Protetores lançam campanha contra fogos de artifícios com estampido

06/06/2026

Com a chegada de junho, acontecem as tradicionais festas dedicadas aos santos Antônio, João e Pedro, que marcam momentos de tradição e alegria. Mas o período traz o debate e acende o alerta sobre o uso de fogos de artifícios barulhentos.

Este ano tem também a Copa do Mundo de futebol e as eleições estaduais, motivos de preocupação para famílias atípicas, idosos além dos riscos para os animais, visto que é comum o uso de artefatos explosivos barulhentos.

Em Iguatu, a ONG Mães de Pets e protetores da causa estão com a campanha “Não solte fogos de artifícios com estampidos” que visa a orientar a população e chamar atenção das autoridades responsáveis por esse tema. Em junho de 2021 foi aprovado na Câmara Municipal de Iguatu o projeto de lei que proíbe a utilização de fogos de artifício barulhentos no município. “A nossa preocupação é porque já sentimos na pele essa questão dos fogos de artifícios, bombas. Já fomos à Câmara Municipal, já pedimos também que as autoridades olhassem com mais atenção para essa lei que já existe em nosso município. A gente espera que bombas barulhentas não venham a ser soltas. Isso traz sofrimento a diversas pessoas e também aos animais”, ressaltou a protetora Suelde Bastos, da ONG Mães de Pets.

De acordo com a campanha, a intenção é educar e alertar as pessoas para os riscos que esse tipo de artefatos traz riscos e prejuízos para a saúde de pessoas neurodivergentes, idosos e animais. “Pensando não somente nos animais, nas pessoas idosas, nos autistas, realmente que tem sensibilidade com esses fogos barulhentos. Eu tenho três animais em casa que desmaiam por conta dos fogos”, declarou.

Transtornos

A protetora de animais Maria Terezinha Machado em dezembro passado, na virada do ano, viveu momentos de agonia e sofrimento na tentativa de salvar animais vítimas de incêndio na lagoa da Bastiana, provocado por fogos de artifícios. “Eu tenho pavor, pânico de bombas! Imagina os animais. Os que tenho lá em casa ficam transtornados. As pessoas têm que entender e respeitar, nem todo mundo gosta. Isso é uma prática ultrapassada. Este ano temos as festas juninas, Copa do Mundo, eleições. Não há necessidade de soltar fogos com barulho. Na verdade, não vejo sentido soltar bombas. Não é a primeira vez que a gente sofre essa falta de respeito”, lamentou.

Terezinha cobra das autoridades responsáveis que fiscalizem, que a leis sejam cumpridas. “Ano passado, fogos provocaram o incêndio na lagoa, causando a morte de muitos animais, além da vegetação. Em 2023, o incêndio foi criminoso, intencional, porque foi colocado fogo dos dois lados da lagoa. É triste essa situação. Esperamos que as autoridades vejam isso. Estamos apelando mesmo para que todos vejam essa situação. É tudo que a gente espera que aconteça a conscientização das pessoas e atenção das autoridades”.

A campanha não é contra a comercialização dos artefatos não barulhentos. Os voluntários esperam que as leis sejam cumpridas. “Sempre nessa época de festejos juninos, final de ano, as pessoas montam as barraquinhas para vender esses artefatos explosivos, é o uma renda que ajuda a eles, mas é importante que também eles se conscientizem e não vendam produtos barulhentos. Vamos fazer uma festa que todos se divirtam, mas com responsabilidade. Vamos divertir todo mundo junto, sem sofrimento de ninguém”, pontuou Suelde.

Riscos e consequências

A campanha aponta alguns riscos que esses produtos podem causar, acidentes se mal manuseados, incêndios, além de prejudicar a saúde de animais, idosos, crianças neurodivergentes e pacientes hospitalizados. Em cães e gatos, o barulho pode gerar estresse extremo e comportamento de fuga. O barulho causado pelos fogos pode causar irritabilidade, distúrbios do sono, doenças metabólicas, cardiovasculares e digestivas. Em pessoas com autismo, idosos e pacientes internados também podem sofrer crises, ansiedade severa e desregulação sensorial.

 

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