Covid-19

14/03/2020

Amiga envia-me vídeo sobre “Veneza Vazia”. A força e a beleza das imagens, que tiveram para mim a mesma contundência da declaração, na quarta-feira, 11, de pandemia pela OMS, em face do crescimento assustador do número de casos de contaminados pelo covid-19, mundo a fora, a um só tempo encanta e entristece.

É duro ver aquela que talvez seja a mais bela cidade do mundo, cenário consagrado aos amantes e artistas de todos os lugares, esvaziada ante a ameaça realista de contaminação descontrolada nesse país tão belo e tão rico em arte e cultura. De cortar coração.

Enquanto escrevo esta coluna, na tarde da quinta-feira 12, já somam 118 mil os casos no mundo, e algo em torno de 4.300 mortes já são registradas.

Só na Itália, até aqui, são 12,4 mil casos e quase mil óbitos. O número tende a crescer nas próximas horas, mesmo no contexto de um país em quarentena, onde só os estabelecimentos comerciais de alimentação e saúde mantém abertas as suas portas.

Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump anunciou ontem o fechamento de suas fronteiras a voos originados da Europa, exceto do Reino Unido.

O Congresso americano cuida de liberar recursos na ordem de US$ 50 bilhões a fim de amparar com empréstimos a juros baixos pequenas empresas afetadas pelo surto do covid-19.

No Brasil, na contramão das evidências de que seremos frontalmente atingidos (o número de casos mais que dobrou em 24 horas), a irresponsabilidade de um presidente louco tenta manter a população indiferente à necessidade urgente de medidas que possam atenuar as consequências previsíveis de um surto já desencadeado.

Médicos cearenses advertem para a inexistência de uma estrutura hospitalar no estado que garanta assistência adequada aos afetados pela doença, como antevendo que o Ceará, cedo ou tarde, será inevitavelmente alcançado pelo surto desenfreado da doença.

Como consequência, é óbvio que se preveem mortes, nomeadamente entre idosos a partir dos sessenta anos.

A recomendação é de que se evitem as saídas desnecessárias de casa, os lugares públicos cujas condições sanitárias não atendam às medidas de precaução, entre os quais se incluem templos religiosos, cinemas, teatros, estádios, bares e restaurantes fechados e feiras populares.

É importante, destacam os profissionais de saúde, que, individualmente, as pessoas mantenham-se atentas em relação aos sintomas, mas que só procurem os hospitais quando as manifestações apontarem, efetivamente, para o risco de contaminação.

Assim, advertem, as unidades de saúde serão destinadas aos casos mais graves da doença.

O que era muito ruim, um país devastado pela desfaçatez, incompetência e obscurantismo dos que o governam, como jamais se pôde ver em toda a história da República, caminha a passos largos para o abismo mais profundo.

Álder Teixeira é Mestre em literatura Brasileira e Doutor em Artes pela Universidade Federal de Minas Gerais

MAIS Notícias
Viagem, essa adorável bailarina
Viagem, essa adorável bailarina

Quem costuma viajar de carro já deve ter reparado: é comum depararmos com viandantes solitários pelas estradas. São seres esgueiriços, incomunicáveis, invariavelmente vestidos em trapos, os pés descalços, cabelos e barbas enormes, verdadeiros anacoretas a trilhar...

Humberto morreu de amor
Humberto morreu de amor

A atividade intelectual e o gosto pelo jornalismo levaram-me a ter o hábito de entrevistar pessoas interessantes, algumas delas famosas. Que me lembre, agora, entrevistei os escritores Jorge Amado, Zélia Gattai, Moreira Campos; o filósofo Edgar Morin; o cantor...

A poderosa mensagem de Bad Bunny*
A poderosa mensagem de Bad Bunny*

  Mesmo quando tudo parece perdido, vem a Arte mostrar sua força e fazer tremer os poderosos. É o que me vem à cabeça quando sento diante do computador para escrever a coluna de hoje. E não que me faltasse pauta, pois o mundo - o Brasil em particular -, anda...

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *