Museu Iguatuense da Imagem e do Som

23/05/2026

Vejo na rede social um vídeo em que o secretário de Cultura da cidade de Iguatu, Honório Barbosa, comenta pelo prisma jornalístico a reabertura do Museu Iguatuense da Imagem e do Som, instituição erigida durante a administração do prefeito Hildernando Bezerra a partir de Lei de minha autoria aprovada pela Câmara Municipal.

Era o meu primeiro mandato como vereador, período em que atuei enfaticamente no campo da arte e da cultura, buscando alternativas de ação contra um dos mais graves problemas da cidade no que diz respeito às coisas da inteligência, da arte e da cultura de um modo geral: a falta de memória, o esquecimento, a indiferença em relação a tudo que não esteja diretamente relacionado ao que, na falta de melhor expressão, pode-se definir como o lado prático das coisas, entendendo-se por isso a forma objetiva de ganhar a vida ou acumular a riqueza material.

Sob esse aspecto, sendo um dos mais importantes municípios do interior do estado, Iguatu esteve sempre muito atrás de outras cidades, a exemplo do triângulo Crato, Juazeiro e Barbalha, onde a produção cultural jamais deixou de ser objeto da atenção da população como um todo, das lideranças políticas, dos artistas e dos intelectuais.

Não por razões estranhas ao que afirmo aqui, é que essas cidades se destacaram como centros de produção de muito do que existiu e existe no estado de mais significativo em termos de cultura popular, literatura, teatro, dança, música e outras expressões artísticas de reconhecido valor para além de suas fronteiras geográficas.

À mesma época, tendo participado da elaboração da Lei Orgânica do Município, avanço inestimável como caminho para se pensar a vida dos municípios nunca perspectiva mais atenta às suas particularidades econômicas, culturais, históricas etc., sem que se perca de vista a necessidade de intercâmbio de vocações e potencialidades regionais, no entanto, é que me debrucei sobre um conjunto de ações que tinham por objetivo a revitalização de nossas tradições culturais e o incentivo à pesquisa de novas possibilidades no terreno da produção cultural, do estímulo à leitura, da educação estética, da formação de uma consciência política capaz de vencer preconceitos e romper barreiras historicamente fortalecidas pelo descaso das autoridades e inexistência de projetos de largo alcance no campo da educação e da arte.

Ao lado desses esforços, muitas vezes incompreendidos ou intencionalmente desprezados pelos poderes constituídos, de que infelizmente fiz parte como uma voz quase isolada e por isso mesmo muitas vezes impotente, é que deixei na “constituição municipal” dispositivos legais quase nunca observados, a exemplo da obrigatoriedade de preservação do patrimônio arquitetônico, logradouros, monumentos e edificações, essas, por exemplo, proibidas de demolição ou reformas estruturais e de fachada que desfigurassem sua aparência física e/ou funcionalidade.

É olhar ao redor, leitor, e ver que essas investidas legais não foram, não são e, não é muito arriscar, jamais serão obedecidas. A cidade e seus “cidadãos”, com sua vocação para a chamada dimensão prática das coisas e a acumulação da riqueza, hoje, como ontem e talvez amanhã, vive assim sua vida vidinha, exceto para uns poucos que podem viajar e ter acesso aos bens culturais de real valor e significado.

Nesse contexto e nessa perspectiva, é que aplaudo a reabertura do MIS (Museu Iguatuense da Imagem e do Som), não apenas como seu fundador, muito embora esquecido, coisa de resto irrelevante, mas acima de tudo como filho da cidade em que nasceram Eleazar de Carvalho, Humberto Teixeira, Fran Martins, e, por adoção, o cantor e compositor Evaldo Gouveia.

Ainda que a distância, torço para que se dê importância à Arte e à Cultura, e que, Fênix, renasça das cinzas a Memória do que um dia fez de nossa terra motivo de orgulho.

 

Álder Teixeira é Mestre em literatura Brasileira e Doutor em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais

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