Os “geniais” das redes sociais

27/03/2021

“Leia, leia, leia. Leia tudo – bobagem, clássicos, bom e ruim, e veja como são feitos. Assim como um carpinteiro que trabalha como um aprendiz e estuda o mestre. Leia! Você irá absorver. Então escreva. Se for bom, você descobrirá. Se não, jogue pela janela.”

Li algo, em uma rede social, sobre o quão ignorantes são os direitistas. “Nas aulas de História, eles [os direitistas] deviam estar dormindo”, dizia um da dupla esquerdista com seus, vejam só, erros imperdoáveis em relação ao nosso vernáculo. A falta de pontuação correta também se fazia presente na referida troca de comentários.

Sempre me causou estranheza ver pessoas que se enxergam “críticas e problematizadoras” escreverem tão mal. Péssimo, para dizer a verdade. Não deveria ser assim, haja vista que eles se intitulam amantes das artes, da cultura e tudo mais. Ao que parece, eles não fazem o que tanto ordenam: leitura. Sim, falta leitura para esses senhores. Talvez se, ao invés de ficarem repetindo chavões, investissem no conhecimento genuíno, as coisas seriam bem diferentes. Não adianta repetir, como um papagaio, os discursos doutrinadores da militância e permanecer apenas passeando a vista por orelhas de livros e posts de sites preguiçosos duvidosos. É preciso abri-los. Lê-los verdadeiramente.

E não me refiro a ler apenas o que lhe convém. Faz-se necessário ler “o outro lado”. Conhecer o pensamento opositor para se poder ter noção do que se está criticando. Ou até mesmo concordar com tal corrente de pensamento, quem sabe! É uma questão de honestidade intelectual.

Mas, pelo que vejo, a dupla de paladinos intelectuais está muito cheia de conhecimento – adquirido por osmose, talvez – para perder tempo com livros. Entretanto, ressalto que tal postura é facilmente encontrada em direitistas da chamada “nova direita”. Não é raro ver imbecis com semelhante ignorância arrotando ares de intelectualidade nas redes sociais, bares e demais convenções sociais.

A repulsa pelo conhecimento não se limita a este ou aquele grupo, mas está em ambos, infectando, contaminando a cena. E qual a solução diante de tais indivíduos? Simples, caro leitor: não debata com estes senhores, sejam de direita ou de esquerda. Não perca seu tempo com pseudointelectuais pragmáticos. Há muito abandonei o hábito do debate neste terreno fétido que é a rede mundial de computadores. Ao invés disso, aproveito o meu tempo livre da melhor maneira possível: lendo.

Só a leitura nos coloca cara a cara com a dura realidade de que, quanto mais buscamos conhecimento, mais percebemos o quão ignorante somos. Quanto mais conhecemos, menos simples se mostrará o mundo, a vida e tudo o que nos cerca, pois passamos a saber da existência de uma infinidade de pensamentos, só possíveis via literatura. É através dela que nos livramos das atitudes tolas que vos relatei aqui, prezado leitor, no caso dos dois esquerdistas problematizadores e de mentalidade superior (ao menos é o que eles pensam de si quando nos mandam, ironicamente, estudar História).

Fuja dos “geniais canceladores” das redes sociais, meu caro leitor, pois eles não têm consciência da própria ignorância, agindo como agem, que dirá mensurar a nossa.

Cauby Fernandes é contista, cronista, desenhista e acadêmico de História

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