Supressão do pensamento conservador

24/04/2021

É muito comum, pelo menos tornou-se mote no último biênio, ouvirmos falar em democracia e respeito em meio a um caloroso debate político. Mas, o que isso de fato significa? Será que, verdadeiramente, o espaço para o debate é realmente livre? Os pensadores opositores estão em uma arena de confronto onde as hostilidades terminam em pura amistosidade ao titilar de copos de cerveja?

Infelizmente, caro leitor, a realidade é outra. Na prática, sabemos que a supressão às linhas conservadoras e liberais há muito não são ouvidas; sufocadas, isso sim, pela corrente esquerdista apregoada há décadas em nosso país. Talvez alguns que acompanham estas linhas pensem: “É exagero, cronista ‘fascista!’”. Posso propor algum ponto, a título de exemplo, para que o leitor possa refletir sobre. Vamos a ele.

Não é preciso ser um perspicaz observador para logo chegar à conclusão de que difícil coisa é encontrar um jovem de direita. Observem os bares alternativos da cidade: estão apinhados de críticos problematizadores que leem pouco, mal e péssimos livros, mas, para eles, isso já basta para criticar, com ares de superioridade, o governo, o sistema, o status quo… enfim, o estado de coisas. Pensam estarem vivendo numa espécie de Woodstock do século XXI, com suas roupinhas cafonas, vintage… ocorre que a geração de 1960 tinha mais conteúdo, razão crítica e cérebro.

Pois bem. É justamente em meio a este caldo disforme, incerto, destituído de valores norteadores da conduta moral conservadora, que o nosso jovem está inserido. As inovações trazidas por essa trupe, buscando tudo racionalizar (na semântica negativa da palavra: ausência de sentimento), tudo inovar (outra semântica negativa: abandono ao tradicionalismo) e renegar os valores – passados de geração para geração – por meio do que chamam de “desconstrução”.

O direitista, obviamente, coitado, se verá “órfão de amigos”; não se reconhecerá em meio a essa pandega matusquela e barulhenta. É aí onde reside o cerne do problema. Imagine agora esse mesmo jovem inserido no seio dessa algazarra de mentes ocas! Certamente será aviltado. O que a turminha canhota chama de democracia, não passa de respeito aos seus, aos que pensam como eles. Se há quem pense diferente – o jovem de direita, por exemplo -, será prontamente atacado por epítetos nada nobres como fascista, homofóbico, misógino… Assim, sem nenhuma razão justa e lógica!

Como sei de tudo isso? De onde me vem tal concepção? Puro empirismo, caro leitor… puro empirismo. Também eu vivenciei similares dissabores circunstanciais – e ainda os vivo. Pude constatar que não há democracia quando não há honestidade intelectual. Usam de simulacro de verdade, isso sim. Mas, emulação alguma substitui o respeito pelo conhecimento e a sua busca honesta. Fuja, caro leitor, desses que se dizem detentores da árdua missão de defender as “         minorias”. Não acreditem em quem se acha gente do bem. São sempre os piores. Não respeitam as diferenças que tanto pregam – como já sabemos, respeitam apernas as diferenças dentro daquela linha ideológica por eles defendida.

Democracia (não apenas política) é algo que não se pode esperar de quem não entende o seu real significado. Não debata com quem joga sujo. Ao jovem conservador, uma dica: leia os grandes autores conservadores e liberais. Estará com isso munido contra as alegóricas “carroças vazias” que perambulam a esmo, em bandos, pela nossa cidade.

 

Cauby Fernandes é contista, cronista, desenhista e acadêmico de História

MAIS Notícias
A contrabandista – final
A contrabandista – final

  Resumo da parte 1: Sob a chuva de Fortaleza, o investigador Eliarde Evan descobre que a contrabandista de perfumes Vanessa Iana é, na verdade, Alana Isidora, seu amor desaparecido do passado. Dividido entre o dever e o sentimento, ele tenta convencê-la a...

A contrabandista – parte 1
A contrabandista – parte 1

  A chuva caía fina sobre a cidade de Fortaleza, transformando as luzes dos postes em halos trêmulos. No interior do escritório 307 do Edifício Atlântico, Eliarde Evan observava uma fotografia espalhada sobre a mesa. A mulher na imagem usava óculos escuros...

A ilha do tio-avô
A ilha do tio-avô

  Todas as noites, às três em ponto, o mesmo sonho. A casa antiga surgia envolta por uma névoa espessa, as paredes respirando como se fossem feitas de carne. No corredor, sob o retrato torto de ancestrais de olhos apagados, estava ele: tio-avô Anselmo, morto...

0 comentários

Enviar um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *