, tomar cuidado com uma educação baseada no excesso de proteção, mimos, facilidades e status. Quando os pais fazem tudo pelos filhos, evitam qualquer frustração e elogiam excessivamente beleza, inteligência, notas ou conquistas, podem, sem perceber, formar crianças mais dependentes da aprovação e menos dispostas a enfrentar desafios. O que devemos elogiar? O processo. Elogie o esforço, a dedicação, a disciplina, a determinação e a capacidade de tentar novamente. É aqui que encontramos a contribuição de Carol Dweck com a ideia do “ainda”: “Você ainda não conseguiu”; “Ainda não deu certo”; “Ainda não foi dessa vez”. Isso muda a relação da criança com o erro. O fracasso deixa de ser uma sentença e passa a ser parte do processo de aprendizagem. Precisamos também ensinar a criança a esperar, ceder, negociar, compartilhar, respeitar regras e lidar com a frustração. Essas experiências são treinamentos fundamentais de autorregulação emocional. Por isso, algumas frases precisam deixar de comandar nossas decisões: “Não quero que meu filho fique irritado comigo”; “Não quero que meu filho deixe de ser meu amigo”; “Não quero contrariá-lo”. O papel dos pais não é evitar todo desconforto. É oferecer pertencimento, segurança, clareza e direção. Se queremos crianças emocionalmente fortes e felizes, precisamos parar de educá-las para nunca sofrer e começar a educá-las para persistir, esperar, respeitar, negociar, assumir responsabilidades e continuar tentando. Afinal, o sucesso não é determinado apenas pela capacidade de acertar. Muitas vezes, ele é determinado pela capacidade de persistir quando ainda não deu certo.

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