A GERAÇÃO Z não empobreceu por causa das telas e nem da pandemia.
Também não foi simplesmente por causa da qualidade da educação formal.
Em janeiro de 2026, o neurocientista Jared Cooney Horvath apresentou dados sobre aquilo que muita gente já suspeitava: precisamos olhar para a formação dessa geração de maneira mais ampla, considerando as mudanças no desenvolvimento, nos hábitos, na atenção, na aprendizagem e na relação com o mundo.
A questão não é demonizar as telas. Como diz Harar (2018), somos ótimos em produzir invenções, mas pecamos no uso delas. O adequado é compreender o contexto em que essa geração está crescendo e quais habilidades precisam ser fortalecidas para que crianças e jovens desenvolvam autonomia, pensamento crítico, autorregulação e capacidade de aprender.
Mais do que procurar culpados, precisamos compreender o fenômeno.
Uma pesquisa publicada na revista Neuromage em 2025, utilizando exames de ressonância magnética, identificou mudanças estruturais no cérebro de crianças e jovens associadas ao alto consumo de vídeos curtos. Em termos simples, o cérebro pode se adaptar a esse padrão de estimulação rápida e passar a priorizar recompensas e estímulos digitais, tornando atividades que exigem atenção sustentada, como ler, estudar e pensar profundamente, mais difíceis e menos atraentes.
E aqui está um ponto importante: o problema não é simplesmente a tela. É aquilo que a tela pode estar substituindo.
Pode estar substituindo a leitura profunda, as conversas presenciais, o olho no olho, o tédio necessário para criar, a experiência de esperar, a concentração e até o esforço de pensar sozinho.
O cérebro aprende com aquilo que fazemos repetidamente. Se oferecemos estímulos rápidos o tempo inteiro, precisamos também perguntar: o que estamos deixando de exercitar?
Talvez a pergunta mais importante não seja “quanto tempo a criança passa na tela?”, mas “o que ela está deixando de viver enquanto está na tela?”. Pais e mães, vamos promover momentos de realismo, de interação positiva em casa urgente. O dano já é real, não basta lastimar e nem chamar a geração de “estragada”, como vemos em muitos comentários. Quando o assunto é criança e jovens seus comportamentos não são sobre eles em si, e sim sobre a geração que os antecederam.
Porque educar não é apenas controlar o acesso à tecnologia. É garantir que, ao lado dela, continuem existindo experiências capazes de desenvolver atenção, linguagem, pensamento, vínculo, criatividade e autonomia

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