Dom Geraldo Freire lança Campanha da Fraternidade ao lado de representantes de famílias que lutam por moradia há mais de 10 anos em Iguatu

21/02/2026

A Diocese de Iguatu lançou a Campanha da Fraternidade 2026 na Quarta-feira de Cinzas, 18, com o tema “Fraternidade e Moradia” e o lema “Ele veio morar entre nós” (Jo 1,14). O lançamento oficial aconteceu durante uma missa presidida pelo bispo diocesano, Dom Geraldo Freire, na Catedral de São José. Mas, como de costume, aconteceu a formação de uma rede de veículos de comunicação envolvendo os 19 municípios que compreendem o território diocesano. A abertura foi realizada a partir da rádio Antena Sul, em Iguatu, com geração de imagens e som com a operação técnica do radialista Johnny Pereira, para a retransmissão da participação do bispo Dom Geraldo Freire e convidados. O professor Ivo Ferreira conduziu o programa, que teve a duração de pouco mais de uma hora e contou com as presenças de padre João Emanuel, coordenador diocesano de pastoral, Mara Crislanne, (Cáritas Diocesana), Francineide e Adelaide Silva (ocupações de Iguatu).

A proposta deste ano da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) convida justamente para à reflexão sobre a moradia como condição essencial para a dignidade humana, convidando a Igreja e a sociedade a olharem para a realidade de milhões de brasileiros que ainda não têm acesso a uma casa adequada.

De acordo com dados apresentados pela CF, a realidade habitacional brasileira chega a mais de 6,2 milhões de famílias que não têm moradia adequada e cerca de 328 mil pessoas vivem em situação de rua.  Como foi apresentado, a casa é um dos direitos básicos que deve ser respeitado entre todos os demais direitos. Sem moradia, faltam segurança, saúde, educação e dignidade. Como foi apresentado pelo texto base ao apresentar o lema “Ele veio morar entre nós”, a Igreja convida à conversão pessoal e social, promovendo gestos concretos de fraternidade e ações em defesa do direito a essa moradia digna.  “Estamos hoje iniciando o tempo da Quaresma, a caminhada para a Páscoa e a CNBB, lança oficialmente a Campanha da Fraternidade. É um tempo propício para esse tempo quaresmal. A gente vivendo a conversão, buscar refletir sobre os temas que afligem diretamente a vida do nosso povo, sobretudo os mais pobres”, iniciou sua fala, dom Geraldo.

No último dia 7, a diocese também fez um estudo sobre o tema da campanha. “Esse contato com os meios comunicação é para que os fiéis possam se somar a todas as paróquias da nossa diocese com a contribuição da CF. aproveitamos esse tempo que é um tempo de jejum, de penitência, de caridade. A boa nova do reino é vivenciada nesse tempo quaresmal, por isso muitos pensam que a CF substitui essa vivência, pelo contrário. Essa vivência do tempo quaresmal que vamos viver o tema da CF, como uma dimensão importante para nossa conversão pessoal e comunitária”, explicou Dom Geraldo.

 

Papel social da igreja

Ainda de acordo com o bispo, o tema da CF precisa ser bem apresentado e que todos tenham conhecimento pela complexidade que é tratada esse assunto. “O tema da moradia é bastante complexo porque envolve os poderes públicos, a sociedade civil, todos os órgãos que tem essa preocupação com uma moradia digna para todos. A nossa igreja tem essa preocupação de também refletir sobre esses temas e buscar os meios necessários para concretizá-los para o que a gente chama de ações concretas, não só debater, mas se inserir concretamente nessa atividade. Então, a CF vem pela segunda vez com esse tema, desde 1964 quando aconteceu a primeira Campanha da Fraternidade em nível nacional. Em 1993 já tivemos a ‘Fraternidade e a Moradia’, e o lema “onde moras”. Depois de 33 anos a CF volta com outro lema. ‘Ele veio morar entre nós’. Refletimos também que quando Jesus veio ao mundo, não tinha moradia. José e Maria, na Galileia. Jesus nasceu numa manjedoura. Então Jesus nasceu, humilde, pobre, em um estábulo, em uma manjedoura em Belém. Por isso que o lema “Ele veio morar entre nós”, se solidariza com todos os sofredores e sofredoras do nosso tempo. A CF quer analisar toda a realidade da moradia no Brasil. Também identificar as omissões do Poder Público, da sociedade, enfim conscientizar a partir da palavra de Deus, onde nós podemos ir buscar as respostas, refletir esse tema para que todos se conscientizem a partir dele e buscar a efetivação das políticas públicas de moradia em todas as esferas sociais e políticas”, complementou destacando também o papel social da igreja no Brasil.

Ocupações em Iguatu

“De acordo com o que foi apresentado, a CF provoca e convoca uma ação transformadora de todos. O programa foi conduzido sobre o ‘Texto Base da campanha convida para despertar nas pessoas o direito à moradia digna como expressão concreta também da fé cristã”, apresentou padre João Emanuel.

Segundo os dados que foram apresentados durante o programa, há 62% de déficit de domicílios no Brasil. Representando o movimento das cinco ocupações de Iguatu, Adelaide Silva apresentou dificuldades enfrentadas por quase onze anos de luta por moradia digna. “Em julho vai fazer 11 anos de luta das ocupações em Iguatu. Eram seis no início. Atualmente são cinco. A sexta foi desativada, mas ainda pessoas dessa ocupação continuam morando agregadas. A nossa angústia, nossa insatisfação é que em dez anos nada se resolveu. A gente não sabe para onde vai ainda. A gente continua nessa luta. A angústia da gente é quando chove. Nesse período nada mudou. Nesse ano estamos certo de que a Campanha da Fraternidade vai nos fortalecer, porque até agora nesses dez anos as mãos estendidas para as ocupações foram as da igreja. A igreja em todo o seu habitat aqui no Iguatu. É a igreja que tem olhado para gente e deseja que essas pessoas saiam dessa situação. O que também nos angustia são as pessoas moradoras de rua, principalmente quando chove. A gente não sabe para onde eles vão. Quem está na ocupação, tem um barraco, mesmo que com água, tem um lugar para ficar. Agora quem está na rua, não tem nem isso.  A gente não está só, por conta da igreja”, relatou Adelaide que nesse tempo já se passaram várias gestões municipais e nada mudou.

Adelaide falou sobre o Residencial Dom Mauro, no distrito do Gadelha. “Tem o residencial, mas deixa a desejar por ser distante, quase 14km do centro. Quem realmente precisava estar no residencial não foi por conta do custo de vida para morar lá, principalmente com transporte. Fica inviável”, ressaltou, explicando que atualmente são cinco ocupações existentes em Iguatu: João Paulo II, Bairro Areias, Altiplano, Filadélfia e Vila Neuma, atualmente tem menos de 300 famílias morando nessas ocupações em Iguatu.

Ações

Representando a Cáritas Diocesana, Mara Crislanne apresentou algumas ações que já existem na diocese voltadas à promoção de moradia digna, ações para pessoas que mais necessitam e vivem em situação de vulnerabilidade. A CF quer fortalecer e buscar por mais atitudes concretas com para o cuidado para essas pessoas em situação de vulnerabilidade.

Ainda durante a apresentação, foi demonstrada a preocupação com o número crescente de pessoas em situação de rua em Iguatu. Como forma de amenizar pelo menos a falta de moradia, a Catedral de São José realiza a distribuição de 70 quentinhas, água e pão às pessoas em situação de rua todas as quartas-feiras. A Casa de Acolhimento Padre José Marques, no Prado, realiza diariamente distribuição de refeições no Prado.

Como expressão visível da fraternidade vivida, a Campanha da Fraternidade propõe o gesto concreto da Coleta da Solidariedade, que será realizada nas celebrações do Domingo de Ramos em todo o país. Os recursos arrecadados destinam-se a apoiar projetos sociais que promovem a vida, combatem situações de exclusão e fortalecem iniciativas transformadoras, tanto em nível diocesano quanto nacional.

 

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