Entre a saúde e o preconceito: o problema da obesidade e do sobrepeso no Brasil

26/10/2019

Antônio Sobreira Neto*

A obesidade é um problema que envolve não somente a saúde, mas também o aspecto social e mental. Na música Creep, a banda britânica Radiohead (constituinte do chamado “rock alternativo”) apresenta um eu lírico atônito e deslocado diante dos padrões de beleza existentes e sua inaptidão para adequar-se a eles. Analogamente, milhões de pessoas (na maioria jovens) padecem com o preconceito, a exclusão e com ameaças de problemas de saúde devido ao formato de seu corpo.

O aumento exagerado de peso causa hipertensão, sedentarismo e até mesmo depressão. Um dos motivos para o alcance de tais quadros é a falta de interligação entre médicos, nutricionistas, psicólogos e profissionais em exercícios físicos, gerando a ineficiência do tratamento. Ademais, a manutenção de hábitos alimentares baseados em junk food (comida lixo, aludindo aos alimentos ricos em conservantes e de baixo valor nutricional) propulsiona o desenvolvimento de tais situações. No documentário Super size me, o diretor Morgan Spurlock mostra a sua rotina comendo sanduíches da rede de fast-food MacDonald’s por 1 mês em todas as refeições, causando-lhe os danos de saúde supracitados.

Por uma perspectiva social são frequentes o preconceito e a exclusão do meio por intermédio de brincadeiras jocosas (mostrando a ausência de empatia), as quais mais deprimem do que geram humor. O principal fator que incita esse comportamento preconceituoso é a promoção de padrões de beleza pela “indústria cultural” (que visa homogeneizar opiniões), segregando certos tipos de pessoas do ideal de “perfeição”. Contudo, alguns produtores do meio artístico também promovem campanhas de autoconfiança na forma física, a exemplo da versão da música Survivor (originalmente do grupo Destiny’s Child) feita pela cantora Clarice Falcão. No clipe, ressalta-se a variedade de formas e estéticas das mulheres, motivando o orgulho pelo caráter ímpar de cada uma.

Faz-se necessário que sejam criadas pelo Estado campanhas midiáticas (por intermédio de palestras e propagandas) de conscientização sobre os efeitos do preconceito em pessoas obesas ou com sobrepeso, ocasionando a empatia. É imprescindível também que a ANVISA – Agência Nacional de Vigilância Sanitária obrigue as empresas a rotularem os produtos que se encaixem como junk food, objetivando tornar o consumidor mais consciente sobre a influência desse tipo de alimento.

Ademais, os setores público e privado devem desenvolver programas de interligação de tratamentos, por intermédio da adoção de nutricionistas em postos de saúde como os PSFs (Programa Saúde da Família) e associação com psicólogos, correlacionando a ciência com as humanas. À proporção que isso se concretiza, a sensação de “estar deslocado” será substituída pela de satisfação pessoal.

*Aluno do 2º ano da Escola Modelo de Iguatu

Texto produzido na Oficina de Redação do Professor José Roberto Duarte

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