O cidadão comum

09/05/2025

O acidente, em uma mina de extração de carvão na cidade de Candiota, no Rio Grande do Sul, o tornou, agora, inapto para o trabalho braçal pesado. Passou a andar com dificuldade. Só saia de casa para, com muito custo, chegar ao bar da esquina. José mantinha, para complementar a renda, uma pequena horta em casa. Era um cidadão simplório e comum de cidade do interior.

José era um solteirão convicto, que, embora nunca tenha se casado, tinha uma filha oriunda de um caso rápido quando, a convite de um tio-avô, fora passar três finais de semana em Santarém, no Pará. O agora claudicante homem raramente tinha notícias da sua única filha; soube apenas que ela se casara com um sujeito de índole duvidosa. Resolveu não se importar sobre os caminhos que a filha tomou na vida, posto que ela nunca fora afeiçoada ao seu genitor.

No quarto, bêbado – como em todas as noites, praticamente -, o homem fazia a sua oração a Deus e caia em pesado sono. Viver, para ele, era um fardo desde que sua saúde o abandonara naquele fatídico acidente de trabalho. Sem amigos e parentes vivos na cidade em que residia, contando apenas com a companhia do rádio e de alguns livros, José esperava apenas pela vinda do bom descanso eterno. Sisudo, não via graça nas pessoas, e isso antes mesmo da limitação motora que o acompanha desde então.

Certa noite, na escuridão solitária do seu quarto, encontrou um papel dentro de um velho livro. Nele, o seguinte escrito sem título:

‘‘Eu escrevo com as mãos trêmulas, o pensamento nublado, mas o coração cheio de paixão. A bebida, minha musa, minha inspiração, minha destruição.

Eu bebo para esquecer, para lembrar, para sentir. Bebo para ser, para não ser, para existir. A bebida é o meu existencialismo, o meu absurdo, o meu sentido.

Eu bebo para me perder, para me encontrar. Bebo para me libertar, para me aprisionar. A bebida é o meu cárcere, o meu paraíso.

Eu bebo para pensar, para não pensar. Bebo para questionar, para responder. A bebida é o meu questionamento, o meu questionamento.

Eu bebo para viver, para morrer. Bebo para nascer, para renascer. A bebida é o meu ciclo, o meu eterno retorno.

Eu bebo para me conectar, para me desconectar. Bebo para me sentir, para me despir. A bebida é o meu contato, o meu isolamento.

Eu bebo para me expressar, para me calar. Bebo para me manifestar, para me esconder. A bebida é o meu grito, o meu silêncio.

Eu bebo para me lembrar, para me esquecer. Bebo para me arrepender, para me perdoar. A bebida é o meu remorso, o meu perdão.

Eu bebo para me sentir vivo, para me sentir morto. Bebo para me sentir humano, para me sentir divino. A bebida é o meu limite, o meu infinito.

Eu bebo para me questionar, para me responder. Bebo para me buscar, para me encontrar. A bebida é o meu caminho, o meu destino.

Eu bebo para me libertar, para me aprisionar. Bebo para me sentir livre, para me sentir preso. A bebida é o meu paradoxo, o meu dilema.

Eu bebo para me sentir, para me despir. Bebo para me conectar, para me desconectar. A bebida é o meu contato, o meu isolamento.

Eu bebo para me expressar, para me calar. Bebo para me manifestar, para me esconder. A bebida é o meu grito, o meu silêncio.

Eu bebo para me lembrar, para me esquecer. Bebo para me arrepender, para me perdoar. A bebida é o meu remorso, o meu perdão.

Eu bebo para me sentir vivo, para me sentir morto. Bebo para me sentir humano, para me sentir divino. A bebida é o meu limite, o meu infinito.

Eu bebo para me questionar, para me responder. Bebo para me buscar, para me encontrar. A bebida é o meu caminho, o meu destino.

Eu bebo para me libertar, para me aprisionar. Bebo para me sentir livre, para me sentir preso. A bebida é o meu paradoxo, o meu dilema.

Eu bebo para me sentir, para me despir. Bebo para me conectar, para me desconectar. A bebida é o meu contato, o meu isolamento.

Eu bebo para me expressar, para me calar. Bebo para me manifestar, para me esconder. A bebida é o meu grito, o meu silêncio.

Eu bebo para me lembrar, para me esquecer. Bebo para me arrepender, para me perdoar. A bebida é o meu remorso, o meu perdão.

Eu bebo para me sentir vivo, para me sentir morto. Bebo para me sentir humano, para me sentir divino. A bebida é o meu limite, o meu infinito.

Eu bebo para me questionar, para me responder. Bebo para me buscar, para me encontrar. A bebida é o meu caminho, o meu destino.

Eu bebo para me libertar, para me aprisionar. Bebo para me sentir livre, para me sentir preso. A bebida é o meu paradoxo, o meu dilema.

Eu bebo para me sentir, para me despir. Bebo para me conectar, para me desconectar. A bebida é o meu contato, o meu isolamento.

Eu bebo para me expressar, para me calar. Bebo para me manifestar, para me esconder. A bebida é o meu grito, o meu silêncio.

Eu bebo para me lembrar, para me esquecer. Bebo para me arrepender, para me perdoar. A bebida é o meu remorso, o meu perdão.

Eu bebo para me sentir vivo, para me sentir morto. Bebo para me sentir humano, para me sentir divino. A bebida é o meu limite, o meu infinito.

Eu bebo para me questionar, para me responder. Bebo para me buscar, para me encontrar.’’ […]

Continua na próxima edição…

 

Cauby Fernandes é contista, cronista, desenhista e acadêmico de História

 

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