Os cinco ‘cabarezinhos’ do Jiqui

22/01/2022

 

Luís Sucupira é repórter fotográfico, jornalista (MTE3951/CE) e escritor

 

Era setembro de 2017. Fazia uns meses que havia sido descoberto um ninho de caborés no Jiqui, em Quixelô, mas eles ainda estavam muito novinhos e escondidos no buraco. Apenas os pais estavam voando e do lado de fora. Tentei, mas não consegui as fotos que queria fazer.

Alguns meses depois me avisaram que eles estavam do lado de fora e decidi ir ao Jiqui registrar.

Saí cedo. Fui na companhia do Erick e do compadre Alex. Foi um exercício de grande paciência sob um sol de rachar. Passo a passo fui me chegando, quase me arrastando para conseguir boas fotos. É uma raridade registrar a família toda junta.

Eu estava determinado e, com a paciência de um fotógrafo do Nat Geo, comecei a minha campana. A cada clique eles se assustavam. Essas aves têm uma visão e audição apuradíssimas e sabia que não podia apertar o disparo contínuo. Teria que ser foto a foto. E assim foi.

Uma hora depois nos acostumamos uns aos outros. Eu entendendo como eles se movimentavam e eles percebendo que eu poderia não ser uma ameaça.

Em determinado momento, eles todos, pais e filhos, se perfilaram fazendo pose, como quem diz – “Olha aí, cara! Estamos prontos!” E nessa hora foi no disparo contínuo mesmo. Sabia que não teria outra chance. Fiz a foto que eu esperei por meses. Depois disso, relaxei e passei a buscar outras imagens de bônus. E elas vieram. Foram várias.

Era hora de voltar, o Erick seguiu na frente e chegou primeiro em casa. Minha doce e bela Jamile ainda dormia, mas ouviu de longe o Erick falar: – “Luís tirou um monte de foto dos ‘cabarezinhos’. Uns cinco! Um em cima do outro!” Foi o suficiente para Jamile se levantar e quase começar a Terceira Guerra Mundial.

– “Como assim cinco cabarezinhos, Erick?”

O Erick tentou explicar e só conseguiu com a ajuda da Cristina, esposa do Paulo.

– “Não, Jamile… Eu disse errado…  são 5 caborezinhos… Corujas!”, disse o Erick.

– “Onde que tem cabaré aqui no Jiqui? Se um não tem, imagina cinco e um em cima do outro? Eita, mulher ciumenta!”

O riso foi geral. Minutos depois cheguei junto com compadre Alex e me contaram a história. Mostrei as fotos e até hoje o ‘meme’ rola. Sempre que contam é garantia de novas e boas risadas e, claro, alguns lembretes de cuidado.

Moral da história: antes de soltar uma notícia, tenha a certeza que a manchete está correta, senão…

MAIS Notícias

Maria Isabelle Marcelino Matias*   A minissérie “Emergência Radioativa”, produzida por Gustavo Lipsztein e dirigida por Fernando Coimbra, está disponível na plataforma de streaming Netflix. A produção dramatiza o acidente com césio-137 em Goiânia (1987), com foco...

Lira dos 20 Anos e a Filosofia Socrática
Lira dos 20 Anos e a Filosofia Socrática

    “Meu pai não aprova o que eu faço, tampouco eu aprovo o filho que ele fez.”   Há frases que parecem nascer de uma conversa íntima, talvez de uma mesa de jantar, de uma adolescência inquieta ou de uma casa onde duas gerações se olham sem conseguir...

Competências socioemocionais: a base para aprender
Competências socioemocionais: a base para aprender

Precisamos parar e refletir sobre uma questão fundamental da educação: não existe aprendizagem significativa sem equilíbrio entre competências cognitivas e socioemocionais. As competências cognitivas permitem acessar, compreender e reproduzir conhecimentos. Mas são as...

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *