O município de Iguatu deve se consolidar como um novo polo da cadeia pecuária no Ceará com a implantação de uma indústria frigorífica da empresa Masterboi. O anúncio foi oficializado nesta semana, durante cerimônia no Palácio da Abolição, em Fortaleza, com a assinatura de um memorando de entendimento entre a empresa e o Governo do Estado.
O documento foi firmado pelo governador Elmano de Freitas (PT), ao lado de autoridades, lideranças empresariais e representantes do setor produtivo. Também participaram do ato os deputados estaduais Agenor Neto (MDB) e Marcos Sobreira (PSB), além do prefeito de Iguatu, Roberto Filho (PSDB).
O projeto prevê investimento de cerca de R$ 250 milhões, com início das obras ainda em 2026 e operação estimada para 2028. A unidade terá capacidade inicial para abater 500 cabeças de gado por dia, podendo chegar a 1.000 animais, além da geração de até 1.000 empregos diretos.
O impacto econômico, no entanto, deve ir além da planta industrial, alcançando toda a cadeia produtiva — desde a fabricação de ração animal até a expansão de áreas de confinamento e o fortalecimento das agroindústrias locais.
Logística e estrutura
A escolha de Iguatu pela empresa foi motivada por fatores estratégicos: a proximidade com a Ferrovia Transnordestina, considerada essencial para a logística de escoamento da produção, além da disponibilidade hídrica e do porte populacional do município.
Para viabilizar o empreendimento, o Governo do Ceará desapropriou uma área de 60 hectares nas proximidades da ferrovia. Também está previsto o reforço no abastecimento de água, com a construção de uma adutora ligada ao açude Trussu, garantindo suporte à demanda industrial.
Além disso, o Estado deverá oferecer incentivos fiscais e apoio em infraestrutura para consolidar a instalação da unidade.

TLI e novos investimentos
Presente na cerimônia, o empresário Eugério Queiroz, sócio-proprietário do Terminal Logístico de Iguatu, destacou que o anúncio representa um passo importante para ampliar a capacidade econômica do município.
“Esse é um primeiro empreendimento que abre portas para muitos outros que ainda virão. Iguatu tem um grande potencial logístico e essa chegada é fruto da soma entre a força política da região e as condições estratégicas que a cidade oferece”, afirmou.
Segundo ele, a combinação entre infraestrutura, localização e articulação política tende a atrair novos investimentos para o município nos próximos anos.

Potencial do setor no Ceará
Com a chegada do novo empreendimento, Iguatu amplia sua importância econômica no interior do Ceará, consolidando-se como um eixo estratégico para o desenvolvimento da pecuária e da indústria no estado.
O investimento chega em um momento de expansão da pecuária cearense. O estado possui o terceiro maior rebanho do Nordeste, com mais de 2,8 milhões de cabeças de gado, cenário que reforça o potencial de crescimento da atividade.
Presidente da Masterboi, Nelson Bezerra destacou o processo de escolha e as expectativas com o novo projeto. “Desde julho que estávamos conversando sobre abrir essa indústria no Ceará. Com estudos e muito diálogo, decidimos por Iguatu pela logística da Transnordestina, pela população acima de 100 mil habitantes e pela disponibilidade de água. Vamos iniciar com o abate de 500 cabeças por dia, com capacidade de chegar a 1.000. Tenho certeza de que esse projeto vai desenvolver Iguatu, toda a região e o Ceará”, afirmou.
Presença internacional
Empresa pernambucana, a Masterboi tem faturamento anual de cerca de R$ 3,5 bilhões e atuação em 117 países. O grupo já possui frigoríficos em estados como Tocantins, Pará e Pernambuco, além de unidades comerciais na Paraíba e em seu estado de origem.



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