Resumo da parte 1: Sob a chuva de Fortaleza, o investigador Eliarde Evan descobre que a contrabandista de perfumes Vanessa Iana é, na verdade, Alana Isidora, seu amor desaparecido do passado. Dividido entre o dever e o sentimento, ele tenta convencê-la a entregar os chefes do esquema internacional e recomeçar. O reencontro transforma a caçada policial em um doloroso confronto entre justiça e amor.
Na semana seguinte, Eliarde reuniu provas suficientes para derrubar a rede. Mas algo estava errado. Havia movimentações estranhas no porto. Informantes sumindo. Silêncios bruscos nas escutas.
Alana marcara um encontro final.
No antigo armazém 12, à beira-mar.
— Eu decidi aceitar sua ajuda — disse ela, quando ele chegou. — Tenho documentos. Nomes. Contas bancárias.
Ela entregou-lhe um pen drive.
Antes que ele pudesse responder, faróis cortaram a escuridão. Três carros.
Homens armados desceram.
O chefe do esquema surgira pessoalmente.
— Traidora — rosnou ele.
O tiroteio começou como um trovão seco.
Eliarde puxou Alana atrás de uma pilha de caixotes. O cheiro de pólvora misturou-se ao perfume dela.
Ele atirava com precisão calculada, anos de experiência guiando cada movimento. Dois homens caíram. Um terceiro fugiu.
Mas o chefe avançava.
Alana, com um gesto súbito, empurrou Eliarde para o lado quando o disparo ecoou.
O som foi único, definitivo.
O corpo dela estremeceu.
O tiro que seria dele encontrou o peito dela.
Eliarde reagiu em reflexo, atingindo o agressor no ombro. A polícia, alertada previamente por ele, chegou minutos depois. O esquema caiu naquela noite.
Mas no chão do armazém, sob a luz fria das sirenes, Alana respirava com dificuldade.
— Parece… que eu finalmente atravessei a fronteira certa — ela sussurrou, um fio de sangue no canto da boca.
— Não fale — ele implorou.
Ela tocou o rosto dele com dedos já frios.
— Você sempre foi o melhor homem que conheci… Fico feliz… que tenha vencido.
Um último suspiro.
E o perfume de jasmim pareceu dissolver-se no ar.
Meses depois, Eliarde estava novamente no escritório 307. O caso lhe rendera reconhecimento, contratos novos e uma inesperada proposta para integrar oficialmente uma força-tarefa federal.
Aceitou.
Na prateleira, mantinha um único frasco apreendido naquela noite. Não como troféu — mas como lembrança.
Alana Isidora fora criminosa.
Fora traidora.
Fora seu amor.
E no instante final, escolhera salvá-lo.
Eliarde abriu a janela. O vento da tarde entrou suave, espalhando pela sala um leve traço de jasmim imaginado.
Ele sorriu, não de tristeza, mas de compreensão.
Algumas histórias terminam com justiça.
Outras, com redenção.
A dele terminara com ambas.
E, pela primeira vez em muitos anos, Eliarde Evan sentiu-se em paz.
Cauby Fernandes é contista, cronista, desenhista e acadêmico de História

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