Michel Prudêncio representa Iguatu na II Conferência Nacional de Arquivos

30/05/2026

Brasília-DF sediou, entre os dias 26 e 28, a II Conferência Nacional de Arquivos (CNArq), evento promovido pelo Ministério da Gestão e da Inovação em Serviços Públicos, Arquivo Nacional e Conselho Nacional de Arquivos (CONARQ) que reuniu representantes de todo o país para discutir os rumos da política arquivística brasileira.

A delegação cearense formada por 12 delegados eleitos na Conferência Estadual esteve presente. O produtor cultural, memorialista e pesquisador iguatuense Michel Prudêncio participou do momento de construção da Política Nacional de Arquivos. Ele está articulando o projeto de ‘Museu Afrodiaspórico’ para o bairro Santo Antônio.

Com o tema “Arquivos: agentes da cidadania e da democracia”, a conferência marcou a retomada nacional do debate após 15 anos da primeira edição. Michel Prudêncio foi eleito delegado durante a Conferência Estadual de Arquivos do Ceará. Sua atuação é no Eixo 6 — “Arquivos Privados e Comunitários, Pluralidade da Memória e Interesse Público e Social”, espaço que discute o reconhecimento e fortalecimento de acervos comunitários, culturais e populares como parte essencial da memória brasileira. De acordo com Michel, o eixo dialoga diretamente com a própria trajetória dele, que atua em projetos voltados à preservação da memória cultural e documental no interior cearense, especialmente por meio das ações do Instituto Santo Antônio de Artes, Cultura e Educação Social e da Biblioteca Comunitária da Vila Neuma. Os projetos desenvolvidos pelas instituições envolvem documentação cultural, registros audiovisuais, preservação de acervos populares, memória oral e valorização das identidades periféricas e afro-brasileiras.

Ainda segundo Prudêncio, a participação na conferência representa um avanço importante para que os territórios populares sejam reconhecidos também como produtores de memória e conhecimento. “Durante muito tempo a memória oficial do Brasil ignorou os arquivos das periferias, dos movimentos culturais, das comunidades negras e dos grupos populares. Estar aqui é defender que nossos acervos também são patrimônio da sociedade brasileira”, destacou.

A II CNArq discute seis grandes eixos voltados à formulação de propostas para uma Política Nacional de Arquivos, envolvendo temas como transparência pública, preservação documental, gestão da informação, acesso à memória e fortalecimento de arquivos comunitários e privados. “Entre os debates centrais está justamente o reconhecimento dos arquivos produzidos por coletivos, associações culturais, grupos populares e organizações sociais como instrumentos fundamentais para a democracia e os direitos humanos,” pontuou.

Museu Afrodiaspórico

Além da participação na conferência, Michel Prudêncio aproveitou para fazer uma visita institucional ao Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), em Brasília. Por lá buscou articulação e orientação técnica para iniciar o processo de construção de um Museu Afrodiaspórico no bairro Santo Antônio. “Fui recebido por Joel Santana, diretor do IBRAM, uma reunião que fortaleceu o diálogo para futuras parcerias e orientações institucionais voltadas ao nosso projeto. O Museu Afrodiaspórico nasce da necessidade de preservar e contar a história negra do nosso território a partir do nosso próprio olhar. O bairro Santo Antônio possui uma riqueza cultural gigantesca, marcada pela memória popular, pela musicalidade, pelas manifestações culturais e pelas trajetórias negras que ajudaram a construir Iguatu”, afirmou.

A proposta do museu busca reunir documentos, fotografias, registros audiovisuais, depoimentos, objetos históricos e acervos culturais ligados à presença negra e periférica na cidade, fortalecendo ações de educação patrimonial, identidade cultural e preservação da memória coletiva. Para Michel, a participação na II Conferência Nacional de Arquivos amplia o diálogo entre cultura, memória, documentação e direito à história. “Quando um povo perde seus arquivos, perde também parte da sua identidade. Preservar a memória é preservar dignidade, pertencimento e futuro”, concluiu.

Conferência Estadual de Arquivos

O Ceará promoveu, pela primeira vez, a sua Conferência Estadual de Arquivos. A Conferência Estadual fez parte da etapa preparatória para a 2ª Conferência Nacional de Arquivos (2ª CNArq), que aconteceu em Brasília. Nessa conferência o Ceará definiu representantes e propostas que foram levadas à Brasília. 16 nomes integraram a delegação cearense com lista formada por oito representantes do Poder Público e oito da Sociedade Civil. 12 propostas aprovadas (sendo até duas por cada eixo temático) foram encaminhadas à Comissão Organizadora Nacional para apreciação e deliberação na etapa nacional.

A programação da 1ª Conferência Estadual de Arquivos foi composta por meio dos seguintes eixos temáticos: I – Marco Legal, Governança Arquivística e Perspectivas para uma Política Nacional de Arquivos; II – Gestão de Documentos como Infraestrutura Democrática;
III – Preservação e Patrimônio Arquivístico; IV – Acesso, Transparência, Inclusão e Promoção da Cidadania; V – Ensino e Pesquisa em Arquivologia e Condições de Trabalho nos Arquivos; VI – Arquivos Privados, Pluralidade da Memória e Interesse Público e Social.

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