A Viagem além da morte

27/06/2025

Eu sou Carlos Duarte, e, até recentemente, eu pensava que sabia o que era a vida. Mas, agora, eu sei que estava errado. Eu morri, ou pelo menos, é o que eu acho. Não sei exatamente como isso aconteceu, mas de repente, eu me encontrei flutuando acima do meu corpo, observando tudo com uma sensação de desapego. Foi após aquele maldito último gole de conhaque barato.

No início, tudo parecia confuso e desorientador. Eu não sabia onde estava ou o que estava acontecendo. Mas, então, eu vi algo que mudou tudo. Um espectro, uma alma de outro plano, apareceu diante de mim. Ele era transparente, etéreo, e emanava uma luz suave e tranquilizadora.

O espectro se aproximou de mim e começou a falar. Sua voz era como um sussurro, mas eu podia ouvir claramente. Ele me disse que eu estava em um estado de transição, um momento em que eu poderia escolher o que fazer em seguida. Eu poderia seguir em frente, para o que muitos chamam de “além”, ou eu poderia voltar à vida, mas com uma nova perspectiva.

O espectro me mostrou coisas que eu nunca havia imaginado. Ele me levou a lugares que eu nunca havia visto, e me mostrou a beleza e a complexidade do universo. Eu vi a vida de uma forma completamente diferente, como uma tapeçaria intricada e interconectada.

À medida que eu viajava com o espectro, eu comecei a entender que a vida não é apenas sobre o que vemos e experimentamos no mundo físico. Há muito mais além disso. Eu vi que cada ação, cada pensamento e cada emoção tem um impacto neste velho mundo de sabores e dissabores.

Quando eu finalmente voltei à vida, eu me senti aprazivelmente diferente. Eu havia sido redefinido, reprogramado, de certa forma. Eu via as coisas de uma maneira completamente nova. Eu percebi que a vida é preciosa e que cada momento é uma oportunidade para fazer algo significativo. Com isso, não quero dizer que me tornei uma pessoa melhor ou positiva, apenas mais consciente.

Eu comecei a concentrar a minha atenção em coisas que realmente importam. Eu parei de me preocupar com coisas triviais e comecei a focar no que é realmente valioso. Devo isso àquele espectro amigo desconhecido.

A experiência com o espectro mudou minha vida para sempre, devo dizer. Eu não sou mais a mesma pessoa que era antes. Eu sou mais consciente, como disse, mais compassivo e mais grato por cada momento que eu tenho. Vejo a vida, agora, por uma perspectiva antes inimaginável para mim.

Eu não sei o que o futuro reserva, mas eu estou pronto para enfrentá-lo com essa nova perspectiva. Eu sei que a vida é uma jornada de agruras e peleja, cheia de surpresas desagradáveis e desafios desgastantes… Mas, vamos em frente, Carlos Duarte… Vamos em frente…

 

Cauby Fernandes é contista, cronista, desenhista e acadêmico de História

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