De Incitatus a Bolsonaro

20/07/2019

Denilson Feitosa Sancho
(Mestrando em Sociologia, licenciado em Sociologia – UFC)

Fazendo uma metáfora bem reflexiva sobre a possível indicação do presidente Jair Bolsonaro do nome do seu filho Eduardo Bolsonaro para embaixador do Brasil no EUA, podemos relembrar da indicação de Calígula, o imperador Romano, como vocês devem saber, ele ganhou fama de ser um dos personagens mais cruéis, depravados e insanos de todos os tempos. Aliás, você já deve ter ouvido mais de uma história sinistra envolvendo esse antigo Imperador Romano – como os relatos de que ele supostamente cometia incesto com suas irmãs, alimentava animais selvagens com seus prisioneiros e que ele tentou nomear seu cavalo, Incitatus, como cônsul.

Fazendo uma comparação não absurda, e nem cometendo um anacronismo, não há uma distância entre Calígula e Bolsonaro, só muda o tempo histórico e os crimes que cada um comete no exercício de poder, porque cada um é filho de um tempo histórico específico, cada um é erro grotesco e um abuso do poder indiscriminado e sem tipo de pudor. Poder que sobe à cabeça e extrapola demais. Falando do caso da possível candidatura do filho de Bolsonaro a ser embaixador do Brasil no EUA, falando constitucionalmente, é uma afronta e fere o princípio da impessoalidade do presidente da república.

Lei nº 8.112/90 no Título IV, Capítulo II, determina as proibições impostas aos servidores públicos, ilustrando, novamente, em alguns de seus dispositivos, a presença do princípio da não pessoalidade, conforme menciona o artigo 117, VIII – manter sob sua chefia imediata, em cargo ou função de confiança, cônjuge, companheiro ou parente até o segundo grau civil; IX – valer-se do cargo para lograr proveito pessoal ou de outrem, em detrimento da dignidade da função pública; Súmula Vinculante 13, no STF diz que: A nomeação de cônjuge, companheiro ou parente em linha reta, colateral ou por afinidade, até o terceiro grau, inclusive, da autoridade nomeante ou de servidor da mesma pessoa jurídica investido em cargo de direção, chefia ou assessoramento, para o exercício de cargo em comissão ou de confiança ou, ainda, de função gratificada na administração pública direta e indireta em qualquer dos poderes da União, dos Estados, do Distrito Federal e dos Municípios, compreendido o ajuste mediante designações recíprocas, viola a Constituição Federal.

Sem esquecer que a carreira de embaixador envolve MERITOCRACIA. Quem deseja entrar na carreira diplomática começa como Terceiro-Secretário. Os cargos seguintes na carreira são: Segundo-Secretário, Primeiro-Secretário, Conselheiro, Ministro de Segunda Classe e Ministro de Primeira Classe (Embaixador). Somando tudo dar 20 anos. Todos os diplomatas têm de ser aprovados no Concurso de Admissão. O treinamento durante a carreira é intenso e contínuo, pois o diplomata tem de ser capaz, entre outros, de bem representar o Brasil perante a comunidade de nações; colher as informações necessárias à formulação de nossa política externa; participar de reuniões internacionais e, nelas, negociar em nome do Brasil; assistir as missões no exterior de setores do governo e da sociedade; proteger os interesses de seus compatriotas; e promover a cultura e os valores de nosso povo.

O embaixador é preparado para tratar – tendo sempre como ponto de referência os interesses do país – de uma série de temas, que vão desde paz e segurança, normas de comércio e relações econômicas e financeiras até direitos humanos, meio ambiente, tráfico ilícito de drogas, fluxos migratórios, passando, naturalmente, por tudo que diga respeito ao fortalecimento dos laços de amizade e cooperação do Brasil com seus múltiplos parceiros externos.

MAIS Notícias

Maria Isabelle Marcelino Matias*   A minissérie “Emergência Radioativa”, produzida por Gustavo Lipsztein e dirigida por Fernando Coimbra, está disponível na plataforma de streaming Netflix. A produção dramatiza o acidente com césio-137 em Goiânia (1987), com foco...

Lira dos 20 Anos e a Filosofia Socrática
Lira dos 20 Anos e a Filosofia Socrática

    “Meu pai não aprova o que eu faço, tampouco eu aprovo o filho que ele fez.”   Há frases que parecem nascer de uma conversa íntima, talvez de uma mesa de jantar, de uma adolescência inquieta ou de uma casa onde duas gerações se olham sem conseguir...

Competências socioemocionais: a base para aprender
Competências socioemocionais: a base para aprender

Precisamos parar e refletir sobre uma questão fundamental da educação: não existe aprendizagem significativa sem equilíbrio entre competências cognitivas e socioemocionais. As competências cognitivas permitem acessar, compreender e reproduzir conhecimentos. Mas são as...

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *